 |
| Elmo do Val, MV2 Comunicação (PE) |
Mais um ano se vai. E mais outro chega para que possamos nos debruçar sobre novos desafios. E não é porque 2008 se foi, que vamos falar mal dele, e só “encher a bola” do ano de 2009, que chega cheio de promessas, esperanças e expectativas boas para o nosso mercado. E, se a gente pensar direitinho e fizer um balanço, veremos que o saldo certamente foi bem positivo, apesar de tudo. Muita coisa boa aconteceu e nossos dias foram bem agitados e recompensadores. Enfim, tivemos muitos feitos. E, mesmo com a crise financeira que se instalou internacionalmente, as perspectivas são boas. Se-gundo Joelmir Betting, em recente passagem pelo Nordeste, em evento da radiodifusão, ao contrário do que vem sendo alardeado, que a crise se estenderá por todo o ano de 2009 e pode chegar até 2010, ela não deve durar mais de seis meses. “Em março não se fala mais de crise. Tudo o que podia acon-tecer de pior já aconteceu”, profetizou.
Em 2008 o mundo viu um negro vencer as eleições presidenciais dos Estados Unidos. E aqui, no Brasil, as eleições municipais gera-ram emprego e campanhas polpudas para as agências. Sem falar da Federação Nacional das Agências de Propaganda (Fenapro), que realizou, depois de trinta anos, o IV Con-gresso Brasileiro de Publicidade. E com relação ao mercado imobiliário e à construção civil, que entrou em ebulição e promete ferver ainda mais em 2009, os comunicadores são unânimes: foi extraordinário!
O diretor Comercial da Rádio Nova Brasil FM, José Renato, comenta que os investimentos de marketing, em Pernambuco, foram estimados, no ano passado, a uma cifra de R$ 600 milhões. E no embalo dessas cifras, ele diz que o resultado comercial da Rádio Nova Brasil FM, cuja liderança em Recife acontece ininterruptamente há seis anos, foi o crescimento em torno de 15%, em relação ao resultado obtido em 2007. Para ele só há motivos para se comemorar e brindar o ano que se foi.
Com relação à crise, o diretor de Criação da MV2 Comunicação (PE), Elmo do Val, afirma que a comunicação já foi afetada, pois não tinha como fugir disso. Todavia, ele avalia que no Brasil não haverá uma "marolinha", como citou nosso presidente, mas também está longe de ser um tsunami, como em alguns países. “Estamos fortes e a economia brasileira dará sustentação aos novos projetos e ao crescimento, mesmo que modesto, de vários setores”.
Elmo crê que não teremos uma recessão, segundo os economistas, mas um índice menor de crescimento. O que, de acordo com ele, é até bom, diante da realidade global. “Não gosto de falar de crise, evito isso em anúncios e campanhas, a não ser quando o cliente exige, mas mesmo assim, a contragosto da criação da agência. Acho uma idéia antissocial divulgar a crise e se valer dela para divulgar ofertas. É uma idéia burra, a meu ver. É como lembrar uma notícia ruim o tempo todo para ver se salva uma notícia boa. Ao invés de vender, cria-se mais medo”, pontua.
CRISE X OPORTUNIDADE – Mas, há controvérsias, afinal, aproveitando o calor das notícias sobre a crise financeira, Ubirajara Carratu (RN) e Rafael Samways (PB) iniciaram uma seqüência de palestras em faculdades e conselhos regionais, falando sobre a crise. O tema é: Na crise, tire o $ e crie! Segundo eles, todos têm acompanhado as últimas notícias sobre a crise econômica dos EUA, e como ela gerou consequências diversas ao redor do mundo. Obviamente a instabilidade acaba afetando também o mercado publicitário que é o termômetro de como andam as coisas no comércio. “Por este motivo, nos colocamos à frente desta situação para combater o pessimismo causado pela informação dirigida e oferecer estímulos para o crescimento, esclarecendo ao público como e o que se deve fazer, pois a crise para nós é uma moeda de dois lados”, destacam ambos.
Ubirajara Carratu é diretor de Planejamento da Carratu Comu-nicação e fundador, juntamente com Rafael Samways, da atual Aliança Nordeste de Publicidade. É idealizador e apoiador na estruturação de uma agência experimental em São Paulo, chamada Sambarella, onde espera gerir conceitos publicitários para um novo mercado que está se configurando nos tempos modernos. Já Rafael Samways é consultor empresarial, e especialista em tomada de decisões determinantes em ambientes, aparentemente, adversos.
COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL – E quem apóia a ini-ciativa dos publicitários Ubirajara e Rafael é o diretor de Ex-pansão da Associação Brasileira das Agências de Comuni-cação (Abracom) e diretor da Oficina da Notícia (RN), Rilder Medeiros, que elogia os colegas pela proposta diferenciada. “Eles querem aproveitar suas experiências em grandes cen-tros, São Paulo e Curitiba, respectivamente, para discutirem através de palestras como criar oportunidades perante este 'tremor', unindo assim suas atividades no Nordeste (publicidade e comunicação empresarial) com compartilhamento de in-formação”, diz. E Rilder completa que este ciclo de “bate-pa-pos” já começou na semana mundial do empreendedorismo (Bota pra Fazer), onde Rafael percorreu as principais cidades da Paraíba dando dicas e explicando as diversas ferramentas disponíveis para divulgar e comunicar o negócio dos micro/ pequenos empresários. “Sua fala foi focada em redes sociais e inovação, ferramentas disponíveis a todos. Já Ubirajara focou seus esforços em ampliar seu modelo de negócios atingindo São Paulo com novas oportunidades no quesito regionalização e adequação de linguagem, além de iniciar sua atividades junto à IdeaValley (empresa de Inovação e Tecnologia)”, conta Rilder.
 |
| Rafael Samways (PE) |
E Rilder é taxativo ao afirmar que o ano de 2008 será marcante na história dos que fazem a comunicação empresarial brasileira. Para ele, os que souberam aproveitar o momento de amadurecimento do setor, incorporaram uma nova cultura de negócios, alinhando-se ao que existe de melhor no Brasil e no mundo. Com a promoção da exce-lência nos serviços, com melhores ferramentas e atendimento aos clientes, e atuando cada vez mais de forma regional, nacional e globalizada. “Muitas empresas cresceram nesse ano. Foram várias as agências que ampliaram seu escopo de ser-viços, passando a atuar em novas áreas e conquistando espaço em mercados mais amplos”.
O diretor de Criação da Chama Publicidade (AL), Hermann Fernandes, concorda com Rilder e afirma que 2008 é o ano que não acabou. E argumenta que foi sur-preendente, exatamente pelos seus altos e baixos. Entretanto, concorda que foi um ano de aprendizado para o mercado publicitário. Hermann brinca e diz que as bolhas do mercado estouraram antes das bolhas dos espumantes guar-dados para o réveillon. Segundo ele, aprendemos que a economia brasileira amadureceu e que somos capazes de reagir às ondas do mercado, que algumas vezes nos levam pra frente. Outras vezes, tentam nos engolir. “Deixamos 2008 para trás, mas levamos conosco as lições desse ano que, parafraseando Zuenir Ventura, ainda não acabou. Enfim, que seja bem-vindo 2009”.
E o alagoano também acredita que 2009 certamente será um ano de amadurecimento do mercado, do consumo e do consumidor. Um ano em que agências e anunciantes precisarão estar atentos a cada novo movimento, a cada nova onda. “Pois como escreveu o economista Raimar Richers, ondas sempre existirão, surfar nelas ou ser engolidos por elas é o que faz a diferença”, finaliza.
E Rilder Medeiros aposta que a crise global da eco-nomia não deixou de afetar diretamente o mercado da comu-nicação corporativa - especialmente no Nordeste, onde se assistiu nos últimos anos a um crescimento diferenciado gra-ças a investimentos estrangeiros na Região. “Vencerá quem tiver o melhor a oferecer e souber comunicar isso com o má-ximo de efetividade. Enxerga-se 2009 como um ano de enor-mes desafios, e para vencê-los não bastará ser grande, será preciso agilidade”. Mas ele faz um balanço e diz que temos a sorte de estarmos em uma região que até então foi pouco atingida pelas mazelas internacionais. “O mercado imobiliário continua quente junto com o verão e a chegada dos estrangeiros para a temporada tende a aquecer ainda mais nosso co-mércio”, especula.
ADVERSIDADES – Na outra ponta, a assessora de imprensa da Gráfica JB (PB), Flávia Rocha, acha que a comunicação do Brasil em 2009 não mudará muito. “E nem falo em relação a investimentos apenas, falo em relação à criatividade mesmo. Não estamos num momento muito criativo em nossa publicidade e, apesar de desejar muito que mude, não vejo grandes perspectivas nesse sentido para o ano que se aproxima”.
No quesito política internacional, Flávia também não vê muitas mudanças. Pois não crê que Barack Obama vá ter tanta coragem assim, afinal, isso é perceptível pelas pessoas que ele está escolhendo para compor seus ministérios. “Socialmente falando, creio que muda muita coisa porque, para uma nação como a norte-americana, que já passou por tantos conflitos raciais, eleger um negro não é pouca coisa. Tenho fé que essa 'onda' de igualdade racial se espalhe pelo resto do mundo, inclusive, devido ao poder exercido pelos EUA”, comenta Flávia. E a dica da jornalista para superar as dificuldades é: “aja sempre com criatividade. Creio que a criatividade será o ponto diferencial diante de toda essa crise anunciada. Não acredito que deixar de investir seja um bom negócio, creio que deva haver investimento com criatividade, esse será o caminho em 2009”.
TV DIGITAL – O diretor da Mota Comunicação, Orlando Mota, assevera que o fato mais marcante no Brasil foi a realização do IV Congresso Brasileiro de Publicidade, após uma seca de 30 anos. E no mundo, foi a vitória de Barack Obama e sua eleição como Anunciante do Ano nos EUA. “A previsão é continuar acreditando na força da comunicação e na criatividade como produto brasileiro e nordestino. O mercado precisa de sangue novo, sangue velho e de sangue bom. A TV digital já é uma realidade e não será essa revolução toda. Acredito que a interação dos meios TV/celular/ computador é que revolucionará o mercado. Ou não, como diria Cae-tano Veloso. Tudo está mudando, inclusive as certezas”, brinca Orlando.
 |
| Patrícia Lavenère, Artecetera Propaganda (RN) |
Com relação às metas do Sindicato das Agências de Propa-ganda do Ceará (Sinapro-CE), Orlando Mota, que também é presi-dente da organização, é objetivo: “queremos consolidar uma história de 22 anos; ter uma nova sede; atuar em sintonia com a Fenapro na comissão de relações com os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário”. Além disso, Mota pensa também em realizar gran-de workshop com as agências associadas e produzir o segundo portfólio de televisão da propaganda cearense e os primeiros portfólios de mídia exterior, rádio e mídia impressa (revista e jornal). “Também reativaremos o Prêmio Gianini Mastroiane de Novos Talentos e realizaremos o IV Fest Pro-Assis Santos, no dia mundial da propaganda. O Sindicato prevê a realização de quatro grandes campanhas publicitárias de responsabilidade social.”
Na avaliação de Patrícia Lavenère, presidente da Ar-tecetera Propaganda (RN) e presidente da Associação Brasi-leira de Agências de Propanda (Abap-AL), em 2008 tivemos alguns momentos marcantes em nosso mercado, mas sem dúvida o crescimento do mercado imobiliário nos surpreendeu. No entanto, para fazer uma análise mais detalhada, é preciso dividir o ano em dois momentos. “Para nós da Arte-cetera o primeiro semestre foi muito bom devido ao crescimento do mercado imobiliário ancorado pela queda da taxa de juros e o fortalecimento do varejo favorecido pela ampla oferta de crédito. Aguardamos que esse avanço traga uma grande integração dos conteúdos. Com certeza teremos uma nova forma de produzir propaganda. Vamos estar mais aten-tos aos novos formatos e novas possibilidade de integrar publicidade a conteúdo editorial”, pontua.
Para o presidente da Abap-PE e diretor da Ampla Co-municação, Queiroz Filho, o ano de 2008 foi muito positivo para o mercado publicitário. Ele diz que apesar do clima de cautela e de preocupação que se instalou na economia, por volta de setembro, não podemos, ainda, dizer que a "crise" bateu na porta das agências. “O que não significa dizer que as perspectivas para o próximo ano sejam assim tão tranquilas. Entretanto, no ano que passou vivenciamos um mercado bastante aquecido pelo crédito fácil e abundante; pela capila-ridade dos investimentos vindos das campanhas eleitorais para prefeitos e vereadores; pelos ganhos do salário mínimo e as benesses do bolsa-família, que alavancaram o sonho de consumo das classes C e D, principalmente”. Por outro lado, Queiro-zinho diz que a economia experimentou um período positivo pelo desempenho favorável da cons-trução civil e do setor imobiliário; dos segmentos de telefonia celular e automóveis, além das áreas de ali-mentos e bebidas, entre outros. “O varejo viveu em 2008 um bom mo-mento, sem dúvida”, afirma.
Já o presidente da Associa-ção de Marketing Promocional (Ampro), Aguinaldo Viriato, cita o fa-to de que o Brasil só começa a fun-cionar, de fato, após o Carnaval. En-tretanto, 2009 promete ser ainda mais lento. Seja pela diminuição na oferta de crédito ao consumo e às empresas; seja pela queda esperada no nível de emprego. Ou ainda, pelo adiamento dos planos de investimento e os cortes nos programas de produção da indústria”. Viriato diz que o que está no ar é, de fato, uma grande apreensão, principalmente para ver e sentir os sinais e as atitudes do novo governo americano após 20 de Janeiro, com a posse de Obama. “Não podemos esquecer que a conjuntura negativa é global e não apenas um problema do Brasil ou, menos ainda, uma situação específica de nossa região. O buraco é mais embaixo. Ou, bem mais acima”, diz Aguinaldo.
Quanto à Ampro, Viriato explica que os planos são de apoiar e se aproximar ao máximo de seus associados, quer na orientação em questões tributárias, jurídicas e de assessoramento de marketing; quer no desenvolvimento de ações cole-tivas destinadas a disseminar os conhecimentos técnicos na área de promoções, eventos, merchandising, internet, marke-ting direto e outras; quer na troca constante de informações e projetos entre as agências filiadas.
Na opinião do professor e diretor da Aporte Comu-nicação (PE), Daniel da Hora, o grande destaque do ano foi o filme "Gorilla", para o chocolate Cadbury. “Absolutamente in-trigante. A peça ganhou tudo que disputou ao longo de 2008 e foi eleita pelo Gun Report o 'The Most Awarded Commercial'. Para mim, é genial, e foi a grande mudança na linguagem publi-citária desta década - e deve ditar uma estética daqui para frente”, comenta Daniel. Sobre o que esperar de 2009, ele diz que as melhores campanhas devem ter necessariamente mui-ta participação do público em seus conteúdos. “Além disso, devemos ter muitas ações integradas, com a internet fazendo parte de vez das campanhas e, em alguns casos, sendo a mídia principal, haja vista o custo ainda bastante competitivo desta em relação às outras. Com a crise instalada, acredito que o momento é de apostar em boa propaganda, em discurso ver-dadeiro e que cative o consumidor, com linguagem mais humanizada. As boas histórias devem voltar com tudo, coisa que mercados como Argentina, vem fazendo com maestria já há algum tempo”, ressalta.
|