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Graduada em Direção de Arte e Artes Plásticas pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo, foi na propaganda que Marcia Tucunduva encontrou sua paixão, e pôde atuar em algumas das principais agências do país – como a RTVC. "Daí para ser assistente de direção e diretora foi um pulo", explica Marcia, que dirigiu e produziu filmes no Brasil e em Portugal, Argentina e México. Uma de suas experiências profissionais mais marcantes, ela ressalta, foi em Nova Iorque, Estados Unidos. "Nos Estados Unidos, eu mudei o rumo de minha vida profissional. Fiquei encantada com o profissionalismo e decidi que queria ser uma diretora de filmes. Daí comecei a me preparar para isso", relembra. "O diretor é um profissional que tem o comando de tudo o que acontece durante a produção e domina o set de filmagem, imaginando e criando, sempre atento a cada detalhe. É contagiante", completa. Há seis anos, essa paulistana de nascimento escolheu a Bahia para viver e trabalhar ao ser convidada para fazer parte da sociedade da Malagueta Filmes, tornando-se verdadeiramente uma baiana de coração. "A Malagueta foi fundada em Salvador por três grandes amigos: Giovani Lima, Edu Freiha e Xande Mendonça. Edu teve que voltar para São Paulo e Giovani e Xande precisaram de reforço. A produtora crescia de vento em popa. Como nós já havíamos trabalhados juntos, e eles conheciam de perto meu estilo, me convidaram para a sociedade. Trabalhamos duro, mas tem dado bons frutos", conta Marcia, casada e com um filho. "A prática da observação faz a gente conhecer gente. E é basicamente na atitude das pessoas que buscamos inspiração. No supermercado, nos jornais, no cinema, andando na rua, no trânsito, no shopping, museus, enfim, vendo a vida como ela é! Isso ajuda muito a gente a entender e... conhecer gente. Daí, é só levar toda essa observação para o nosso trabalho traduzida em imagens", explica ela sobre sua atividade diária. "Eu acredito no trabalho sério. Não existem truques. Sou uma pessoa apaixonada pelo que faço. Cada filme é tão emocionando quanto o primeiro. Essa emoção é o que me move. É o que faz nosso trabalho aparecer. É o que me faz realizada. É o que me faz feliz", conclui. Na entrevista a seguir, entre outros assuntos, ela conversa um pouco mais sobre o ofício de direção, discute a efemeridade da propaganda e adianta uma novidade que vem por aí.
REVISTA PRONEWS – Tanto sua vivência, como formação e primeiras experiências profissionais, foram passadas em São Paulo. Bom, não apenas São Paulo, mas também Estados Unidos, Portugal, Argentina e México. Como foi para você fazer esse caminho de ida à Bahia, algo que, para muitos profissionais, é um caminho de volta?
MARCIA TUCUNDUVA – Mas não é um caminho de volta. Ao contrário. Minha decisão por morar na Bahia foi uma escolha consciente, porque sempre achei que poderia fazer parte de um mercado que estava cada vez mais próximo de competir com todos os outros mercados, como ele é hoje. O mercado baiano tem profissionais competentes, e com capacidade profissional. Minha batalha sempre foi essa: ajudar a inserir um mercado regional no cenário nacional, falando de igual para igual com os outros mercados. E tenho certeza que a Malagueta é responsável por boa parte desse crescimento na Bahia. Hoje, podemos apresentar nossas equipes em outros mercados e a profissionais que vêm de fora, sem medo de errar.
RPN – De que forma sua experiência veio a agregar à equipe da Malagueta?
MARCIA – Meus sócios e eu já havíamos trabalhado juntos em São Paulo. Quando o convite deles surgiu, vi aí a possibilidade de, com eles, desenvolver um trabalho extremamente profissional. Ou seja, quebrávamos ali o paradigma existente de que "filme bom só em São Paulo ou no Sul do país". Olha aí de novo a batalha pela nossa inclusão no cenário nacional!
RPN – As imagens em movimento sempre fascinaram o ser humano – fazendo-o rir, chorar, surpreender-se. Em um filme publicitário, quais são os elementos que entram em jogo para garantir a conquista do consumidor?
MARCIA – O consumidor hoje é muito exigente: vai ao cinema, vê TV a cabo, internet, tem acesso a revistas, boas fotos, etc. O filme publicitário, para chamar a atenção e ser eficiente, tem que capturar o consumidor em "segundos". Aí, tudo conta: luz, desempenho dos atores, trilha, e principalmente a boa ideia do roteiro. Aliás, nós diretores adoramos uma boa ideia. Um bom roteiro tem uma enorme chance de se transformar em um excelente comercial.
RPN – A respeito disso, quais produções ficaram em sua memória, tanto aquelas de sua autoria como as realizadas por outros profissionais?
MARCIA – São muitas. Posso dizer que estou de olhos abertos para a publicidade há muitos anos. Diretores como Laonte Klawa, João Daniel e Julinho Xavier foram caras que influenciaram gerações de diretores publicitários. Caras que tive o prazer de conhecer e até de trabalhar ao lado. Dos comercias que realizei, gosto de todos. Cada um por um motivo diferente. Um deles, recente até, foi o do Shopping Barra Natal, no qual pude brincar de explorar um mundo de sonhos, encontrar o Papai Noel e entrar no mundo infantil. Voltei a ser criança durante as filmagens. Filmar é muito divertido! Poder viver e interferir nas emoções. Um outro comercial que me marcou e que me encheu de orgulho foi o comemorativo de 15 anos de morte de irmã Dulce. Eu sabia que, além de estar fazendo um comercial muito bonito, estaria ajudando as obras sociais de irmã Dulce. Isso também é muito gratificante: a gente poder utilizar esse canal de comunicação para ajudar as pessoas.
RPN – Bom, estamos falando de um material de curtíssima duração – 30 segundos, em média. Para alcançar o máximo de efeito em um tempo tão escasso, o que deve prevalecer nele, o conteúdo ou as imagens?
MARCIA – Imagem e conteúdo se completam. Não existe em comunicação um sem o outro. Como dizia o velho Ogilvy: comunicação não é aquilo que a gente diz, mas o que os outros entendem.
RPN – Em que nível se encontra a produção nordestina em relação à do restante do país?
MARCIA – Não posso falar em nome de todo o Nordeste, mas a produção baiana não deve nada para o resto do país. Tanto que, cada vez mais, atendemos agências como a Africa, Duda, DM9 ou Long Play, que são agências de São Paulo. A capacitação de profissionais, que vem acontecendo nos últimos tempos no mercado, é responsável por isso. A maior demanda exige melhor qualidade, e os profissionais locais devem acompanhar essa tendência. A Malagueta é muito responsável por isso, porque investe na formação de novos profissionais constantemente.
RPN – Antes do YouTube, e de toda a mudança na forma de se assistir a um comercial provocada por ele, tudo o que era produzido tinha um prazo curto de veiculação – e depois disso se perdia para sempre no limbo nebuloso da televisão. Como você vê essa questão da efemeridade na produção publicitária?
MARCIA –Geralmente, as informações publicitárias são datadas, lançamento de produto! Mudança de embalagem! Ofertas! Promoções! Últimos dias! Chegou! Nasceu! Não perca! Venha agora! É só hoje! Corra! etc... Hoje existe uma maneira de preservar boas ideias e bons filmes. O YouTube é isso: uma verdadeira Caixa de Pandora de imagens em play (presente e passado). [Na Malagueta,] procuramos sempre estar antenados às novas tendências e buscando novos desafios a cada dia. Isso faz com que a gente procure sempre responder às necessidades do mercado trazendo novidades na área tecnológica e artística.
RPN – Existem campanhas que, por suas qualidades – ou mesmo homogeneidade visual ou conceitual –, poderiam ter sido rodadas tanto aqui no Nordeste como em São Paulo ou Buenos Aires. Essa globalização, ou essa falta de raízes, pode ser vista como boa ou ruim?
MARCIA – É excelente. Cada vez mais se filma fora do eixo EUA/Europa. Isso significa riqueza, divisas, dólares para os países "hospedeiros". A publicidade não deve ser responsabilizada por preservação de raízes ou da falta delas. Nosso papel é de contar histórias. Cada cliente é que é responsável pelo que sua empresa diz. Se o filme pode ser feito no Sahara ou nos Lençóis Maranhenses, isso é muito bom, pois só fortalece as produções locais. E uma de nossas buscas constantes é estarmos prontos para receber esses desafios. Como profissional da área de cinema, minha dica para quem não conhece a Bahia é: venha filmar na Bahia! Deus foi generoso com a nossa terra, em cada canto você encontra uma paisagem deslumbrante. E os profissionais são muito preparados para entregar um belo trabalho.
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RPN – É comum vermos – com mais frequência nos Estados Unidos – publicitários fazendo carreira na direção de videoclipes musicais ou mesmo de longas-metragens (Ridley Scott, por exemplo, veio da publicidade). Qual sua opinião a respeito dessa transição?
MARCIA – No Brasil, esse caminho também tem sido percorrido. É só vermos Fernando Meirelles, Breno Silveira, Andrucha e outros. O cinema publicitário passou a ser uma excelente escola (que bom essa inversão de valores!!!). Isso é muito positivo. O mercado se movimenta, se renova.
RPN - Podemos ver um dia seu nome associado a uma produção não necessariamente ligada à publicidade?
MARCIA – Meu nome já está associado a muitos documentários feitos aqui na Malagueta e a várias campanhas políticas de sucesso (eleição de Marta em São Paulo, eleição e reeleição de Lula, entre outras, pelo Brasil e Argentina), além de estarmos nos preparando para a produção de um longa-metragem: "Mão de Pedra - A história de Popó, um herói brasileiro", com argumento e direção de meu sócio Giovani Lima, em fase de captação e muito em breve sendo realizado pela Malagueta Filmes.
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