Ítalo, onde quer que esteja, saiba que muito de você foi incrustado como gemas, em tantos que admiraram sua delicadeza discreta e benévola.
Alessandro Baricco, Francesca da Rimini & Paolo Malatesta, de Dante, o vinho Barollo, o grande Fellini e sua personagem Saraghina, do filme Otto Mezzo, tudo tinha um sabor particular nas suas palavras. E o dry martini, que você pacientemente nos ensinou a preparar na agência Ampla, como numa liturgia antiga. Falo também do comedimento, da temperança e do bom gosto nos comerciais que você nos incentivou a engendrar, que passavam a ter uma coloração de arte.
Ainda tenho a acrescentar a sua sabedoria em relação às vaidades excessivas dos criativos, que lutavam com garras e dentes lustrados para abocanharem tantos prêmios quanto possíveis, pouco preocupados com os resultados práticos, e os usavam, menos como currículo que como fetiches, ou cabeças de animais na sala. Você nos ensinou que a propaganda pode e deve conter arte, mas que um outdoor jamais será a Capela Sistina. Você ria das discórdias microscópicas semeadas pelo enorme interesse de conquistas de cargos. Você sorria.
Sorria de mim também. Você sabia das minhas provocações nas nossas falsas desavenças. Quando falávamos sobre personagens dos filmes de míseros trinta segundos (o que os tornava mais tipos que personagens), você usava os arquétipos da mitologia romana para compará-los. Eu fingia que não entendia e dizia o nome grego correspondente, só pra me exibir e me divertir com a sua reação. Saiba, Ítalo, que todas as provocações que eu fazia, ousando lhe desafiar, eram pura estratégia para me aproveitar de seus argumentos absolutamente luminosos. E na verdade, eu também ria de você. Como brinco com minha família.
Agradeço por tudo. Mas pessoalmente, a honra de me escolher para apresentar, editar e criticar suas crônicas, colhidas dos jornais da cidade. Ah, e pela amizade também. Isto, falo em meu nome, de tantos publicitários que passaram por você e, principalmente, dos meus também mestres, Adriana e João Falcão que, saudosos, de longe, pelas circunstâncias das oportunidades, dizemos adeus. Daí, você é um de nossos gigantes. Vai com Deus, Italo. Buon viaggio, carissimo maestro.
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