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“O trabalho para mim é um tremendo hobby. Eu me divirto trabalhando, eu trabalho me divertindo.” Este é o baiano natural do município de Irará Edson Barbosa, sócio da agência Link Comunicação. Formado em jornalismo, ele iniciou-se profissionalmente nos anos 1970, tendo atuado em jornais da Bahia e também no Jornal do Brasil. “Fiz assessoria política e assessoria de comunicação e, em 1979, passei a trabalhar com comunicação publicitária”, recorda. Daí, veio a Engenhonovo, Randam e Publivendas. Mas ele também atuou na presidência da Bahiatursa. Em 1997, ele se tornaria sócio da Link Comunicação, criada a partir da sociedade de profissionais de publicidade da Bahia. No mesmo ano, a agência iniciou seu processo de expansão para outras praças. “Trabalhamos para o governo de Angola e montamos uma estrutura no país. Fomos a Brasília atender ao Ministério dos Transportes e Ministério da Agricultura. Depois atendemos aos Correios e Ministério da Pesca. Em Recife, era 1998 quando vim pela primeira vez trabalhar na campanha de Miguel Arraes para governador. Daí em diante, não mais me desliguei dessa terra. Até que, em 2005, começamos o projeto de comunicação da campanha de Eduardo Campos para governador de Pernambuco e nos instalamos como agência de comunicação do mercado pernambucano”, afirma o profissional. Fora do ambiente de trabalho, ele se revela uma pessoa família, mas que aprecia bem a cultura de modo geral, seja cinema, teatro ou dança, sejam as artes plásticas ou os esportes. Na entrevista a seguir, ele fala sobre cultura, marketing político e campanhas de sucesso.
REVISTA PRONEWS –A Link trabalha o slogan “Atendimento singular. Pensamento plural”. Como é colocar essa idéia em prática diariamente?
EDSON BARBOSA – O atendimento é singular porque cada cliente, cada projeto, guarda uma singularidade, tem uma característica singular. Então nós procuramos fazer com que nosso atendimento busque a essência do cliente. A essência da necessidade dele, de uma maneira a fazê-lo compreender qual é a necessidade que ele tem e integrar a nossa percepção e a nossa disponibilidade às características das condições específicas desse cliente. O que significa um pensamento plural? Hoje, para você desenvolver um projeto de comunicação, para você atender a um cliente dentro das suas particularidades, você tem que disponibilizar para ele todas as possibilidades da comunicação que existem. Por isso nós falamos que a Link não é uma agência de propaganda. Propaganda é um elemento da comunicação. Nós somos uma agência de comunicação, que tem como objetivo resolver problemas de comunicação de forma extremamente abrangente, buscando soluções, contribuições e o conhecimento onde ele estiver. Nós não nos posicionamos como uma estrutura que sabe das coisas. Muitas vezes, nem sabemos como resolver determinadas circunstâncias, mas temos um compromisso em buscar a contribuição onde ela estiver.
RPN –A agência tem um considerável trabalho na área de marketing político, incluindo a campanha de Miguel Arraes no pleito de 1998 e a de Eduardo Campos em 2006, ambas em Pernambuco. Para você, qual a diferença entre trabalhar a imagem de um produto e a de uma pessoa, principalmente, quando se trata de um político?
EDSON – São coisas completamente diversas, porque a imagem de um político implica em um compromisso social, moral e ético muito mais profundo. Trabalhar a imagem política implica no conhecimento de uma realidade muito mais complexa, social e culturalmente, além do caráter do político envolvido. O produto é algo mais mecânico, mais materializado. Você sabe que o produto tem objetivos de mercado. O político, não. O político tem um objetivo social, de desenvolvimento humano. Políticos não são como produtos. Quem trata o político ou a política como produto, comete um grande equívoco.
RPN –A Link cuidou da pré-campanha de reeleição do presidente Lula. Como foi desenvolver esse trabalho?
EDSON – O projeto com o PT está entre os mais importantes que desenvolvemos em marketing político. Nós administramos todo o projeto de comunicação do PT, da pré-campanha do presidente Lula 2005-2006. Trabalhamos no segundo semestre de 2005 e no primeiro de 2006, quando o partido e o próprio presidente viviam a maior crise político-partidária do País. Cuidamos de todas as inserções comerciais, de todo o conteúdo. Coordenamos o programa de pesquisas, fizemos programas em rede nacional para rádio e televisão. Concluímos o trabalho de pré-campanha em junho de 2006, entregando as pesquisas com o presidente Lula com 47% de intenção de voto e o PT, com 30%. Foi um trabalho revolucionário, um trabalho que, do ponto de vista da comunicação, venceu uma expectativa negativa muito grande. Era quase um senso comum que, diante da crise que se abatia sobre o PT e o governo, a vaca podia ir para o brejo, e nós contribuímos fortemente para que essa expectativa fosse revertida.
RPN – Ainda nesse assunto, a campanha de maior sucesso criada pela agência não foi para o governo brasileiro, mas para o angolano, que inclusive passava por intensos conflitos civis. Como foi executar esse trabalho, que durou de 1997 a 2003?
EDSON – Atendimento singular! Mas eu não diria que esse foi o trabalho de maior sucesso. Eu considero que o trabalho de maior sucesso da Link foi a campanha de Eduardo Campos para o governo de Pernambuco. Uma campanha que, por tudo que a gente conhece dela, revolucionou. Não apenas ao criar a expectativa política de que era possível virar o jogo, como pelo modo como ela foi desenvolvida. Uma campanha que falava de política, mas era uma campanha de cultura e de alegria. Você pode ter na sociedade diversos níveis de crítica ao governo, ao governador. Mas há uma unanimidade de que o governo tem uma coerência moral, ética e técnica com uma intenção qualificada de melhorar as condições de vida de Pernambuco. Acho que essa é a campanha mais importante da gente. Agora, Angola é uma coisa muito singular. Nós fomos para Angola em um momento de guerra civil, de conflito armado, de dificuldades étnicas muito grandes, de desorganização econômica. Foi uma campanha na qual tivemos que mobilizar todos os elementos da comunicação para fazer com que a sociedade angolana entendesse o que se passava, antes mesmo de definir uma linha de trabalho, uma ação e, principalmente, de medir o resultado que essa ação propunha. Graças a Deus, nos anos todos em que trabalhamos em Angola, a guerra acabou, o governo melhorou a sua estrutura, o país se conheceu melhor. Nós levamos a comunicação para dentro da infantaria na guerra. Para que a sociedade entendesse o que se passava lá, nós auxiliamos a produzir uma estimulação, uma motivação para que toda a sociedade participasse do processo angolano. Isso fez uma diferença muito grande na organização posterior nas relações entre governo e sociedade.
RPN – Mesmo encontrando pontos em comum entre Brasil e Angola, estamos falando de povos, culturas e valores bem diferentes. Como é possível romper esse oceano de diferenças e falar uma linguagem que não soe estrangeira?
EDSON – No caso de Angola, temos uma facilidade muito grande porque falamos a mesma língua e temos, apesar de uma configuração antropológica bem diversa, semelhanças culturais, sociais e econômicas muito grandes. São dois países que foram colônia de Portugal, que, apesar da diferença no seu processo de independência, guardam uma identidade cultural muito forte em muitos aspectos. A música, a dança, a alegria e a cultura angolana e a brasileira têm muitos elementos em comum. Os angolanos adoram o Brasil, adoram os brasileiros. Por isso, inclusive, independentemente de nós, na seqüência do nosso trabalho, ou mesmo antes, mas na seqüência se intensificou muito, você tem uma prestação de serviço, empreendimentos brasileiros em Angola de diversos níveis muito forte. Não só na economia, mas na cultura, na educação, na saúde, você tem muito brasileiro em Angola e há uma identidade muito forte.
RPN – Recentemente, vocês ganharam a concorrência para cuidar da comunicação do Ministério da Educação (MEC). Como vocês pretendem trabalhar essa conta?
EDSON – Nós ganhamos a concorrência com um senso de responsabilidade muito grande. Agora, estamos nos estruturando, desenvolvendo com o cliente um trabalho de planejamento, de pesquisa, de entendimento de como deve ser tocada, naquilo que couber a nós – Link –, a comunicação do MEC. Educação, eu considero o maior projeto de desenvolvimento do Brasil. Eu entendo que nossa missão é fazer com que o assunto educação esteja desde as mais altas rodas eruditas até as mesas de boteco. Educação precisa ser um sentimento constante da sociedade brasileira. Fazer com que a sociedade se envolva, as pessoas, as empresas se envolvam para que nós possamos desenvolver a qualidade humana do Brasil. Não é educar por educar, para fazer o padrão de educação avançar, mas educar para fazer desse país um país de pessoas diferenciadas no sentido do amor, da qualidade, do conhecimento aplicado ao benefício de todos.
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