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Três amigos e um sonho: transformar conhecimento tecnológico em um produto rentável e de atração natural do mercado de varejo. Assim nasceu o projeto da empresa Infobox. E, 16 anos depois, desse grupo de empreendedores restou o empresário Pedro Gondim, um pernambucano de 48 anos, que apostou todas as fichas no modelo de uma loja que fosse muito mais do que um centro comercial de computadores. O que ele projetava – na realidade - era ser referência de vendas de produtos de alta tecnologia e serviços especializados no Nordeste. O sonho virou realidade. Hoje a empresa tem uma carteira de clientes privilegiada. O faturamento positivo está associado ao prestígio que a loja conquistou junto aos fornecedores e clientes. A loja é a principal revendedora HP Brasil Computadores em Pernambuco e na Paraíba. A HP é uma das maiores empresas de tecnologia do mundo. O resultado dessa parceria é que todos estão atraídos pelas condições de vendas e prazos, além das promoções. O segredo, talvez, seja a forma como a empresa está enfrentando a crise econômica mundial. Sempre com os pés no chão. A única ousadia é planejar o futuro.
A Infobox está agora com três lojas no Recife e duas em João Pessoa (PB). Tem ainda uma central de televendas cooperativa e há dois anos mantém um site de vendas pela Internet. Aliás, por duas vezes foi eleita a melhor empresa de e-commerce de Pernambuco. Era tudo o que Pedro Gondin desejava: “Quando começamos nossa primeira loja no Recife, na Avenida Conselheiro Aguiar, em Boa Viagem, não tínhamos ideia de que teríamos essa projeção nacional”, diz o empresário, lembrando-se de seus antigos sócios: José Pereira (um dos maiores fornecedores de serviços de TI de Brasília) e Ricardo Figueiras (agora investindo no setor de tecnologia para o Complexo de Suape, no Cabo de Santo Agostinho). Ambos seguiram com outros projetos profissionais e deixaram a sociedade em boas mãos.
No caminho inverso do que acontece na maioria das empresas que surgem no Brasil – as quais iniciam quase sempre como empresa familiar – somente este ano é que o dono da Infobox parte da uma solução caseira. Ele divide a sociedade com a esposa, Marta Natividade Gondim. A relação de parentesco fica somente em casa. Na empresa, os dois encaram o empreendimento como um projeto consolidado e que não pode arriscar-se em metas ambiciosas e irrealizáveis. “A Infobox passou a ser uma saudável empresa familiar, inclusive, com apoio logístico dos meus filhos”, orgulha-se.
HOMEM DO ANO – A capacidade de empreender não é a única vantagem de Pedro Gondim. Ele também se sobressaiu no mundo dos negócios como um forte concorrente no mercado de revendas de TI no país. A prova disso é que em 2008 foi eleito o Executivo do Ano. O título foi concedido pelo CRN Brasil, que realizou, pela primeira vez, a premiação voltada ao reconhecimento aos fabricantes e empresas de distribuição como Campeões do Canal e Distribuidor Preferido.
A primeira edição do Prêmio Canais Referências foi baseada numa pesquisa quantitativa e qualitativa, por meio da Internet em todo território nacional. Um comitê julgador analisou os votos e fechou com a indicação das empresas vencedoras. Gondim é formado em Ciência da Computação pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), de onde herdou o que ele chamava de “DNA da tecnologia”. Aliás, a sua primeira experiência no mercado começou com a prestação de serviço em Maceió (AL), onde trabalhou por oito anos e até hoje mantém laços afetivos e profissionais com empresários daquele estado, através da Associação Varejoinfo. Trata-se de um grupo de revendas varejistas de informática criado em agosto de 2003, com o objetivo de trocar informações que ajudem a melhorar o desempenho no mercado de TI.
FUTURO – A Infobox estabilizou-se no Nordeste e tem planos de expansão. Objetivo agora é ampliar a rede de lojas em Pernambuco e Paraíba. Aqui no Estado, Gondim tem viajado ao Interior, analisando oportunidades de abrir lojas em cidades em fase de desenvolvimento. Por enquanto, ele prefere não indicar roteiros. Comedido, acredita que tudo depende de muito planejamento.
Na capital paraibana, a empresa já mantém as lojas do Shopping Manaíra e da Avenida Epitácio Pessoa. Segundo Gondim, a abertura de mais lojas continuará privilegiando clientes de grande varejo: pessoas físicas e empresas. Na capital pernambucana, ele tem visitado alguns endereços, a metodologia do empreendedor é assinalada pelo bom senso e a discrição. Em relação à crise econômica mundial, que inibiu investimentos no mercado de TI, o empresário disse não ter se desesperado diante das notícias negativas. “Avaliamos o mercado sob a perspectiva de como ele iria ficar”, ressalta, para acrescer que acredita numa recuperação em curto prazo. Para ele, no Brasil a crise não é tão arrasadora quanto nos Estados Unidos. “No primeiro trimestre tivemos uma queda de 16% nas vendas, mas, mesmo assim, ainda percebo que a nossa empresa tem espaço grande a ser conquistado e que vamos ocupá-lo no momento certo”, reflete Pedro Gondim, com o mesmo otimismo e entusiasmo quando começou há 16 anos.
VANTAGENS – Tempo, para Pedro Gondim, é a arte de reciclar. Sempre à caça de atualização e informações sobre os produtos tecnológicos, o empresário diz não ter a menor dificuldade de listar as vantagens da Infobox em relação aos concorrentes: “A nossa maior vantagem é o serviço. No pré e pós-venda. Talvez esse comprometimento aconteça pela minha própria genética de prestador de serviço. A gente tem uma assistência técnica muito boa, onde o cliente é atendido quando tem alguma dúvida ou problema”, destaca.
Gondim reconhece que o sucesso da Infobox deve-se ao trabalho de uma equipe de 150 funcionários, todos especializados para dar suporte e informações personalizadas, até mesmo antes que o cliente realize a compra. A empresa também conta com cerca de 70 fornecedores de renome nacional e internacional. “Somos orientados a perceber a necessidade de todos os clientes. Temos a visão de que o produto precisa atender às expectativas de quem compra”. Outro fator importante, segundo avalia, é o marketing criado para a Infobox. O argumento central é que a loja não divide atenções. Ou seja, é um espaço exclusivo de produtos tecnológicos: “Não somos uma livraria, nem papelaria ou uma loja de eletrodoméstico. Somos uma loja essencialmente de tecnologia. Com produtos de ponta e de referência”.
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