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   Ano X |15 de maio/15 de junho | n° 111 | Capa: Aliança Comunicação

 
NAS ONDAS DA ERA DIGITAL
Anderson Lima

Ainda criança pequena no bairro recifense de Santo Amaro, José Renato possuía um convívio íntimo e diário com o meio rádio. Explico. Seu pai – de quem Renato herdou o nome – atuava profissionalmente como locutor da Rádio Clube de Pernambuco, cujos estúdios ficavam bem ali pertinho. E foi graças ao trabalho do pai – que recebera um convite para integrar a equipe de locutores da Rádio Nacional AM – que ele e a família deixaram Pernambuco com destino ao Rio de Janeiro. O tempo passou, Renato cresceu e deu início à trajetória profissional. No rádio. De início, na sucursal carioca da Rede Brasil Sul de Comunicações. O ano era 1968 e o trabalho consistia em ser contato comercial, atendendo agências de propaganda e clientes do Rio que tivessem interesse no mercado gaúcho. No ano seguinte, um convite o fez mudar de ares, levando-o à sucursal da Rede Globo de Televisão, no Rio, em um trabalho que consistia vender a TV Globo do Recife na região. A volta à terra natal se deu em 1970, com a transferência e promoção a gerente de Vendas para a TV Globo do Recife. Mais quatro anos, nova saída do Nordeste. Desta vez, para atuar na Direção Comercial dos veículos dos Diarios Associados em Porto Alegre. Ao final de oito anos, novo retorno ao Recife. Agora, para assumir a Gerência Regional da unidade do Recife da Bloch Editores, que envolvia a TV Manchete, Rádio Manchete FM e os títulos da Bloch Editores (Revista Manchete, Fatos e Fotos, Ele e Ela, Amiga e Desfile, entre outros). Com a falência do grupo – antecedida pelo falecimento de Adolfo Bloch –, José Renato decidiu fixar residência na capital pernambucana, implantando aqui a Aldeia de Negócios e Marketing Ltda., desenvolvendo estratégias e ações de marketing no mercado pernambucano. E, há sete anos, surgiu o convite para que a rádio Nova Brasil FM fosse implantada na cidade. “A minha maior motivação está centrada na importância do produto Nova Brasil FM, uma magnífica programação musical de qualidade com o que fez e com o que faz sucesso na música brasileira”, afirma Renato, casado, quatro filhos (dois deles no Recife) e um neto (no Rio). Na entrevista a seguir, ele conversa sobre temas como rádio e internet, rádio digital e os quase sete anos de liderança da Nova Brasil FM no Recife.

REVISTA PRONEWS – Um fórum na internet lançou uma pergunta no mínimo polêmica, cujas reações foram as mais exaltadas possíveis. Retomando a discussão, José Renato, para que serve o rádio hoje se temos a internet?

JOSÉ RENATO – Todos os meios de comunicação são importantes. A internet é um meio de consultas rápidas, a maioria das pessoas ativas, trabalhadoras, não fica durante a semana diariamente ligada 18 ou 24 horas na internet. Os jovens estudantes e os mais idosos provavelmente ficam colados na internet muito mais tempo. A internet é um jornal mais atualizado, a notícia é veiculada com muito mais rapidez do que no jornal tradicional, que é um veículo, em última análise, formador de opinião. Assim como a importância do aviãozinho que voa nas praias com uma informação publicitária, o meio rádio tem um diferencial, que é a grande interação com o ouvinte, pois ele torna-se um veículo intimista para aquele ouvinte, ou seja, a informação do rádio, quer seja musical ou de texto, gera na pessoa um poder de imaginação e até de construir uma opinião sobre o que está ouvindo. Em outras palavras, quando a pessoa ouve no rádio uma música alegre, e naquele momento a pessoa esteja com este sentimento, ela se municia de muito mais alegria, e o inverso também se torna verdadeiro. Quando naquele momento o ouvinte está triste e ouve alguma música romântica que incita tristeza, ele se torna muito mais melancólico. A internet não transmite estes estados emocionais, ela é fria, passiva. O meio rádio, do ponto de vista jornalístico, tem muito mais agilidade do que a internet. Em qualquer lugar, com a facilidade do celular, o rádio pode desenvolver qualquer informação ou matéria instantaneamente, com muito mais velocidade do que a internet.

José Renato herdou do pai, além do nome, o gosto pela rádiodifusão

RPN – Mas há também vozes que afirmam não haver cabimento em se ouvir rádio no computador. O ato de “ouvir rádio” ainda está ligado ao fato de o som vir de um aparelhinho com antena e dial?

RENATO – A evolução tecnológica deixou alguns produtos para trás, e estes têm que se atualizar em função das mudanças abruptas dessas evoluções. Registro aqui a queda extraordinária das esponjas de aço, pois o hábito de arear panelas com o produto perdeu espaço para as panelas que já vêm fabricadas com um “plus”, para que não seja necessário passar a esponja de aço. Da mesma forma, os palitos de fósforo perderam grande espaço para os fogões que já vêm com acendedores elétricos, e por aí vai... O Rádio nasceu de experiências de emissão de ondas eletromagnéticas conduzidas pelo físico alemão Heinrich Hertz nos idos de 1889. E até hoje esse meio permanece vivo e com participações espantosas junto ao público ouvinte, mesmo considerando as evoluções sociais, pois até ele deflagrou processos de mudança de hábitos no cotidiano das pessoas. E hoje em dia, fabricantes de equipamentos de telefonia celular implantaram o sistema de recepção de rádio em seus aparelhos. O fato do meio rádio estar presente em computadores, como também em celulares, é mais um item da grande cobertura que este meio gera. Em suma, o impacto e a cobertura que o meio rádio tem são indiscutíveis.

RPN – Apesar de não ser tão democrática quanto o rádio, a internet tem um poder de influência muito grande, principalmente entre o público mais jovem. Que influência essa nova forma de comunicação teve ou tem na forma de se fazer rádio?

RENATO – Cada meio tem sua importância no processo da comunicação. A internet tem realmente um poder de informação e formação entre os jovens, pelo espaço de tempo que eles dedicam a ela. Mas não acho que a internet tenha alguma influência na produção e na execução das programações do meio rádio. A importância dela se baseia na informação e, diria também, fazendo uma alusão, que a internet seria uma grande revista, um magazine de interesse geral, com matérias específicas e até pesquisas.

RPN – Ainda falando nos jovens, como o rádio tem agido para conquistar esse público tão arisco a tudo o que não é – ou parece – moderno?

RENATO – Os jovens têm características interessantes em relação à participação no meio rádio. É bem verdade que eles se identificam com a linguagem que os comunicadores transmitem em algumas emissoras que têm programação musical e textual direcionada para eles. Porém, há uma grande necessidade desse segmento em dois assuntos: o primeiro é a enorme vontade de buscar informações, pois elas são ferramentas essenciais para sua atualização e até na sua formação de opinião. A segunda diz respeito à parte desse segmento que tem na música voltada para eles momentos de reflexão, identificação e, sobretudo, de discussão, pois, de certa forma, os jovens tradicionalmente são revolucionários e bastante temperamentais. Mas existem outros segmentos de jovens que apreciam as músicas que se eternizaram, principalmente em função da influência dos pais. Em geral, para criar e produzir uma programação em rádio, é necessária uma pesquisa qualitativa e quantitativa de mercado, que levantará quais as necessidades do público ouvinte. O foco é do ouvinte e não no ouvinte.

RPN – A respeito da rádio digital, o que de concreto temos hoje em dia em termos de ganho com a nova tecnologia, além do som cristalino?

RENATO – Pelo que se observa junto aos órgãos federais competentes, não há ainda uma definição sobre o projeto para o modelo de implantação do rádio digital no país. Seria prematuro estabelecer aqui algo sobre como ficará no Brasil esse modelo moderno na emissão de sinal. A princípio, colocaria em discussão dois motivos antecipadamente: o primeiro seria sobre o alto custo para se adquirir um receptor de imediato pela população, como também o custo para modernização ou implantação de novos transmissores. O segundo realmente se refere à extraordinária qualidade dessa emissão, cujo benefício será muito grande para as emissoras que têm programação baseada em produto musical.

RPN – Agir na melhora da qualidade do som é um consenso. Mas como a rádio digital pode forçar uma melhora na qualidade da programação das emissoras?

RENATO – As emissoras que têm programação essencialmente musical serão as mais premiadas com a qualidade da emissão de sinal digital. E acredito que essas emissoras, que já têm uma participação de audiência expressiva, não modificarão suas estratégias de programação e, gradativamente, após implantado o rádio digital, elas poderão ter acréscimos de audiência na medida em que os consumidores adquirirem seus receptores.

RPN – Presente em São Paulo, Brasília, na Bahia e em Pernambuco, como a Nova Brasil trabalha a questão da cultura ou mesmo da cena musical de cada região?

RENATO – O produto musical veiculado pela Rede Nova Brasil FM tem extraordinária audiência em todas as cidades onde opera: São Paulo, Brasília, Campinas, Salvador e Recife. Focamos especificamente os sucessos que fizeram história com os sucessos atuais da MPB. Elencamos sempre os artistas de qualquer região que fizeram e fazem sucesso até hoje. Do Nordeste temos em nossa programação Lenine, Alceu Valença, Elba Ramalho, Zé Geraldo, Zé Ramalho, Chico César, Fagner, Otto, Gal, Gil, Caetano, Daniela Mercury e Ivete Sangalo, entre tantos outros. Esses artistas são e estão consagrados em nível nacional. As músicas de sucesso de artistas que entram na mídia nacional, obviamente quando adequadas ao formato da nossa programação, são veiculadas nacionalmente pela nossa Rede Nova Brasil FM.

RPN - Já são mais de seis anos de liderança da Nova Brasil aqui no estado. A que se deve essa identificação tão grande com o público local?

RENATO – A um conjunto de fatores. Da qualidade de nosso sinal irradiado com 10 Khz, passando pela mesclagem de nossa programação musical com os sucessos que fizeram e fazem a história de nossa música e indo até, e principalmente, aos poucos intervalos comercias por hora de programação – com apenas dois intervalos comerciais por hora, cada um de três minutos de duração. Temos inclusive quatro horários na programação nos quais é veiculado apenas um intervalo comercial. Evidentemente que no início de nossa implantação no Recife realizamos uma campanha publicitária em outros meios, que possibilitaram o acesso do ouvinte que não encontrava o nosso formato de programação em outras emissoras. Outro fator determinante para o nosso sucesso reside em nossa equipe de comercialização, que de uma forma técnica conscientiza a agência de propaganda e seus anunciantes a participarem de uma programação moderna, pois entendemos que qualquer tipo de investimento tem que obrigatoriamente trazer retorno comercial. Mas a principal identificação é que não existia no mercado uma emissora que focasse na programação somente a música brasileira de qualidade. Esse nicho foi detectado pelo nosso departamento de Marketing e implantamos em nossa emissora no Recife a mesma programação dinâmica, inovadora e vencedora de outros Estados onde estamos presentes. Ações de relacionamento e promocionais que são realizadas permanentemente no mercado também fazem parte dessa identificação.

RPN - Quais os planos de expansão da rede para os próximos anos?

RENATO – Reside em nosso planejamento a intenção de abrirmos a possibilidade de afiliação com emissoras FM no Nordeste. Um dos mercados é o de Fortaleza, pela pujança que ele representa em nível nacional. Mas de imediato estamos concentrados na consolidação de nossa emissora no Recife.

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