Elementos culturais e tecnológicos
promovem massificação da tipografia
Foco de atenção dos profissionais brasileiros,
a tipografia utilizada para a composição de
impressos, material de TV e telas de computadores se constitui
uma tendência em ascensão no país. Uma
análise mais atenta aos fenômenos que levam
a gênese da impressão com caracteres móveis
identifica que ela parte da incidência de fatores
culturais e tecnológicos que se desenvolvem ao longo
dos séculos.
Mudanças seculares, desde os tempos de Gutenberg,
foram necessárias para que a cultura da palavra impressa
e a tecnologia tipográfica atingissem a massificação.
Até pouco tempo, os tipógrafos constituíam-se
nos profissionais que sabiam fazer - gravar e fundir tipos,
compô-los para a página e imprimi-los. O material
impresso limitava-se aos jornais, cartazes e livros.
Nos últimos 100 anos, o poder da imagem ampliou-se
e paralelamente a ele, o tipógrafo evoluiu para artista
comercial, depois para designer gráfico e, hoje,
desktop editor. A enxurrada de mensagens seja impressa ou
eletrônica, faz com que os criadores procurem cada
vez mais torná-las criativas e atraentes a olho nu.
Hoje, a proliferação da atividade é
responsável pela difusão dos tipos em todo
o mundo. Há uma verdadeira gama de profissionais
interessados em contribuir com o desenvolvimento do desenho
gráfico. Uma prova disso foi à realização
da mostra Tipografia Brasilis que teve a sua segunda edição
realizada no primeiro semestre de 2001, em São Paulo.
Com o tema Brasil de Corpo e Alma a exposição
contou com a presença de profissionais nacionais
e internacionais, os quais discutiram questões técnicas
e funcionais na produção das fontes.
No Brasil, a ausência de especializações
na área é talvez a grande responsável
pelo domínio dos caracteres móveis estrangeiros.
A falta de embasamento técnico torna o mercado incipiente
e restrito. Apesar de termos bons tipe designers que
na criação nada deixa a desejar aos profissionais
do exterior, deixamos a desejar no quesito técnico.
No geral, estamos defasados e isso dificulta a aceitação
dos produtos por parte do público, diz o design
pernambucano, Buggy.
Buggy, que é sócio colaborador da primeira
e única font house (empresa que produz, distribui
e comercializa tipografia digital) de Pernambuco, a Tipos
do aCASO, revela que apesar do reconhecimento do mercado
com relação à qualidade dos trabalhos
produzidos na empresa, a dificuldade em comercializar os
catálogos é expressiva. Atualmente,
nosso material é disponibilizado na web e a maior
parte das nossas vendas é realizada virtualmente
revela.
Com dois anos de mercado, recursos próprios e 14
profissionais envolvidos nas atividades, a Tipos do aCASO
resolveu dar uma nova dimensão aos trabalhos para
driblar a baixa demanda. Além das fontes, comercializa
produtos como camisas, imãs de geladeira, almofadas,
jogos americanos, entre outros, todos estampados com caracteres.
Essa foi a forma que encontramos para continuarmos
trabalhando. A beleza das formas atrai o público
de uma maneira geral, afirma o designer.
Para acompanhar o ritmo de trabalho, foram criados quatro
núcleos de produção na empresa. Um
para cuidar da parte de impressos (catálogos, editais),
outro para organizar a web (visual), outro para vender os
produtos e por fim, o que fica responsável pela animação
(tipografia em movimento). A produção de um
filme feito em animação tipográfica
está em fase de finalização. Trabalho
concluído é hora de correr atrás da
Lei de Incentivo para que o projeto seja viabilizado.
PROCURA - O empenho dos designers na expansão da
tipografia digital ainda é pequeno em relação
à quantidade de pessoas que se interessam em adquirir
os tipos de forma legal. A maioria prefere piratear, mesmo
sabendo que pode encontrar o produto a um preço razoavelmente
acessível. Na Tipos do aCASO, por exemplo, uma fonte
pode ser adquirida por um preço médio de R$
18 à 25,00. Valor bem inferior ao praticado nos Estados
Unidos, que é de U$ 60.
Em Recife, apenas duas instituições se habilitaram
a comprar os caracteres disponibilizados pela font house
pernambucana. A agência de propaganda Cria Comunicação
e a Prefeitura da Cidade do Recife. Temos um acordo
operacional com a agência para que sempre que eles
precisem utilizem nossos catálogos. Já a Prefeitura,
comprou todo o nosso acervo, fala Buggy.