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Marla Urias
A história da mulher e da profissional
Liani Sena está interligada à sua origem.
Uma não consegue se desprender da outra. E tudo
começou a partir do dia cinco de dezembro de
1965, em Ponte Nova, distrito de Lençóis
(a 400 km de Salvador). Aos dois anos, mudou-se para
a cidade de Santa Maria da Vitória (a cerca de
mil km da capital), no Alto do São Francisco,
onde nasceram seus três irmãos. Com 10
anos, ela segue com a família para Feira de Santana
para cursar o ginásio. Foi somente aos 14 anos
que seguiu definitivamente para Salvador, onde terminou
os estudos e realizou o sonho de toda adolescente do
interior: viver na capital em companhia de outras jovens.
Apesar de ter iniciado o curso de Jornalismo na Universidade
Federal da Bahia (UFBA), nunca exerceu a profissão.
Em 1988, antes mesmo de concluir o curso, abriu a própria
agência de propaganda, juntamente com dois sócios:
Sidônio Palmeira e Carlos Eduardo Andrade. O desafio
foi manter a Leiaute Propaganda (BA). Com pouco
tempo, começamos a conquistar grandes clientes
na área do varejo e fazíamos campanhas
eleitorais para alguns políticos. A agência
logo se firmou como uma empresa criativa e nosso crescimento
foi relativamente rápido, o que não quer
dizer que tenha sido fácil, relembra a
sócia-diretora de atendimento, Liani Sena, que
também responde pela direção da
Associação Brasileira das Agências
de Propaganda (Abap), capítulo Bahia.
Hoje a Leiaute é uma das principais agências
de propaganda da Bahia, atendendo importantes contas
que lhe conferem uma posição entre as
agências de maior faturamento no estado, com uma
respeitável carteira de clientes dentro e fora
do estado.
Liani começou sua vida profissional no balcão
do próprio negócio. Como toda agência
nascida nas circunstâncias em que a Leiaute nasceu,
cada sócio fazia de tudo um pouco. Da prospecção
e briefing , passando até pela produção.
No entanto, seu foco sempre foi o atendimento e planejamento
e, com a crescente profissionalização
das atividades, foi se especializando nessas áreas.
Hoje, dirige uma equipe com oito profissionais.
Na hora de falar sobre futuro e carreira, Liani é
categórica: Não consigo separar
minhas perspectivas de futuro das perspectivas da minha
agência. A minha carreira se confunde com a Leiaute
e acho que vai continuar sendo assim. Hoje, um
dos grandes desafios da carreira de um publicitário
são as exigências do mercado. Um
profissional completo tem que ter criatividade, desprendimento,
liderança, pensamento estratégico e ser
inovador, completa.
Na sua opinião, a outra coisa importante para
um publicitário é uma empresa ideal para
se trabalhar. Falar em empresa ideal significa
falar em uma empresa que preserve valores éticos
aliados à competência profissional. Que
saiba valorizar talentos, agir com responsabilidade,
que esteja ligada às tendências e às
novidades e que seja um ambiente propício para
o crescimento profissional de todos, argumenta
Liani, acrescentando que a sua agência tem um
grande diferencial: privilegia os profissionais realmente
envolvidos nas vitórias da empresa. A agência
desenvolve um Plano de Metas do qual todos os funcionários
participam dos lucros.
Na hora de escolher os seus estagiários, a Leiaute
usa uma forma no mínimo inusitada: o Prêmio
Leiaute de Criatividade a caminho da sua terceira edição
anual. Esse concurso premia estudantes universitários
de faculdades de Publicidade de Salvador. Os membros
da equipe vencedora são contratados como estagiários
da agência e têm seus trabalhos divulgados
na mídia local. Os alunos de outras equipes que
se destacam são apresentados com a referência
do prêmio a outras agências. Essa iniciativa
foi vencedora no ano passado, do Prêmio Colunistas
como melhor iniciativa.
Tudo isso, para que a agência possa enfrentar
as concorrências do mercado publicitário
no mesmo patamar que as empresas do Sudeste do país.
Para a publicitária, o que falta no mercado nordestino
é a verba que circula no Sudeste. E isso é
inerente à desigualdade econômica existente
entre as duas regiões.
O mercado nordestino é extremamente talentoso,
várias agências provaram isso inúmeras
vezes. Existem agências criativas e bem estruturadas
com capacidade para responder por contas não
só da região, como do Sudeste do Brasil,
contemporiza Liani. Com a globali-zação,
as facilidades de comunicação e a rapidez
das mudanças que o mundo experimenta, está
ficando cada vez mais fácil ver anunciantes de
outras regiões do país optando por ser
atendidos por empresas do Nordeste. A própria
Leiaute é um exemplo disso: temos clientes sedia-dos
no Sudeste, vizinhos porta com porta de
grandes agências, mas que preferem ser atendidos
aqui, finaliza Liani.
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