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A era dos investimentos publicitários

Rose Maria

O impacto dos veículos de comunicação no mercado publicitário, atingiu o seu ponto alto no período de 1950-1960. Com investimento inicial de 500 mil dólares, nasce em julho de 1950 a Editora Abril, fundada por Victor Civita em sociedade com o grupo Smith de Vasconcelos e Gordiano Rossi. Dois meses depois, os paulistanos assistem, pela primeira vez, imagens de televisão através da TV Tupi Difusora. Ambos veículos viriam a revolucionar a propaganda.

A revista Manchete chega ao mercado em 1952 com a pretensão, de semanalmente, disputar eleitores com O Cruzeiro, outro magazine que ambicionava ser internacional. A diferença entre as duas estava na impressão. Enquanto a Manchete vinha em cores convencionais; a outra era impressa em sépia, o que comprometia a qualidade dos anúncios. A década de 50, então, revolucionava a comunicação a partir da imagem. O sucesso da TV e o impulso das revistas da Brasil Améri-ca, Rio Gráfica e Abril provocavam uma verdadeira reviravolta na mídia impressa tradicional.

 

Os cálculos da época não mentem: foi uma década de grandes investimentos no setor da propaganda. Surgem diversas agências. Segundo o Anuário de Publicidade em 1950, de 101, salta para 180 o número de empresas no final da década. Em 1955, já se fala em 5,8 bilhões de cruzeiros, três vezes os valores apurados no início da década. Nos anos de 1959 a 1960 chamamos a atenção do mundo com investimentos em publicidade estimados em 20,5 bilhões de cruzeiros. Somos, então, o sétimo mercado no ranking internacional. Extra-oficialmente o oitavo, já que por algum motivo omite-se a Alemanha. O nosso PIB cresce em média 70% ao ano.

 

A introdução no Brasil das revistas em quadrinhos também foi um dos momentos mais marcantes desta época. Os personagens da Disney passam a conviver com Fantasma, Capitão Marvel, Buffalo Bill e demais heróis infantis de outras editoras. Mas é em 1952 que a Abril começa a incomodar a concorrência, após o lançamento da revista Capricho que vem disputar mercado com as fotonovelas italianas do Jornal das Moças e Grande Hotel. No mesmo ano surge uma outra publicação em quadrinhos, a do Mickey, e ainda Meu Bem.

Nos bastidores da televisão, a publicidade também conquista sua Era de Ouro. Embora tudo fosse de improviso nos primórdios da TV, pelo menos na captação de recursos a história era outra. Três anos da Tupi no ar, Chateaubriand já tinha celebrado os chamados "contratos de apoio" com a Antarctica, Grupo Pignatari, Sul-América de Seguros e Moinho Santista. Cotas de 4 milhões de cruzeiros cada para financiar os transmissores adquiridos da RCA e cobrir os rombos do caixa.

Muitas agências se apresentam nessa época como promissoras. Alcântara Machado, em São Paulo; Denison, no Rio de Janeiro; MPM e Mercur, no Rio Grande do Sul; Publivendas, na Bahia; JMM, em Minas Gerais; e Cannes, em Goiânia. A década de 50 fecha seu círculo com o surgimento de agências empenhadas em trabalhar com os métodos profissionais, ou seja, o estilo americano.


Fonte:
“Brasil 100 Anos de Propaganda”
de Nelson Varón Cadena


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