 |
| Marco Oliveira, Joelmir Beting e José Almeida (Rádio Cultura do Nordeste) |
O rádio brasileiro está ocupando um espaço cada vez maior no mercado publicitário. O faturamento do setor foi de R$ 1,6 bi no ano passado. O levantamento é da Fundação Getúlio Vargas (FGV), uma das instituições de pesquisa mais respeitadas do País. O Censo da Radiodifusão Brasileira foi encomendado pela Abert (Associação Brasileira de Rádio e Televisão). A base do estudo socioeconômico do setor refere-se a 917 emissoras, o que corresponde a um terço total de rádios cadastradas no país pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) e também pelo Ministério das Comunicações. A boa notícia foi dada no mês passado, durante o IV Congresso de Radiodifusão do Nordeste, que aconteceu no Recife (PE).
O presidente da Abert, Flávio Cavalcanti Júnior, fez a análise mais realista possível do censo ao constatar que a maior parte do faturamento (89,2%) é resultado da venda de espaço publicitário. “Esta é a melhor radiografia do rádio já realizada no País. Os dados são reveladores e fortalecem o segmento num momento marcado por profundas mudanças tecnológicas”, disse o dirigente da Abert a um público de mais de 400 pessoas que compareceram aos três dias do evento no Mar Hotel, em Boa Viagem.
 |
| Daniel Slaviero, presidente da Abert |
A preocupação com a tecnologia marcou o encontro, cujo objetivo prático foi permitir momentos de reflexão sobre as mudanças no cenário econômico nacional e o quanto isso pode interferir – diretamente – nas decisões executivas do setor. Por conta disso, foi convidado o jornalista Joelmir Beting para a palestra de abertura do congresso. Na condição de especialista econômico, ele falou de temas atuais, a exemplo da crise econômica mundial e surpreendeu a todos com sua análise otimista. Beting foi premonitório ao dizer que ao contrário do que vem sendo alardeado: que a crise se estenderá por todo o ano de 2009 e pode chegar até 2010, ela não deve durar mais de seis meses. “Em março não se fala mais de crise. Tudo o que podia acontecer de pior já aconteceu. A economia se restabelece no Brasil e no mundo a partir de março”, revelou, despertando confiança nos executivos da radiodifusão do Nordeste.
NOVA LINGUAGEM – O congresso ofereceu também aos participantes a oportunidade de minicursos, em que a idéia central foi permitir o estudo de novas linguagens na locução radiofônica e, principalmente, para a propaganda no setor. O publicitário e radialista Paulo Mai e o diretor de Criação da JWT, Roberto Fernandes, afirmam que a propaganda clássica (aquela do “Compre e Venda”) não atende mais às necessidades dos anunciantes. Ou seja, está ultrapassada.
Segundo o presidente da Asserpe (Associação das Empresas de Rádio e Televisão de Pernambuco), Marcos Oliveira, o congresso cumpriu com a sua meta: “Além de promover essa integração, serviu também para discutir a chegada da rádio digital, a convergência entre rádio e TV, discutindo assuntos relevantes e projetos de interesse do setor”. Durante o evento, aconteceu também a entrega das comendas Oscar Moreira Pinto e F. Pessoas de Queiroz a personalidades com relevantes trabalhos prestados às emissoras pernambucanas.
Receberam a comenda Oscar Moreira Pinto o radialista Paulo de Moraes Cintra, criador da primeira estação de rádio da cidade de Vicência (PE); Cleone Bejoíno de Araújo, uma das fundadoras da Asserpe; Douglas Marques, da Rádio Cultura dos Palmares (PE) e Luiz José de Lacerda, criador da primeira emissora de rádio – e também da primeira FM – de Caruaru (PE), a Liberdade. Já a comenda F. Pessoa de Queiroz foi para Vicente Jorge Espíndola Rodrigues, um dos fundadores da Asserpe; Luiz de França Leite, da Rádio 7 Colinas; Samir Abou Hana, com mais de 20 anos de rádio e TV na carreira; José Mário Austregésilo, ex-diretor de importantes emissoras de TV do estado; Cléo Nicéas, radialista e publicitário e João Carlos Paes Mendonça, empresário do Grupo JCPM.
|