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   Ano IX | Agosto de 2008 | n° 102 | Capa: Link (BA)

PROFISSÃO: SUPERAÇÃO
Anderson Lima
Djair Aleixo, diretor da Aleixo Comunicação: perseverança, talento e sucesso
 

"Já realizei praticamente todos os meus sonhos. O que falta agora é lutar para realizar os sonhos de todos que eu gosto", afirma Djair Aleixo, diretor da agência pernambucana Aleixo Comunicação. Um profissional sempre em busca de superação e apto tanto a crescer com seus clientes como a atravessar fronteiras com eles. Que o diga sua trajetória profissional, iniciada ainda aos 16 anos na Rádio Cidade de Recife. Não, ele não era radialista, mas faxineiro, como você verá na entrevista a seguir. Antes disso, estudou em escola pública e, pela conhecida precariedade do ensino, reforçava os estudos em casa. "Foi assim que consegui entrar na Escola Técnica Federal de Pernambuco, no curso de Refrigeração e Ar-condicionado. Conclui o curso, mas nunca exerci a profissão", lembra. Diversas conquistas depois, Djair comanda a agência que leva seu nome e cujo objetivo principal nunca foi conquistar prêmios, mas fazer o cliente vender e, conseqüentemente, crescer. "E é isso o que vem acontecendo com nossos parceiros. Não por causa de uma campanha, de um anúncio de jornal ou outdoor, mas por toda uma estratégia de comunicação, que vai ganhando corpo e obtendo resultados ao longo do tempo. É uma construção, na verdade. Uma construção de muitas mãos", afirma.

Entre os diversos cases da agência, está o da Eletro Shopping, que possuía apenas seis lojas quando começou a ser atendida em 2002 e que acaba de inaugurar o centésimo ponto-de-venda. Um dos ingredientes dessa receita de sucesso atende pelo nome de Josley Cardinot, jornalista policial famoso pela irreverência. "Precisávamos fazer alguma coisa para chamar a atenção do consumidor. Fizemos uma pesquisa e o nome de Cardinot foi citado de forma bastante positiva. O apresentador tem um grande poder de persuasão, forte carisma, uma linguagem popular que consegue chegar aos mais diversos públicos e uma característica que foi muito importante para nossa decisão: a credibilidade, que dá respaldo a tudo que é anunciado", explica Djair. "O único problema nisso tudo são as reclamações de Cardinot, que agora não pode mais viajar para cidades vizinhas, onde costumava aproveitar os momentos de folga sem ser reconhecido", revela. Namorando sério, quase casado, Djair tem três filhos. Na cabeceira da cama, diversos títulos de Zíbia Gasparetto, e nas horas de lazer, ele dança, pratica esportes, viaja com os filhos e namora, além de cuidar de sua banda de forró, a Santropê. No que diz respeito à agência, o profissional procura fazer dela uma extensão dos clientes, trabalhando próximo aos parceiros e se envolvendo com o que acontece neles. "Participo de todas as campanhas, desde o embrião. Não abro mão disso, pois acho que é um compromisso que tenho com meus clientes de estar envolvido no desenvolvimento de toda estratégia e na criação das peças publicitárias (que é a minha parte preferida nessa história toda)", revela Djair Aleixo.

REVISTA PRONEWS – Como foi possível para você, que trabalhava como faxineiro, um profissional invisível para muitas pessoas, superar essa fase, passar a corretor de anúncios e crescer profissionalmente a ponto de atender a conta da Tutti Barretti, uma marca que fez história na cidade?
DJAIR ALEIXO – Muita gente acha que tive sorte, sem nem imaginar o que foi preciso passar para chegar aonde cheguei. Apesar de trabalhar como faxineiro nessa época, nunca parei de estudar. E no pouco tempo em que passei trabalhando na empresa, busquei aprender o máximo e fui passando por outras funções (pesquisador, auxiliar de escritório e programador comercial). Cada uma delas me ensinou muito, a ponto de me dar coragem, aos 19 anos, de pedir demissão e me aventurar como corretor de publicidade. E esse processo de aprendizado não termina nunca. Cada novo cliente é um desafio. Foi assim com a Tutti Barretti e é assim com a Eletro Shopping, Exclusive Line, Engefrio, Concessionárias Honda, Hiper Calçados, Grupo SEG, Fábrica de Óculos, Setta Combustíveis, Colégio 2001, Colégio Agnes, Eletrotérmica, Nuce, Transworld, Camil, Canaã... Todos os meus clientes me ensinam muito e tenho certeza de que eles também aprendem alguma coisa comigo.

RPN – Em algum momento passou por sua cabeça desistir de tudo e tentar outra coisa ou mesmo que um dia estaria no ponto em que se encontra hoje?
DJAIR - Não. Sempre fui uma pessoa determinada. É sim, sempre fui ambicioso. Hoje estou até mais tranqüilo... Mas desde muito cedo sabia que, para conseguir todas as coisas boas com as quais eu sonhava, teria que trabalhar muito, porque nada cai do céu. Foi isso que eu fiz e é isso que eu faço. Sem nunca desacreditar nessa capacidade que a gente tem de chegar cada vez mais longe com esforço e dedicação.

RPN – Que lição de vida você tira desse período?
DJAIR - Apesar daquele trabalho não ser o que eu sonhava, sempre procurei executá-lo da melhor forma possível, pois, acredito que seja qual for a função que lhe foi delegada, é preciso corresponder ou mesmo superar as expectativas de quem lhe confiou. E, acima de tudo, com honestidade.

RPN – Hoje você possui uma agência respeitada, contas importantes e diversos cases de sucesso. Vendo o caminho percorrido até chegar a esse ponto, como você lida com os novos talentos que buscam uma oportunidade?
Este é um ponto bastante particular meu. Normalmente, costumo formar meus colaboradores aqui na agência, já que temos um jeito peculiar de trabalhar. Para mim, o mais importante é ter talento e vontade, independente da formação profissional. Inclusive, prefiro parar por aqui antes que acabe revelando tudo para a concorrência (Risos).

RPN – Ainda nesse assunto, que barreiras o jovem profissional precisa enfrentar para alcançar o sucesso na profissão de publicitário?
Perseverança, perseverança, perseverança.

RPN – A respeito dos jovens de hoje. Você consegue perceber neles a mesma garra por um objetivo que você já demonstrou?
A diferença aí não está no tempo e sim na pessoa. Percebo que interesse existe na maioria dos jovens. Talvez o que falte seja um pouco de garra, que tem mais a ver com fatores como necessidade e personalidade. Hoje, a profissão de publicitário se tornou bonita e até glamourosa, e é por isso que o curso de Publicidade e Propaganda é um dos mais concorridos em quase todas as faculdades. A maioria do pessoal que chega até mim não tem a necessidade de trabalhar, tem o desejo de trabalhar. E é nesse ponto que se encontra a diferença. Além disso, quase todo mundo que me procura quer atuar na área de criação e o perfil desse profissional é mesmo diferenciado. Os objetivos talvez sejam outros, assim como a forma de se sentir realizado.

RPN – O que mudou na forma de se fazer publicidade desde que você iniciou no setor até os dias de hoje?
DJAIR - Quando comecei a trabalhar, não me considerava um publicitário. Era um expert em venda de propaganda, um corretor. Conseguia convencer os meus clientes, que eram os pequenos comerciantes, a anunciar apelando mais para a vaidade deles do que para o retorno da propaganda. Mas, desde essa época, sempre procurei melhorar. Para isso, passei a viver propaganda, fazer cursos, participar de palestras e workshops, ler jornais, revistas, observar as propagandas de rádio e televisão... E acho que foi isso o que me diferenciou dos outros corretores. Quis mais. Não podia me limitar àquilo. Hoje, não conseguiria nada. É claro que ainda existem corretores, principalmente no interior. Mas veicular propaganda se tornou mais caro. Os clientes não investem em nenhuma mídia sem a certeza de que vão ter o resultado esperado, o trabalho se tornou infinitamente mais profissional e os anunciantes mais informados e exigentes. O que melhorou foi ter a tecnologia a nosso favor. A internet faz maravilhas. Posso estar em contato com gente em todo o Brasil, em todo planeta, e buscar as melhores opções de fornecedores com mais rapidez e eficiência. Isso sem falar nas pesquisas e na quantidade imensa de informações a que temos acesso. Santo Google! Todo mundo sai ganhando com isso. O mais difícil é convencer os clientes da necessidade em investir nas novas mídias, que surgem a cada dia e que são fundamentais para falar com o consumidor de forma eficiente.

RPN – Você já chegou aonde queria ou ainda tem objetivos a alcançar?
DJAIR - Profissionalmente, acredito que qualquer empresa só pode estar em uma dessas posições: ascendendo ou decaindo. Logicamente, eu prefiro e trabalho para estar na primeira opção e para que os meus clientes também estejam. Nesse sentido, também tenho o objetivo de estar sempre apto a atender às necessidades e expectativas de meus parceiros nessa caminhada. Eles crescem e eu cresço com eles.



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