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   Ano IX | Dezembro de 2008/Janeiro de 2009 | n° 106 | Capa: Azteca Comunicação

 
CRIATIVIDADE DE BERÇO
Alex Regis
 

Desde garoto eu queria atuar na área de Comunicação." E assim foi na vida de Rogério Nunes, sócio-diretor da Raf Comunicação e Marketing, de Natal (RN). A graduação, com especialização em Relações Públicas, foi realizada na Faculdade Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro. Durante o curso, Rogério trabalhava na área de moda – começando como vendedor e, posteriormente, passando a gerente. Ainda na graduação, já no último ano, largou tudo e iniciou como estagiário na LR Comunicação e Marketing. "Era uma agência pequena, mas atendia a boas contas". De lá, partiu para o setor de comunicação institucional, quando teve a oportunidade de atuar em eventos, RP e publicidade institucional. Estaríamos, então, falando de um carioca que se rendeu aos encantos da capital norte-rio-grandense? A resposta é não. Apesar de formação e primeiras experiências profissionais terem sido vividas na Cidade Maravilhosa, onde foi viver após o falecimento do pai, Rogério é mesmo de Natal – cidade que deixou aos nove anos, e para a qual voltou apenas aos 29 anos. "Em 1994, eu e minha esposa (Danielle) decidimos passar nossas férias em Natal, já com a intenção de voltar para minha cidade, fugindo da loucura que é morar no Rio de Janeiro. Aí encontrei um primo, o Agnelo Filho. Bastou uma conversa para decidirmos abrir a RAF. Voltamos para o Rio e pedimos demissão. Nossos amigos e familiares nos chamaram de loucos, mas resolvemos arriscar e deu certo", conta Rogério. Casado há 19 anos, ele é pai de três filhos – Vivianne (16 anos), Érika (10) e Bruno (6) –, sendo justamente a família sua fonte de inspiração para o dia-a-dia. É viciado em praia, adora viajar e conhecer novas culturas, hábitos e locais. Atualmente está lendo 1000 lugares para conhecer antes de morrer, de Patricia Schultz.

REVISTA PRONEWS – RAF deriva de rafe, esboço. Como você definiria o esboço do qual surgiu a agência?

ROGÉRIO NUNES – Além disso, RAF é a inicial do meu nome (R) com as do meu sócio, Agnelo Filho (AF). Daí você pode concluir que essa agência foi criativa desde o nascimento e deu certo até hoje. Mas no início foi muita luta. Começamos em uma casa emprestada, com apenas quatro funcionários e alguns poucos clientes que vieram da DoisA. Um desses quatro funcionários foi um estagiário de 18 anos chamado Hugo Aranha, que ficou conosco por seis anos e hoje é o principal diretor de arte da Africa, de Nizan Guanais, em São Paulo. Mais que criar boas campanhas, formar profissionais é meu grande orgulho quando olho para esses 14 anos de RAF.

RPN – Como a agência se encontra atualmente? Os objetivos iniciais já foram atingidos?

ROGÉRIO – Todas as segundas-feiras nós fazemos uma reunião de pauta para discutir os trabalhos da semana. É incrível como a cada semana aparecem novos leões para serem enfrentados. Portanto, os objetivos iniciais de uma agência são aqueles da segunda-feira. Acho que nunca podemos dizer que atingimos nossos objetivos iniciais. No entanto, hoje a RAF é uma agência totalmente consolidada no mercado de Natal. Temos uma excelente carteira de clientes que, na sua maioria, estão conosco há mais de dez anos. Nossa carteira é bem pulverizada, o que para mim é positivo, porque não dependemos apenas de um ou outro cliente grande demais. Além disso, temos o respeito do mercado, seja dos veículos e fornecedores, seja dos clientes ou das outras agências.

RPN – As contas públicas já representaram substancial participação no faturamento das agências publicitárias do mercado potiguar. Houve alguma mudança nesse cenário?

ROGÉRIO – As contas públicas continuam sendo bem atrativas, pois suas verbas são capazes de proporcionar campanhas com mais qualidade e liberdade criativa, além de dar oportunidade de realizar um trabalho institucional. Como o perfil do mercado do Rio Grande do Norte é essencialmente de varejo, isso faz com que o mercado privado seja composto de verbas bem reduzidas, principalmente quando se trata de produção. Só para você ter uma idéia, a menor verba da menor agência que atende ao governo do estado é equivalente a uma das maiores contas do mercado privado de Natal. Mas a RAF, em particular, vem focando seu trabalho nas contas privadas, que dependem apenas do quesito competência para mantermos. Hoje, atendemos apenas à Prefeitura de Natal, que representa menos de 10% do nosso faturamento.

RPN – Que parcela de participação o mercado imobiliário teria nessa parcela das verbas privadas das agências?

ROGÉRIO – O mercado imobiliário em Natal estava em constante ebulição, até estourar essa crise financeira mundial, que realmente está afetando bastante essa área. De oito anos para cá, os lançamentos imobiliários ocuparam boa parte da nossa pauta. Na RAF, fazemos cerca de 12 por ano, ou seja, uma média de um lançamento por mês. Em termos percentuais, os clientes do mercado imobiliário representam cerca de 10% do faturamento.

RPN – Os empresários têm medo de anunciar? O que fazer para conscientizá-los da importância da comunicação para os negócios?

ROGÉRIO – O empresariado natalense é bem ativo quando o assunto é publicidade. Aqui, até banca de jornal anuncia. E é incrível como o retorno é positivo, até pelo perfil dos nossos anunciantes que, na sua maioria, é do varejo. Mas, independente disso, eu sempre defendo nas reuniões do Sinapro que deveríamos ter mais eventos direcionados para os clientes, conscientizando-os sobre a importância de se anunciar, seja produto ou marca. Em Natal temos um empresário, Antonio Gentil, que tem uma frase que considero genial: "Quando preciso de dinheiro, não procuro o gerente do banco, procuro minha agência de publicidade".

RPN – Que conseqüências a crise financeira que tem balançado todo o mundo pode afetar o setor publicitário local?

ROGÉRIO – Já estamos sendo afetados, principalmente nos mercados imobiliários e de automóveis. Afinal, somos um bom termômetro das atividades econômicas. No entanto, em tempos de crise, quem ficar parado vai ser engolido pelo buraco. Temos que nos mexer, pois a única coisa que cai do céu é chuva. No final do ano sempre temos um bom movimento, o que garantirá o faturamento. Mas os meses de janeiro e fevereiro serão muito difíceis, pelo próprio desaquecimento normal do período aliado às conseqüências da crise, que passará nesse momento de financeira para econômica, com a redução da liquidez, dos financiamentos e, conseqüentemente, do consumo. E as agências publicitárias não ficarão imunes.

RPN – Além de co-liderar a RAF, você é o nome responsável pela Feira Nacional do Camarão. Como publicidade e carcinicultura se cruzaram?

ROGÉRIO – Trabalhei durante seis anos organizando eventos na White Martins e dei aula sobre esse tema na Faculdade Candido Mendes, no Rio. Em 2003, vislumbrei uma oportunidade de realizar um evento de carcinicultura, já que o Rio Grande do Norte é o maior produtor nacional de camarão. Já estamos caminhando para a sexta edição do evento, que hoje é o maior das Américas. Sou responsável pelo marketing da Fenacam, enquanto meus sócios da Prátika ficam com a organização da infra-estrutura e Itamar Rocha, com a parte técnica.

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