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3º setor: Cresce a solidariedade de Voluntários

Rose Maria


Na terra em que a Lei de Gérson foi levada ao pé da letra na arte de tirar vantagem em tudo, tornou-se cada vez mais popular a máxima em que fica acentuado que Deus é por todos e cada um por si. Para inverter esse quadro de individualismo generalizado, um grupo se reuniu e lançou mão de nova postura diante da crise social. O envolvimento voluntário de profissionais terminou por instituir o chamado terceiro setor, cuja missão é mobilizar e apoiar iniciativas de práticas sociais, além do desenvolvimento sustentável para comunidades carentes.

Em Pernambuco, uma organização não-governamental vem transformando o setor empresarial num grande aliado na luta por justiça social. A Ação Empresarial pela Cidadania (AEC) foi fundada há dois anos. Antes, fazia parte do programa da Fundação WK. Kellogg para a América Latina, que forma líderes treinados a provocarem reflexão e debate sobre as carências sociais, suas conseqüências e estratégias de combate. Tudo isso numa parceria entre governo, ong’s e empresas privadas.

Para a gerente-executiva da AEC, Susana Leal, o terceiro setor vive uma revolução silenciosa, graças à colaboração de empresários e dos meios de comunicação, os quais têm despertado o interesse em dedicarem parte do tempo profissional a projetos beneficentes.

No rastro do primeiro Ano Internacional do Voluntário decretado pela Organização das Nações Unidas (ONU) já começa a evoluir no país o comprometimento com a área social. “Essa é uma nova forma de gestão empresarial e de comportamento da mídia”, observa Susana Leal. Segundo o site da Rede de Informações para o Terceiro Setor (Rits), há pesquisas que apontam investimentos financeiros massivos no mundo, a exemplo dos Estados Unidos, em que as maiores organizações empresariais, entre institutos e fundações, investem cerca de US$ 500 milhões por ano em causas sociais.

Para Fábio Albamonte Amaral, do Instituto Cultural Maurício de Souza, outro grande aspecto do voluntariado são os implementos em marcas, as quais se estiverem ligadas a alguma entidade sem fim lucrativo podem ter efeitos surpreendentes em relação ao público consumidor. Para acentuar suas observações, em recente palestra no II Ciclo de Comunicação do Terceiro Setor, no Recife, Fábio Albamonte apontou que 78% dos adultos tendem a comprar o produto se estiver beneficiando alguma causa social; 54% chegariam a pagar mais caro se esse produto realmente ajudasse a melhorar a qualidade de vida das pessoas carentes; 66% trocariam de marca; e, por fim, 62% provavelmente trocariam de estabelecimento comercial se este não tivesse a menor preocupação social.

Para quem pensa que esses investimentos significam apenas a manutenção de creches ou adoção de crianças a distância, está enganado. Na verdade, a suposta caridade de setores econômicos, comunicação e publicidade vai mais longe. “Neste final de milênio e mais especificamente neste último ano, muitas empresas privadas resolveram abraçar as causas sociais, envolvendo-se em projetos voltados para o benefício das comunidades. É o comprometimento que vai além da doação de tempo e dinheiro. É, na verdade, uma mudança radical no jeito de ser cidadão”, destaca Susana Leal.

A publicidade a serviço do social

Osegredo do sucesso empresarial parece estar definitivamente na propaganda. E os meios de publicidade do país também descobriram que, além de vender o peixe dos clientes, poderiam puxar a sardinha para o prato da população carente.

Trocadilhos à parte, uma das maiores conquistas da sociedade civil organizada está no envolvimento de agências de publicidade e empresas de comunicação em causas sociais.

Para tratar do assunto e ampliar o debate em torno do que o setor em Pernambuco poderia fazer nesse processo de sustentação social, a AEC e a Associação dos Profissionais de Propaganda (APP) trouxeram ao Recife a primeira edição no estado do ciclo de palestras: A Comunicação do Terceiro Setor. O evento reuniu mais de 150 pessoas no auditório do Sebrae em abril do ano passado, cujo público-alvo priorizou jornalistas, professores, publicitários, profissionais de marketing e empresários.

A experiência de agências como a Rebouças & Associados, que participou de todo o processo da campanha de Betinhopor intermédio do Movimento de Ação da Cidadania e a Colucci Propaganda, que assinou o projeto “Gente que Faz” patrocinado pelo Banco Bamerindus, despertou o interesse dos participantes, os quais viram de perto que o cliente do terceiro setor tem que ser tratado como qualquer outro, sem discriminação e com direito a ações planejadas.

Este é o caso, por exemplo, da Associação Viva e Deixe Viver, fundada pelo publicitário Valdir Cimino, gerente de comunicação mercadológica / marketing da Rede Globo de Televisão. Com a missão de levar profissionais para dentro dos hospitais a fim de contar histórias aos pacientes, ele conseguiu, nos últimos dez anos, doar amor, educação e solidariedade. “São exemplos como este que precisam ser copiados e nossa proposta é promover agentes multiplicadores”, destaca a coordenadora do ciclo de palestras, Helena Rondon.

Em sua opinião, o grande desafio não foi realizar o ciclo depois do sucesso em duas outras vezes em que aconteceram em São Paulo. “Foi um evento de pessoas que queriam que ele de fato acontecesse”, disse, acrescentando que sem o apoio institucional de empresas voluntárias, nada poderia ter sido feito. “Só se faz grandes encontros sem dinheiro com a ajuda de pessoas que sabem o valor da solidariedade”, agradece Helena Rondon, referindo-se ao Sebrae, Extra Comunicação, Gráfica Santa Marta, Ampla Propaganda, Editora Referência, BCP Telecomunicações, entre outros.


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