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Em setembro do ano passado, o presidente Luís Inácio Lula da Silva oficializou a introdução da reforma ortográfica no Brasil. De acordo com o prescrito, a reforma entrou em vigor em janeiro de 2009, mas as duas grafias (a antiga e a nova) continuam valendo até dezembro de 2012, assim os brasileiros terão quatro anos para se adequar às novas regras. O novo acordo foi criado para uniformizar a escrita das palavras nos países que falam a língua portuguesa. E desde então vem causando muitas discussões acerca do assunto. “Tudo isso só tem uma utilidade: a uniformização ortográfica da língua portuguesa. Porém, podemos dizer que politicamente o acordo é válido, mas tecnicamente é um fiasco. As mudanças foram feitas sem muita reflexão e o resultado foi um amontoado de omissões e de regras confusas”, afirmou o consultor Lingüístico do Jornal do Commercio, Laércio Lutimbergue.
Há muita gente que rechaça a unificação, dizendo que há coisas mais importantes a fazer. Quem defende argumenta que o português é, das línguas mais faladas no mundo, a única que ainda não está unificada. “A língua escrita é o que une os tempos, então se não unificarmos, corremos o risco de deixar o português virar um hieróglifo, daqui a algum tempo. Ainda que com muitas falhas essa reforma veio em boa hora e é sim necessária”, afirma o repórter Político do Jornal A Tarde, Leonardo Leão.
Uma vez unificado, o português auxiliará a inserção dos países que falam a língua na comunidade das nações desenvolvidas, pois algumas publicações deixam de circular internacionalmente porque dependem de "versão". Um dos principais problemas que as novas regras vão acarretar, no entanto, será o custo da reimpressão de livros, principalmente no momento de crise que o mundo atravessa. “Sem dúvida, o momento é inoportuno. Mas, se pelo menos o acordo tivesse uma boa base técnica, se houvessem ganhos para o ensino, o saldo não seria tão negativo”, declara Lutimbergue.
NOS PAÍSES LUSÓFONOS - Em 1990, representantes dos oito países que falam português (Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Timor Leste) decidiram simplificar a grafia e unificar as regras. Desde então se tenta implementar o acordo de forma pacífica.
A implementação é muito lenta, pois é preciso que os países ratifiquem as mudanças, como fez o Congresso Nacional brasileiro em 2007. Durante esse tempo muitos desses países sofreram com essa reforma, dentre eles o que mais resistiu à reforma, foi Portugal, justamente o país que precisou de mudanças mais significativas.
No Brasil, já houve duas reformas ortográficas – uma em 1943 e a outra em 1971 –, já em Portugal, a última reforma aconteceu em 1945. E muitas diferenças entre Brasil e Portugal continuaram.
O português, segundo estudos, é a quinta língua mais falada no mundo, cerca de 210 milhões de pessoas, e tem duas grafias oficiais, o que dificulta o estabelecimento da língua como um dos idiomas oficiais da Organização das Nações Unidas (ONU). A ortografia-padrão facilitará o intercâmbio cultural entre os países que falam português. Livros, inclusive os científicos, e materiais didáticos poderão circular livremente, sem necessidade de revisão, como já acontece em países que falam espanhol. Além disso, haverá padronização do ensino do português no mundo.
“Como toda novidade, a reforma ortográfica trará dúvidas e inseguranças. Porém, com o tempo, acredito que poderemos perceber a vantagem da unificação da gramática da língua portuguesa nos negócios, na cultura e no contato em geral com outros países que falem o mesmo idioma. É uma questão de tempo para as pessoas se acostumarem e adotarem as novas regras. Talvez a simplificação possa ajudar a gramática a ser utilizada de forma mais correta que atualmente”, afirma a jornalista e publicitária, Taciana Antunes.
Em relação ao número de palavras que a língua portuguesa tem, as mudanças são poucas, porém são significativas e importantes. O que mais atinge a população com essa novidade no dia-a-dia é o uso dos acentos e do hífen, principalmente em palavras compostas. Visto que a mudança é apenas ortográfica e não fonética.
Principais mudanças na ortografia:
Fim do trema
Este sinal gráfico é totalmente eliminado. Assim, a palavra freqüente passa a ser escrita "frequente". Só nomes estrangeiros como Müller manterão o trema.
Eliminação de acentos em ditongos
Deixa de existir o acento agudo nos ditongos abertos “éi” e "ói" em palavras paroxítonas. Assim, idéia vira "ideia", e heróico vira "heroico". Também nas palavras paroxítonas, cai o acento no "i" e no "u" quando aparecem após ditongos. Dessa forma, feiúra vira "feiura".
Letras repetidas não têm mais circunflexo
Os hiatos “ee” e “oo” não são mais acentuados. Assim, vôo vira "voo", vêem vira "veem" e enjôos fica "enjoos".
Cai o acento diferencial
Não existe mais o acento diferencial em palavras homógrafas. Assim, pára do verbo parar vai ficar apenas "para".
O acento diferencial permanecerá nos seguintes casos:
1.pode (como presente do indicativo) e pôde (no pretérito)
2.por (preposição) e pôr (verbo)
A terceira pessoa do plural de ter e vir permanece com acento, assim como suas variações. Eles têm, eles intervêm.
Some o acento agudo no u
Não se acentua mais a letra “u”, nas formas verbais rizotônicas, quando precedido de “g” ou “q” e antes de “e” ou “i”. Assim averigúe vira "averigue”; obliqúe fica “oblique”.
Mudanças nos hifens
Sai a maioria dos hifens em palavras compostas. Assim pára-quedas vira paraquedas.
Quanto houver necessidade, será dobrada a consoante. Assim contra-regra vira contrarregra.
Será mantido o hífen em palavras compostas cuja segunda palavra começa com h como pré-história.
Em substantivos compostos cuja última letra da primeira palavra e a primeira letra da segunda palavra são a mesma, será feita a introdução do hífen. Assim microondas vira micro-ondas.
As palavras que têm os prefixos ex, sem, além,aquém, recém, pós, pré e pró ficam com o hífen. Portanto, será escrito como antes: ex-presidente, sem-terra, recém-nascido e pós-graduação.
Assim como as palavras com os sufixos de origem tupi-guarani: açu, guaçu
e mirim. Quem escrevia jacaré-açu vai continuar escrevendo jacaré-açu.
Inclusão de letras
As letras antes suprimidas do alfabeto português (k, y e w) voltam, mas só valem para manter as grafias de palavras estrangeiras.
Fim das letras mudas
Em Portugal, é comum a grafia de letras que não são pronunciadas como facto para falar fato. Essas letras somem com a reforma.
Dupla acentuação
Há algumas diferenças de acentuação entre o Brasil e Portugal, principalmente quando se refere aos acentos circunflexo e agudo. Assim, os brasileiros escrevem econômico e os portugueses, económico. Essa diferença foi mantida.
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