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| A energia para tanta criatividade, vem da união da família e da felicidade de ter criado os filhos |
Um, dois! Podem os opostos se atrair? Esquerda, direita! No caso de Deméa e Caetano Fregapane, tanto se atrair como se complementar. Cenário: 1969, Ditadura Militar. Local: aula de Criatividade na Comunicação do Curso de Relações Públicas da ESURP (Escola Superior de Relações Públicas). De um lado, um jovem tenente, paraquedista e instrutor de antiguerrilha (que lia Mao Tsé-Tung, Nietzsche e Che Guevara para os soldados), procurava a graduação interessado em facilitar o aprendizado dos combatentes. Do outro, uma jovem professora de ensino fundamental que frequentava o Teatro Popular do Nordeste, conhecido na época como “esquerda festiva”. “De início, ele na paquera comigo e eu achando um absurdo namorar um militar. Porém, como se diz, ‘os opostos se atraem’. Sendo assim, me rendi ao amor. Namoramos três anos, casamos em novembro de 1971 e nos formamos em dezembro do mesmo ano, quando iniciamos nossa agência de publicidade”, relembra Deméa sobre o início da união que já dura 40 anos e rendeu quatro filhos, uma neta, algumas boas histórias para contar e muitos sucessos – e algumas derrotas – a contabilizar.
Como todo começo, o deles também foi difícil. A primeira sede da Fregapane & Associados funcionou em uma sala alugada na rua do Hospício, centro do Recife. Com o tempo, foi possível adquirir a primeira sede própria – hoje, eles ocupam a segunda sede própria, no bairro de Santo Amaro. “A gente lutou, trabalhou, sempre acreditando que a propaganda é um grande negócio. Isso nos deu muita força, muita garra”, afirma Caetano. Entre as campanhas criadas pela agência, algumas se tornaram históricas. Como a produzida para o lançamento de um empreendimento imobiliário no bairro de Apipucos que contou com a participação do sociólogo Gilberto Freyre (e que rendeu uma Medalha do Mérito Joaquim Nabuco a Fregapane) e uma realizada para o Cuscuz Cativa, estrelada pelo Visconde de Sabugosa (interpretado na época pelo ator André Valli). A agência também foi Destaque do Ano do Prêmio Colunistas Norte-Nordeste de 1984 com a primeira Grande Gincana de Verão Pepsi-Crush, para o Hospital do Câncer de Pernambuco. Sem falar nos jingles, como o surreal “Usei Super Concretina / Trazendo Prosopopança / No véu da Pilogamia / No vão da gradofobia/ É o sucesso de quem pinta...”, criado para o Super Concretina, das Tintas Ypiranga. Produzido em parceria com o Quinteto Violado, sua inspiração veio da Obra de Zé Limeira, o Poeta do Absurdo, do escritor Orlando Tejo (redator da agência na época). De onde vem toda a energia para tanta criatividade? Parte vem da união da família e da felicidade de ter cumprido a árdua, porém gratificante, tarefa de criar os filhos – que parecem seguir o ditado de que filho de peixe... “Nossos filhos, menos a caçula, que ainda está terminando o curso médio, têm formação em Comunicação e atuam na área”, revela Deméa. Outra parte é oriunda da participação de eventos de comunicação, do reencontro dos amigos e da interação com a nova geração da publicidade. Na conversa a seguir, esses dois nomes representativos da história da publicidade regional falam sobre longevidade nos negócios, juventude e, claro, publicidade.
REVISTA PRONEWS – Vocês são a segunda mais antiga agência de publicidade em funcionamento no estado de Pernambuco. A que atribuem essa longevidade da Fregapane & Associados?
CAETANO FREGAPANE – À ética, à perseverança e ao profissionalismo. Não abrir para nenhuma situação que não estivesse honesta, correta, porque o próprio mercado nos excluiria. Perdemos clientes por ética. Ou você é profissional ou não é. Isso, às vezes, conflita até entre mim e Deméa, tanta rigidez ética. Mas é essa rigidez ética que faz com que meus filhos entrem nos veículos e sejam respeitados. A gente não tem mercadorias na prateleira. A nossa mercadoria é o talento. E ética! É postura profissional, conhecimento científico. É isso que valoriza um profissional, que faz com que ele se mantenha na linha.
DEMÉA FREGAPANE – Atribuo a longevidade da Fregapane & Associados ao trabalho profissional, criativo e ético que sempre priorizamos. Nossa perseverança fica por conta de gostarmos do que fazemos.
RPN – Sempre perguntam que conselho gostaríamos de receber quando jovens, caso pudéssemos mudar algo em nosso passado. Invertendo um pouco a questão, que conselho vocês gostariam de ter dado a um cliente – ou dariam novamente?
NOGUEIRA – O preço do set-top box, que há um ano ficava em torno de R$ 1.700, já varia entre R$ 400 e R$ 500. Barateou bastante e vai baratear ainda mais. Não tenho dúvida nenhuma. É questão de tempo. É uma tendência natural das coisas. Vai acontecendo naturalmente.
RPN – Mesmo com todas essas conquistas, estamos indo na velocidade desejada quando das discussões para a implantação do sistema digital?
NOGUEIRA – Eu diria que estamos indo em uma velocidade, em um ritmo mais acelerado do que o visto em países com renda per capita maior do que a nossa, brasileira. Nós temos aqui o exemplo dos Estados Unidos, que ainda não conseguiram, mesmo depois de dez anos, fazer a migração para o sistema digital. Você não pode querer do Brasil que ele tenha um ritmo melhor do que esse de um ano para cá. Eu diria que, para a nossa situação, ele está ótimo. Estamos bastante acelerados.
RPN – Podemos esperar para 2009 a tão prometida interatividade associada ao sistema digital?
>CAETANO – No dia em que fomos vender a campanha do Vitaflocos, o cliente queria fazer a propaganda com o Rolando Boldrin. E nós demovemos a ideia dele do Boldrin para fazer com o Visconde de Sabugosa, que era o milho vivo. Eu subi na mesa e disse: “Não! Com Rolando Boldrin você faz, eu não!”. Rolando Boldrin passa, ele é um artista, vai fazer propaganda com qualquer produto depois. Mas propaganda com a literatura, ela é universal. A gente não estava fazendo propaganda com o André Valli, o ator. Estava fazendo propaganda com Monteiro Lobato. Estávamos entrando na literatura brasileira. Até hoje, esse cliente continua a nos contratar para fazer o serviço não somente de propaganda, mas de marketing de relacionamento, marketing de ponto de venda... Do que você queira denominar. Mas a gente também perdeu muito cliente por causa dessa ousadia. Muito cliente que não queria aceitar essas mudanças.
DEMÉA – O melhor conselho que recebi foi dos meus pais, que diziam: “Mentira tem pernas curtas”. Ou seja, seja sempre verdadeira, tanto na vida pessoal como na profissional, que você nunca vai se arrepender do que fez, nem terá necessidade de voltar no tempo para consertar. Quanto aos nossos clientes, sempre tentei mostrar a importância e a diferença de “Marketing” para “Propaganda”, pois percebíamos a resistência deles com relação ao trabalho remunerado do marketing. Na maioria das vezes, nossos clientes estabeleciam a verba de propaganda sem incluir os custos de ações de marketing e, mesmo assim, realizávamos as ações por considerá-las fundamentais para o cliente. Então meu conselho seria: Reserve duas verbas – uma para ações de marketing e outra para mídia. As duas têm fundamental importância para o sucesso.
RPN – Nesses anos de atividade, o que foi possível aprender com as novas gerações?
CAETANO – Em tudo o que passei, trabalhando sempre com pessoas criativas, achei uma troca de conhecimento muito grande. Porque o jovem tem uma maneira muito bonita de olhar o mundo, com esperança, com um olhar de positividade. E a propaganda é muito positivista. A propaganda está sempre em transição. Está sempre se renovando.
DEMÉA – A facilidade e a agilidade que a era digital nos proporciona hoje é grande, basta passar um e-mail e está tudo resolvido. Antes era tudo mais trabalhoso, mais lento. A nova geração nos mostra que a nossa profissão é mutável, e temos que acompanhar este crescimento.
RPN – Quando iniciaram na propaganda, eram vocês os portadores das novas ideias, da lufada de ar fresco para o setor. Como se dava a interação entre novos ideais e conceitos já consolidados na época?
CAETANO – É como hoje, com os nossos filhos. A gente sente muito essas mudanças. Nós temos uma filha de 17 anos, e a maneira como nós a educamos não pode ser a mesma que educamos a mais velha. Nós nos adaptamos à linguagem. A vantagem é que nós publicitários falamos sempre a linguagem da comunicação. E a linguagem da comunicação não é jovem, não é antiga. Não é moderna, nem é futurista. Ela é sempre a linguagem da comunicação. Quando você fala com o jovem na mesma linguagem, fala uma linguagem comum e as pessoas se entendem.
DEMÉA – Apesar de o mundo ser outro, muito do que hoje é presente é uma absorção de conceitos trabalhados naquela época. Movimento hippie, liberação sexual, tudo que se viveu antigamente teve uma consequência que é a forma de encarar o mundo.
RPN – Podemos dizer que a publicidade possui uma particularidade que a torna única?
CAETANO – Não existe característica única na propaganda, porque ela está implícita em todos nós. A propaganda é o “já vi”. Ela tem a característica de você pegar uma coisa e transformá-la.
DEMÉA – Criatividade, poder de persuasão e talento.
RPN – A publicidade pode ser bonita e bem feita, mas não será útil se não atingir o coração do consumidor, der um click em sua mente. Como então conquistar esse consumidor?
CAETANO – Com criatividade e conhecimento de marketing. Este com todas as suas ferramentas e a propaganda com todas as suas técnicas de comunicação. Sem isso, você não está dentro do contexto. E se a propaganda não estiver aliada ao marketing do cliente, ela não consegue se desenvolver. Quantas vezes a gente atrasou campanha para mexer em embalagem de cliente!?
DEMÉA – A publicidade, quanto mais segmentada, mais fácil o alvo, pois não é necessário “atirar de doze em um passarinho” e obteremos um resultado bem maior com o custo menor. Cada produto e público é diferente e precisa ser tratado e avaliado desta maneira. Ter uma fórmula para tudo seria limitar ideias.
RPN – Por fim, o que esperar do ano de 2009?
CAETANO – O provérbio chinês bem diz: na crise, crie. Nesta crise, que pegou os empresários de calças nas mãos, quem não vai sucumbir é quem tiver cuidado com sua marca e cuidar dela no ponto de venda. Quem sempre cuidou do marketing de seu produto está sempre sobrevivendo a qualquer crise. Nós passamos por oito! Oito planos econômicos. É mais “porrada” que um corredor polonês. E conseguimos sobreviver. Por quê? Porque a gente sempre cria novas situações, presta um serviço para o cliente sempre inovando, levando uma ideia nova.
DEMÉA – Este é um ano especial. Diante desta crise mundial, devemos pensar em soluções. O mercado pernambucano não quer nem pensar em crise, pois estamos vivendo um momento de crescimento como não víamos há muitos anos. Com certeza, será melhor... “Siga sua plenitude, e o Universo lhe abrirá as portas onde só havia paredes” (Joseph Campbell).
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