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   Ano IX | Junho de 2008 | n° 100 | Capa: FacForm

O COMPROMISSO COMO OPÇÃO
Anderson Lima
João Gomes, Rede Bahia: TV Digital, empreendedorismo e ACM
 

“Sou fã incondicional desta terra e deste povo.” As palavras vêm de João Gomes, gerente de Marketing da Rede Bahia que tem o estado como fonte sem fim de inspiração. “Sou fã da religiosidade e da tolerância que o sincretismo permite. Sou admirador da riqueza musical e da geografia que foi tão generosa com o estado. Valorizo essa diversidade”, completa ele, natural da cidade de Salvador, casado e pai de um casal de filhos. Tendo, entre outras formações, o curso de Administração de Empresas pela Faculdade Rui Barbosa e o de Empreendedorismo pela ESPM, João iniciou sua carreira na Telebahia, em 1989. Lá, ele participaria ativamente da implantação da telefonia celular no estado. Foi também onde galgou diversos postos até ser convidado para atuar na Rede Bahia. “Após quase dez anos no ramo de telecomunicações, esse foi um convite oportuno e irrecusável”, explica ele, cujas horas livres são ocupadas com idas ao cinema, teatro e restaurantes, na leitura e no convívio em família. Além da Rede Bahia, em que atua de forma intensa e participativa (“Mas sempre participando”), Gomes também ocupa a diretoria da Associação dos Dirigentes de Marketing e Vendas da Bahia (ADVB-BA), participando de reuniões e auxiliando em ações que possam contribuir para qualificar o mercado baiano. Na entrevista, João Gomes fala sobre TV Digital e Rede Bahia, entre outros assuntos.

REVISTA PRONEWS – Você é reconhecido como um dos profissionais responsáveis pela implantação da telefonia móvel na Bahia. O que você levou dessa experiência para seu trabalho na Rede Bahia?
JOÃO GOMES – A cultura de planejamento do Sistema Telebrás e a capacidade de lidar com vários perfis de público simultaneamente. A Telebahia foi uma grande escola para mim – lá eu descobri que a melhor forma de desenvolver um trabalho é conseguir a participação de todos.

RPN – Some-se a isso sua graduação em marketing e a pós-graduação em empreendedorismo. Sobre esta última, ainda podemos acreditar que seja possível empreender quando falamos em televisão?
JOÃO – Acredito que sim. Empreender significa, sobretudo, acreditar em uma idéia e, de forma consistente e atitudinal, fazer esta idéia acontecer. Há um conceito de buscar o Oceano Azul (ampliação de mercado em um mesmo segmento de atuação). Quem sabe não é este um grandioso caminho para o empreendedorismo no meio televisivo?

RPN – De que forma isso poderia ser feito?
JOÃO – É possível empreender em projetos esportivos ou mesmo em dramaturgia regional, por exemplo. Na TV Bahia, o conceito do marketing esportivo está sendo implantado através de ações que estão acontecendo de forma planejada e estruturada. Nos três últimos anos, a TV decidiu empreender nesta área. Para isso, estudamos o setor e o mercado e identificamos que o conteúdo esportivo alcança vários objetivos organizacionais: forte ferramenta de inclusão social; passa mensagens de integração, de saúde, de superação e de competição saudável; revela talentos; cria um círculo virtuoso com a comunidade; e atrai o interesse do público e do mercado. Desde que decidimos empreender nesse segmento, passamos a ter um programa estadual voltado para o esporte amador; desenvolvemos um programa de apoio a eventos esportivos no estado; e criamos e apoiamos eventos, fóruns e seminários esportivos. Passamos a ter projetos esportivos próprios como o Esporte Transforma. Hoje, vários promotores de eventos esportivos buscam na compra da mídia TV a janela de promoção e divulgação do segmento. Também é possível empreender em rádio; o nosso jornal pode ter uma proposta completamente inovadora e o portal também. Creio que empreendemos bastante na área de eventos e um termômetro disto é o Festival de Verão Salvador. Neste segmento, há ainda muitas outras possibilidades, seja na atividade promocional, seja na área de eventos.

RPN – A propósito, lá se vão 20 anos de fundação da TV Bahia. O que de mais representativo para a história da Bahia, e da própria emissora, já passou pelas lentes da TV nessas duas décadas?
JOÃO – Muitos fatos marcaram esta trajetória: imagens e entrevistas de personalidades como Jorge Amado, Mãe Menininha do Gantois e Irmã Dulce; o registro das visitas do Papa à Bahia; as imagens da urbanização de Alagados; as perdas de nomes que marcaram a história da Bahia nestas duas décadas – são lembranças fortes. Assim como também: as imagens da reforma do Pelourinho; da revelação para o Brasil de nomes da música baiana como Luiz Caldas, Daniela Mercury, Ivete Sangalo e Chiclete com Banana, entre outros; os encontros musicais extraordinários; imagens do sincretismo religioso; a conquista do título brasileiro pelo Bahia; a inauguração do complexo automotivo... São muitas imagens. Posso acabar cometendo o pecado da omissão.

RPN – É natural que muita coisa tenha mudado, evoluído. No entanto, há elementos que permanecem os mesmos, quase que como uma característica. Dentro do grupo, quais seriam eles e por que permaneceram imutáveis?
JOÃO – O compromisso com a promoção da Bahia é imutável. Promover o mercado, a economia, a educação, a cidadania e a cultura da Bahia são missões que estão no DNA do grupo. A Bahia é a fonte de nosso conteúdo, de nossas relações, de nossa atuação. Respeitamos muito tudo isto e entendemos que precisamos preservar e valorizar o Estado por tudo o que ele oferece. Permanece imutável porque nosso compromisso com a Bahia não é uma condição. É uma opção.

RPN – Muito se discute sobre a TV Digital e seus benefícios: a melhor imagem e som e a interatividade com quem assiste, entre outros. Ao mesmo tempo, muitas pessoas sequer sabem o porquê da mudança e como ela está sendo feita. As conversas ao redor do tema têm levado em consideração os desejos e reais necessidades da população?
JOÃO – O povo brasileiro tem um dos melhores conteúdos televisivos do mundo. Este conteúdo é gratuito para o telespectador e apresenta uma diversidade de opções. A chegada da TV Digital permitirá um salto de qualidade de imagem e som, mas vai muito além, pois permitirá a portabilidade e outras facilidades para o telespectador. O brasileiro gosta de ver televisão – é uma outra paixão nacional. O governo brasileiro fez uma escolha de padrão de operação para a TV Digital. Existem pelo menos três padrões. Todos têm pontos fortes e pontos fracos, mas particularmente acredito que o padrão brasileiro é o melhor. A chegada de uma nova tecnologia sempre no início é mais difícil de ser acessada em função da escala de produção. A população não será prejudicada em nada, muito pelo contrário, porque o atual sistema deverá conviver com o sistema digital até que a população possa migrar seu aparelho televisivo ou ter o set-top-box. Cabe destacar que as emissoras de televisão também estão mudando a forma de produção de conteúdo, porque não é somente fazer chegar um sinal digital ao telespectador. É também captar e exibir o conteúdo digital. É um novo aprendizado para oferecer o melhor ao telespectador.

RPN – Há mais de dez anos, o Bahia Recall valoriza as marcas que se destacam no estado. Qual a importância de uma iniciativa do tipo?
JOÃO – O Bahia Recall é um prêmio regional que valoriza o talento criativo do mercado local (das campanhas feitas e exibidas na Bahia). Nós temos versões do prêmio em cinco cidades do interior que concorrem entre si ao Grand Prix Regional. Na capital, temos um grandioso evento que escolhe os Grand Prix nas plataformas TV, Rádio, Jornal, Internet e na categoria campanha para estudantes (que é o Bahia Recall Revelação). É uma premiação muito respeitada e esperada pelo mercado. Vencer o Bahia Recall representa reconhecimento ao talento. Apesar de ser um prêmio voltado para a criação, todos das agências, anunciantes e demais agentes do mercado, como produtora de áudio e vídeo, participam. O evento, que cresce a cada ano, tem a participação de 1.500 pessoas em Salvador e mais cerca de 500 pessoas no interior do Estado através dos eventos de premiação regional.

RPN – A Uniredebahia é a primeira universidade empresarial do Norte/Nordeste. Poderia falar um pouco sobre o empreendimento?
JOÃO – A Uniredebahia começou com o objetivo de ser uma Universidade Corporativa do grupo. Entretanto, mudamos o perfil e o conceito do programa, porque o mercado de educação se transformou muito rapidamente na Bahia, ocupando a lacuna que existia e oferecendo soluções adequadas pelas instituições que têm a educação como core business. O selo Uniredebahia representa hoje o conjunto de ações voltadas para a qualificação e capacitação das nossas equipes de trabalho e do mercado, pois oferecemos oportunidades também aos nossos parceiros para que os mesmos possam acompanhar o desenvolvimento do conhecimento. O mais importante para a empresa é ter um programa estruturado e permanente de qualificação para os seus profissionais. De qualquer forma, nosso compromisso em difundir o conhecimento com o mercado permanece e todo ano temos, nas seis áreas geográficas do Estado onde atuamos, programas que permitem a qualificação do mercado.

RPN – O que a sigla ACM representa para o grupo?
JOÃO – A sigla representa o nome de um homem que marcou época, que escreveu seu nome na história da Bahia e do Brasil e por isto se tornou uma sigla, uma marca, extremamente forte e conhecida. Representa os acionistas do grupo; representa um ilustre baiano que se tornou uma personalidade pública do Brasil; representa o homem público empreendedor que defendeu, com estilo próprio, o nome da Bahia em todas as frentes.

RPN – Que características do famoso político baiano a Rede Bahia carrega consigo?
JOÃO – Sobretudo, o amor e o respeito pela Bahia.



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