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   AnoX | Outubro de 2008 | n° 104 | Capa: GCA Comunicação (PB)

     

SIMPLESMENTE ÍTALO BIANCHI

 

Rose Maria

 

"Eu sou eu e minhas circunstâncias". Esta frase tem dono: José Ortega y Gasset, filósofo espanhol (1883-1955), mas usualmente era dita como uma auto-apresentação pelo publicitário e intelectual Ítalo Bianchi, o italiano mais pernambucano que já apareceu por essas terras tupiniquins. Aos 84 anos, ele morreu exatamente às 16h30 do dia 5 de outubro, em sua casa, no bairro dos Aflitos (Zona Norte do Recife), vítima de um câncer no pulmão. Deixa para trás uma vida dedicada, exclusivamente, ao bom gosto. Em tudo que escolheu fazer. Desde o processo de criação de uma marca até no lazer mais simples do dia a dia, como ler Ortega no original para refletir a condição humana. Na intimidade, talvez, fizesse a angustiante constatação do filósofo, quando dizia que "Debaixo de toda vida contemporânea se encontra latente uma injustiça".

A vida de Ítalo Bianchi confunde-se com a época de ouro da publicidade no Brasil. Aqui, ele chegou em 1949, vindo da cidade de Milão, na Itália. Aos 25 anos, foi morar em São Paulo. Alias, cheio de idéias que o ajudariam a vencer em terra estrangeira, quando começou a trabalhar para o TBC (Teatro Brasileiro de Comédia) e para a Vera Cruz (Companhia Cinematográfica e pioneira do cinema brasileiro). O jovem foi cenógrafo e diretor de arte, empolgado com tudo aprendera na convivência com os pais: um escultor e uma cantora lírica, além do avô que era filólogo. Durante sua estada na capital paulista, iniciou-se na carreira de publicitário, como free-lancer na área de criação de várias agências e foi ainda editor de arte do jornal O Estado de S. Paulo.

O irrequieto italiano queria mais. A desculpa foi procurar no mapa um lugar mais tropical. Encontrou Pernambuco. Escolheu Olinda, cuja vista para o mar do Alto da Sé deu-lhe icentivo para projetos que iriam marcar sua carreira como publicitário. Montou o próprio estúdio de criação, inspirado pelo escritor italiano, Umberto Eco, a quem conheceu em 1965. Fez trabalhos pioneiros para Abaeté, MPM, Standart, entre outras agências. Em 1972, escolheu o amigo Alfrízio Melo como sócio da célebre agência Italo Bianchi Publicitários Associados. A empresa ganhou sucesso e notoriedade nacional na década de 80, com cases para marcas de renomes na região, a exemplo do Bompreço e o Banco do Nordeste. Em1995, desligou-se da Ítalo e vendeu sua participação acionária.

Naquele momento, especulava-se a aposentadoria de Ítalo Bianchi. E mais uma vez ele surpreende. A experiência do veterano publicitário ficou a serviço das novas gerações. Tornou-se, então, consultor de criação da Ampla Comunicação. Lançou o livro "Nasceu uma Rosa no Meu Jardim", crônicas selecionadas pelo cineasta Nelson Caldas Filho. Até no cinema Ítalo aventurou-se com a mesma tranqüilidade com que escrevia para o Jornal do Commercio. Ele participou do curta-metragem "A Vida é Curta", do diretor Leo Falcão. Também se dedicava as artes plásticas, com uma habilidade genética que lhe dava prazer. "Costumo dizer que eu desenho com a mão direta e escrevo com a mão esquerda", disse à Pronews, na edição de Nº 66. O publicitário foi coordenador dos cursos de comunicação social da Faculdade Maurício de Nassau, desenvolvendo projetos nas áreas de Jornalismo e Publicidade.

O sepultamento de Ítalo Bianchi foi marcado pela emoção, mas com a discrição de um homem que escolheu acreditar no poder das circunstâncias, capazes de criar oportunidades e transformar o homem. Na condição de ateu, ele escolheu uma despedida que fosse fiel ao seu estilo de ser. Pedido feito e cumprido à risca pela sua companheira nos últimos 40 anos, Sônia Bianchi, com quem teve uma filha. O publicitário deixou ainda mais quatro filhos, entre eles Giuliano e Guido Bianchi. A repercussão de sua morte chegou ao Brasil, onde é reconhecido como um dos pioneiros de projetos gráficos e das idéias inovadoras do mercado publicitário. "Quero ver mais e mais gente entretida com um livro nas mãos para iluminar os seus pensamentos", escreveu num artigo publicado na revista About em setembro de 2002. Uma apologia ao que ele fazia nas horas de ócio criativo: ler e escrever.

O avanço da propaganda em Pernambuco e no Nordeste deve muito a Ítalo Bianchi. Fundador, junto com Alfrísio Melo, da agência que leva o seu nome, ele deu um toque de arte e poesia à criação publicitária, inovando conceitos e valorizando a comunicação. Mestre no design e na escrita, colocava sempre a sua sensibilidade na busca de um bom resultado para as campanhas que assinava. Cronista, editor, cenógrafo, artista plástico e publicitário, Ítalo era um homem plural. Ultimamente, vinha trabalhando como consultor de criação e de cursos de comunicação, transferindo conhecimento e compartilhando com as novas gerações a sua luminosa inteligência. O mercado publicitário vai sentir a sua falta. Porém, ele nos deixa o legado imperecível de que a criatividade e as boas práticas publicitárias são possíveis e os valores éticos inegociáveis. Celso Coli, diretor Regional Rede Globo Nordeste.

É isso. Nosso Bianchi deixou um legado na publicidade brasileira, principalmente nordestina. Tinha um brilho criativo extraordinário, tanto nas artes cênicas e gráficas como na literatura, era um erudito, homem sofisticado e tímido. Foi um grande parceiro e amigo desde quando o conheci em fins de 69 na Proene, e quando fundamos a Italo Bianchi em 1971. Alfrizio Melo, diretor da Italo Bianchi Comunicação.

Ao mestre com carinho. Ítalo, para a grande maioria foi um homem do mundo das agências. Eu tive o prazer de ter Ítalo como cliente. E conhecer ele do outro lado do balcão só fez aumentar a minha admiração. E isso pelo simples fato de que, quem é apaixonado por marcas, por conceitos, por comunicação, não defende agência ou cliente. Defende idéias. E Ítalo era assim, um bravo valente no mundo da arte da propaganda. Porque com certeza com ele a questão que sempre se coloca se a propaganda é arte ou ciência não existe. Toda propaganda feita por ele foi, é e será arte. Seja a arte de vender, de emocionar, de marcar. Como seus quadros e suas palavras tudo que ele fez na comunicação ficará eternizado na história dos cases de sucesso. E nós, na nossa modesta insignificância perto do seu conhecimento e generosidade para todo esse retransmitir, só temos que agradecer eternamente por tudo que ele nos deu. Obrigado, Mestre. Edson Martins, diretor da Mart Pet.

O Ítalo Bianchi foi trazido de São Paulo, para o Recife, na década de 60, pelo publicitário Fernando Pouchain, dono da Proene Propaganda. Com a vinda do Ítalo para o Recife, houve uma grande transformação na qualidade da propaganda criada e produzida em Pernambuco. Profissional sério, ético e competente, Ítalo logo, logo foi introduzindo no mercado um novo, criativo e moderno padrão de fazer propaganda em Pernambuco. Na década de 70, o Ítalo Bianchi, ajudou a fundar a Italo Bianchi Publicitários Associados, uma agência que rapidamente se tornou padrão em qualidade. O Ítalo Bianchi só fez o bem para o negócio da propaganda. A propaganda pernambucana vai sentir a falta do Ítalo Bianchi, mas, o seu legado ético e profissional vai sempre permanecer vivo na memória de todos os publicitários. Como publicitário e presidente do Sinapro, eu tenho a certeza de que o Ítalo Bianchi será um exemplo a ser seguido por muitos. Antonio Carlos Vieira, presidente do Sindicato das Agências de Propaganda de Pernambuco (Sinapro).

"Ítalo Bianchi deixou lições para a história da publicidade do nosso Estado. Abriu espaços para muitos e construiu marcas e uma marca em particular: a de um profissional sério e competente, o tempo todo com conceitos inovadores". Antonio Lavareda - Cientista Político e diretor-presidente da MCI Estratégia.

Sou uma daquelas pessoas privilegiadas, que teve a oportunidade de privar da amizade pessoal de Ítalo, e também, tive uma experiência enriquecedora ao trabalhar diretamente com ele. Posso falar com saudade e admiração do homem e do publicitário. Dizer com muita emoção que foi uma das personalidades mais encantadoras que eu conheci ao longo de minha vida. Ítalo Bianchi foi uma figura humana excepcional e um dos maiores artistas de minha geração. Aprendi muito com ele. Severino Queiroz, presidente da Ampla Comunicação.

É muito difícil me acostumar com a idéia de me referir a Ítalo Bianchi como alguém que não está mais entre nós. Ele é parte integrante e um grande artífice de quase tudo que, ainda hoje, fazemos no mercado publicitário. Revolucionou a criação, deixou lições, abriu espaços, construiu uma marca. É um exemplo de publicitário, de empresário e de artista. Sua contribuição no texto, na forma, na concepção e nos conceitos inovadores é algo que está presente no nosso meio e que jamais será esquecido. Ítalo Bianchi é e será sempre atual, adiante do seu tempo. É presente. Queiroz Filho, presidente do Capítulo PE da Abap.

Antes de ser publicitário, eu já conhecia senhor Ítalo como referência no marketing e na comunicação, pelo muito de bom que ele criou e inspirou. Convivi com o homem e profissional Ítalo Bianchi na Ampla. Companheiro de Diretoria, no dia-a-dia de trabalho, tivemos a oportunidade de compartilhar com muitos projetos. Cuidando do planejamento dos nossos clientes, desenvolvendo campanhas, construindo conceitos, trocando opiniões e idéias, aprendi com ele muitas lições. Pude perceber a sensibilidade, o refinamento estético, a poesia, a inteligência de um texto sempre pertinente em sintonia com formas harmoniosas que resultavam em soluções criativas e inovadoras. Aguinaldo Viriato, presidente do capítulo NE da Ampro - Associação de Marketing Promocional



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