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Comércio cor-de-rosa

Consumo, moda, corpos tratados e cabeças pensantes.

Atualmente, essas são algumas das palavras que definem um universo antes não explorado e que ainda mexe com os valores e a tolerância da sociedade. Para muitos pode ser chamado de mundo GLS - gays, lésbicas e simpatizantes -, que às vezes foge à regra, mas também cria algumas bem específicas que aos poucos são absorvidas pelo resto das pessoas.

Em menos de 10 anos, esse tipo de comportamento, ou opção de vida, tomou um rumo muito mais abrangente. Foi descoberta a sua importância no contexto social e também o potencial econômico que eles possuem. A parada gay, em São Paulo, pode ser tomada como um grande exemplo. Lá, numa cópia da versão americana, milhares de homossexuais acompanharam em passeata a luta por mais espaço e respeito diante de todo o país. E para reforçar todo esse processo, eis o que faltava: a publicidade.

Um grande provedor de internet fez questão de patrocinar o evento. Sua marca estava estampada em carros alegóricos, trios elétricos e bandeiras durante todo o percurso do movimento. A questão fica exatamente no ponto: até onde pode-se ir para buscar um novo mercado?

Alessandro Monte, que coordena a ONG “Os Defensores”, acredita que falta conscientização e desmistificação do papel do gay diante da sociedade para que o movimento solte as rédeas a caminho do marketing. “É fácil fazer a propaganda para este público. Já foi constatado que, por muitos não terem despesas com família, filhos e casa, podem ser considerados extremamente consumistas. Gastam com a sua imagem e com a projeção de seus conhecimentos”, afirma.

Mas para quem está do outro lado, e investe nesse público, a situação é diferente. Guilherme Oliveira, conhecido como Xu, sempre investiu em empreendimentos GLS no Recife. “O mercado local é muito restrito. Afora o eixo Rio-São Paulo, existe tanta cautela que fica difícil ter acesso a patrocínios e investimentos”, diz. Já para Lavínia Fadigas, diretora de publicidade da revista GMagazine, a maior publicação gay do país, mesmo com o preconceito, a barreira para investir nesse mercado está sendo quebrada. “Os principais anúncios da publicação continuam vindo dos guetos, mas já temos campanhas veiculadas tanto na nossa revista, quanto em outras de grande circulação”, garante.

 

A tiragem da “G” chega aos 100 mil exemplares. Nos três anos de publicada, a credibilidade tem sido um artifício indispensável para conquistar o público-alvo. “Antes tínhamos os telefones desligados na nossa cara. Agora somos atendidos e mostramos que, além do nu, temos algo de bom para ler e informar”, garante Lavínia. O site da publicação segue a mesma linha da revista. Não faltam banners e anunciantes dos mais diversos segmentos. “É propaganda com retorno garantido”, assegura a diretora.

 
 
O site da G Magazine tem uma publicidade diversificada

É MAIS CARO - Embalados na tendência que gays são consumistas, uma infinidade de serviços foi criada para o deleite desse segmento. Pacotes turísticos, cruzeiros, hotéis, spa, boates e até blocos de carnaval. Tudo para oferecer privacidade necessária a esse público, que ainda teme em chocar os mais conservadores. Mas essa diversidade esconde dentro das mangas uma reclamação unânime dos participantes: o dinheiro. Para eles, é indiscutível que esses serviços tenham um preço mais alto que os ambientes para um público misto. Um dos coordenadores do Grupo Gay da Bahia - GGB, Adenílton Gomes, é categórico: “Ainda somos explorados. Infelizmente, pagamos mais para podermos usufruir de maior liberdade”, protesta.

Para quem participa ativamente do circuito GLS, que já caminha para uma nova denominação - GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros), a divulgação de seu meio como agente transformador é, digamos, “despreconceituosa” e bem-vinda. “Criamos um informativo com o melhor do circuito gay. O guia é direcionado a todo o país e tem apoio, inclusive, da imprensa, que está deixando de ser pejorativa para conscientizar a sociedade”, afirma Adenílton. A publicitária Beatriz Mello, uma das criadoras da campanha “Toda forma de amor vale amar”, que trazia a fotografia de um casal homossexual, complementa: “Respeitar e não discriminar. Assim como os idosos, tratamos o público gay como um segmento igual aos outros. De uma forma delicada, passamos a mensagem sem agredir ninguém”.


Diploma: Profissionais na contamão

A publicidade é primordialmente o talento da pessoa. Para o publicitário e diretor da Italo Bianchi, Alfrísio Melo, essa é a premissa básica na hora em que se busca um lugar ao sol. Segundo ele, para fazer parte do concorrido mercado, a criatividade precisa estar à flor da pele, independentemente de se ter ou não um diploma de publicidade nas mãos.

Mas, é claro, quando há habilitação, mesmo que em outra área, o desenvolvimento das atividades flui muito mais fácil, já que o intelecto é facilmente estimulado. E, afinal, o que leva um profissional a ser publicitário? Será que o diploma de Comunicação Social com Habilitação em Publicidade e Propaganda é mesmo tão importante? Ou será que a cabeça fervilhando de idéias criativas e originais é realmente a porta de entrada?

Nós da ProNews resolvemos dar uma volta por algumas agências da cidade para tentar descobrir o que se passa na cabeça e no coração de um profissional com formação em outra área quando decide atuar na publicidade. É opção ou convicção?

 

A responsável pelo atendimento da agência Marta Lima (Recife), Andrea Neves, graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e com mestrado em Antropologia pelo Museu Nacional, sabe bem do que estamos falando. Quando voltou para o Recife, trabalhava com planejamento estratégico e pesquisa na área de marketing em uma consultoria especializada. Em seguida, foi chamada para integrar a equipe da Propeg-PE também para trabalhar na área de pesquisa e atendimento de algumas contas da empresa.

Na época, a antropóloga já sabia que o que realmente a fascinava era o conhecimento da estratégia do negócio do cliente e o desdobramento do que fazer com as informações, e não propriamente trabalhar com os livros de pesquisas, o que era uma constante em sua rotina. Eu me sentia seduzida pela publicidade. Como a graduação na área só surgiu há pouco tempo, não fiz faculdade, mas acredito que estes dois trabalhos que tive foram essenciais, já que adquiri conhecimentos complementares, revela Andrea, acrescentando que hoje está muito feliz com a atual profissão.

Outro a levantar vôo na propaganda foi Luiz Otávio, da Aliança Comunicação. Sua formação? Administração de Empresas pela Universidade de Pernambuco (UPE). Hoje, Luiz Otávio responde junto com seu pai, o publicitário Luiz Geraldo Vieira, pelo setor de atendimento e planejamento da agência. Tudo bem. Não dá pra negar. O diploma está diretamente ligado à sua profissão. Mas, porque Administração de Empresas e não Publicidade? Por causa do meu pai, sempre tive uma história de publicidade muito grande. Vivia no ambiente 24 horas por dia. Ah! já ia me esquecendo, minha irmã, Lina Rosa, também é da área, faz questão de ressaltar.

Se bem entendemos, o Luiz não deixou claro o porquê de ter optado pela Administração e não por outro curso na área de Comunicação Social, que está mais ligado à propaganda. E ele não hesitou. O curso de Administração lhe ensina a conduzir o seu próprio negócio e o negócio do seu cliente. Como sou da área de atendimento e planejamento, estou sempre sugerindo diversas saídas para os nossos clientes. Em atendimento, a visão do administrador é fundamental, ressalta Otávio.

Procuramos ainda o futuro engenheiro civil, André Souza, que atualmente trabalha como atendi-mento da Gruponove (Recife). O jovem, que está no final da carreira universitária, apesar de estar engatinhando na publicidade, já decidiu com convicção o seu destino profissional. Passei um tempo trabalhando na Gessi Lever como coordenador de planejamento no setor de marketing, o que me chamou muita atenção para a publicidade. Acho que realmente posso dizer que descobri a minha vocação, diz.
Agora, com mais de um ano trabalhando na área, o universitário lamenta não ter despertado para a publicidade mais cedo. Não cursei a faculdade de Publicidade e Propaganda, mas nem por isso vou desistir. Pretendo terminar minha graduação para iniciar uma especialização em Marketing que está superligado à área, reforça Souza. Outra coisa importante, segundo o profissional, é colocar a leitura em dia para adquirir novos conhecimentos principalmente, para ficar sempre atualizado.

 
 

 

 


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