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Quando você, leitor, estiver lendo estas linhas, muito provavelmente, nosso entrevistado estará dividindo suas noites de sono com três adoráveis bebês. Seu nome é Frederico Nogueira, vice-presidente do Grupo Bandeirantes de Televisão e recém-eleito presidente do Fórum do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (o Fórum SBTVD – www.forumsbtvd.com.br). Nogueira é bacharelado em Direito pela Universidade Federal do Pará, possui especialização pela Kellogg School of Management, da Northwestern University, nos Estados Unidos, e MBA pela portuguesa IPAM. Já são 25 anos de experiência profissional na indústria da comunicação, sendo a última década como diretor-geral de emissoras de rádio e televisão – incluindo a pernambucana TV Clube. Quanto ao fórum, Nogueira tem como meta dar continuidade aos trabalhos que vêm sendo desenvolvidos pela entidade. Para saber um pouco mais: sem fins lucrativos, o fórum foi criado com o objetivo de auxiliar e estimular o desenvolvimento e a implementação das melhores práticas para o sucesso dos sistemas relacionados à radiodifusão digital de imagens e sons no país. Entre suas atribuições estão ouvir as demandas dos usuários e do setor para identificar e harmonizar os requisitos do sistema; definir e gerenciar as especificações técnicas; propor soluções para questões relacionadas à propriedade intelectual envolvidas com a TV Digital; e divulgar o sistema brasileiro no país e no exterior. Entre as principais conquistas do fórum na gestão anterior estão a escolha do padrão da TV digital brasileira (ISDB - TB) e a definição das normas técnicas da TV Digital. Para ter uma idéia da importância do trabalho de Frederico realizado à frente do Fórum SBTVD, basta saber que a implantação da TV Digital é o terceiro grande marco da história da televisão brasileira – o primeiro foi sua inauguração em 1950 e o segundo, a TV em cores, em 1972. O principal destaque para os próximos meses será a definição do middleware (a interatividade) e as ações para o fortalecimento da implantação da TV Digital no país. Além do Grupo Bandeirantes e do Fórum SBTVD, Frederico Nogueira também atua como presidente da Associação Brasileira de Televisões em UHF por Assinatura (ABTVU) e como vice-presidente da Associação Brasileira dos Radiodifusores (ABRA). Natural do Rio de Janeiro, casado e pai de dois filhos – ou melhor, cinco! – Nogueira tem na navegação o passatempo preferido para as raras horas vagas. Na entrevista exclusiva a seguir, concedida por telefone nos últimos dias de dezembro de 2008, o profissional, que revela ter na família a inspiração e a força para enfrentar o dia-a-dia, faz um balanço desse primeiro ano da TV Digital no país, adianta algumas expectativas para o setor em 2009 e revela como será a atuação da publicidade no novo sistema.
REVISTA PRONEWS – Completamos em dezembro de 2008 um ano de implantação da TV Digital no Brasil, em São Paulo. Que avaliação pode ser feita desses primeiros 12 meses de transmissão por meio do novo sistema?
FREDERICO NOGUEIRA – Podemos fazer uma avaliação altamente positiva. Já temos 650 mil equipamentos vendidos (set-top boxes e televisores com conversor para o sistema digital incluso) e 11 cidades com equipamentos já implantados. Além disso, tem a programação da televisão brasileira crescendo dia-a-dia com cada vez mais programas em alta definição, em digital. Você tem um balanço de que, em um ano, muita coisa aconteceu.
RPN – Por enquanto, os críticos podem dizer que a digitalização não tem sido efetivamente para todos. Há regiões no país que ainda não adotaram o novo sistema e, mesmo nas que já possuem TV Digital, o valor dos aparelhos de conversão ou dos televisores com o conversor embutido ainda é elevado – apesar da queda em seus valores. Como resolver essa segunda questão?
NOGUEIRA – O preço do set-top box, que há um ano ficava em torno de R$ 1.700, já varia entre R$ 400 e R$ 500. Barateou bastante e vai baratear ainda mais. Não tenho dúvida nenhuma. É questão de tempo. É uma tendência natural das coisas. Vai acontecendo naturalmente.
RPN – Mesmo com todas essas conquistas, estamos indo na velocidade desejada quando das discussões para a implantação do sistema digital?
NOGUEIRA – Eu diria que estamos indo em uma velocidade, em um ritmo mais acelerado do que o visto em países com renda per capita maior do que a nossa, brasileira. Nós temos aqui o exemplo dos Estados Unidos, que ainda não conseguiram, mesmo depois de dez anos, fazer a migração para o sistema digital. Você não pode querer do Brasil que ele tenha um ritmo melhor do que esse de um ano para cá. Eu diria que, para a nossa situação, ele está ótimo. Estamos bastante acelerados.
RPN – Podemos esperar para 2009 a tão prometida interatividade associada ao sistema digital?
NOGUEIRA – Com certeza. Vamos definir o middleware, a interatividade, e oferecê-la à população até o final de 2009. Junto ao Fórum da TV Digital, estamos trabalhando para fechar efetivamente toda a especificação técnica para que tenhamos condição de colocar em fabricação produtos e equipamentos para ter isso acessível a toda a população.
RPN – O que mais 2009 promete em termos de TV Digital?
NOGUEIRA – A implantação do sistema digital em todas as capitais do país. Não tenho dúvida em afirmar isso: terminaremos a implantação em 2009. Com isso, teremos a programação evoluindo muito nesta questão. Evoluindo para mais programas em alta definição, em HD. Também teremos o barateamento dos equipamentos, o que vai acontecendo com a maturação da tecnologia. Os valores já baixaram nesse um ano para cá e irão baixar ainda mais nesse um ano para frente.
RPN – Sobre o Fórum SBTVD, do qual você é presidente, o que levou à criação da entidade e que trabalho ela tem desenvolvido em prol da TV Digital no país?
NOGUEIRA – O que levou à criação da entidade foi a necessidade de que a iniciativa privada tivesse condições de efetivamente participar na especificação da TV digital brasileira. E agora que já concluímos essa primeira etapa, de também atuar, divulgando e promovendo internacionalmente o fórum. As principais preocupações dessa nova diretoria são a consolidar efetivamente o serviço, além da definir entre as especificações técnicas, que é uma coisa importante também. (Para se ter uma idéia da força do Fórum SBTVD, seu quadro de associados é composto por membros de emissoras de TV, fabricantes de equipamentos de recepção e transmissão e indústrias de software, que representam juntos mais de 80% do setor. Governo federal e entidades de ensino e pesquisa também fazem parte do grupo).
RPN – De que forma a publicidade pode se valer da TV Digital para encontrar novas formas de se comunicar com o público?
NOGUEIRA – Em um primeiro momento, ela pode ofertar uma comunicação de melhor qualidade. Ou seja, na hora em que você oferece ao telespectador um comercial de alta definição, suas chances de convencê-lo para a compra ficam muito maiores. Isso acontecerá porque a qualidade é uma coisa preponderante. A outra coisa é que, em breve, será a interatividade o elemento que fará muita diferença para a publicidade. Quando ela estiver em funcionamento, você poderá fazer muitas coisas. Por exemplo, efetuar suas compras pela televisão.
RPN – Então, com a TV Digital o trabalho dos publicitários se tornará mais simples ou o novo sistema implicará em novas técnicas de abordagem?
NOGUEIRA – Ele vai ter que apostar em novas formas de abordagens, porque essas novas possibilidades, de a pessoa poder interagir com o aparelho de TV e de poder efetuar uma compra on-line, tudo isso mudará a maneira de você demonstrar o produto, de gerar impacto na população com relação a isso.
RPN – O sistema digital pode ser um novo passo para a segmentação de mercado?
NOGUEIRA – Pode, sim, com certeza. Porque você vai poder saber quem estará comprando de você do outro lado da tela. Por exemplo, eu vou poder criar um banco de dados de pessoas que compraram comigo pela televisão, e como terei todos os dados delas – como idade, do que gostam, quais os programas aos quais assistem e onde efetuaram a compra – eu posso oferecer novos produtos para elas. Com certeza esta é uma tendência a ser seguida. Acredito que cada vez mais a comunicação tem que ser mais customizada. Afinal, se você conseguir compreender aquilo que estou querendo, será mais fácil para atender a uma necessidade minha.
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