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| Frederico Dominguez, gerente nacional de Marketing da São Braz |
Café, fubá, canjiquinha, milho para pipocas, barras de cereais... Não importa o produto. Tudo é receita de sucesso assinada em letras garrafais pela família José Carlos da Silva. Este paraibano descobriu, há 58 anos, que investir em alimentos de qualidade seria o empreendimento do futuro. A previsão se concretizou através da empresa São Braz-Indústria de Alimentos.
No começo, o empresário fez várias mudanças. A busca pela excelência dos produtos levou a empresa a ter várias razões sociais: José Carlos & Filho; Indústria e Comércio José Carlos Ltda e Comércio José Carlos S/A. Ao mesmo tempo em que se procurava uma identidade empresarial, a empresa lançou no mercado nordestino vários produtos que conquistaram o gosto popular. Uma das marcas tornou-se o cartão de visita, ou o verdadeiro merchandising do grupo. O Café São Braz é o carro-chefe que fez o nome da empresa ganhar espaço privilegiado no mercado nacional.
A unidade fabril foi instalada na cidade de Campina Grande (PB). Na década de 60, foi aberta a filial no município de Cabedelo. Hoje, ela é considerada uma das mais modernas fábricas de alimentos da América Latina e tem mais de mil funcionários. A São Braz representa a oitava torrefação do país, com produção anual de aproximadamente 200 mil sacas de café, o equivalente a 1,2 mil toneladas por ano. Atualmente, são 11 distribuidores de alimentos no Nordeste e Sudeste. Também faz parte do grupo as empresas Brazmotors, Autovia (concessionária Chevrolet), Autobraz (concessionária Fiat), Araguaia (concessionária Toyota, em Tocantins), a TV Cabo Branco, TV Paraíba, Rádios Cabo Branco FM e 101 FM, além do Jornal da Paraíba e Sercose.
A São Braz apresentou, no ano passado, um comportamento financeiro considerado recorde e otimista em relação à fase econômica do Brasil. Neste período, o aumento na capacidade de produção em quase todas as linhas abocanhou investimento de R$ 10 milhões. O resultado na ponta foi de faturamento anual na ordem de 30%. A empresa fechou com superávit de R$ 183,3 milhões. Já em 2007, o retorno foi de R$ 141,5 milhões e em 2006 foi de R$ 121 milhões. Segundo os executivos do grupo, a perspectiva para este ano é de R$ 225 milhões até dezembro. Aumento em torno de 22,7%.
Apesar da crise financeira internacional, o Grupo São Braz anuncia que este ano haverá expansão e investimento em novas unidades no país, a começar pela instalação de uma fábrica na cidade de Itatiba, interior de São Paulo. Lá, serão produzidos insumos e fornecimentos de produtos como rice crispies, barras de cereais, chocolates e laticínios para outras indústrias de várias regiões do Brasil. A nova operação da São Braz inclui uma carteira de multinacionais e empresas brasileiras. A expansão fabril chegará também ao município baiano de Luiz Eduardo Magalhães. Neste caso, a unidade receberá injeção financeira em torno de R$ 11 milhões, gerando 430 empregos para semiprocessar farinha de milho flocada e calorífico.
STATUS – A empresa foi a primeira indústria regional a apostar, em 2007, na tendência internacional de elevar o café ao status de bebida sofisticada, a exemplo do vinho. Inclusive, contratou um profissional especializado em personalizar o café como um bom “drink”, fugindo – definitivamente – da simples condição de “cafezinho”. Além disso, a São Braz tem ainda a própria tecnologia para “blendar” o café de acordo com o padrão de cada grão e após a torra. Isso significa, na prática, oferecer mais qualidade da bebida, com aroma e sabor acentuados.
Outra novidade do grupo foi barista Isabella Raposeiras. Ela é campeã de diversos concursos nacionais e representante do Brasil em competições internacionais. Raposeiras foi contratada para lançar um novo blend de café expresso, criado especialmente para o paladar nordestino, além de desenvolver um processo de torra ainda mais elaborado, seguindo padrões novos e exclusivos, dentro de uma ampla consultoria para a rede de dez Coffee Shops São Braz, espalhados pelo Nordeste.
Além disso, a empresa ganhou pelo segundo ano consecutivo (2007/2008) o 1º lugar na categoria Café Torrado e Moído, na pesquisa “Marcas que Marcam”, do Diário de Natal. A São Braz foi ainda uma das vencedoras do prêmio Carrinho de Ouro 2007, da Associação Pernambucana de Supermercados (Apes). No mesmo ano, faturou o título de melhor cafeteria com o São Braz Coffe Shop, do Midway Mall, em Natal (RN), e acumulou pela sétima vez o título de melhor cafeteria da revista Veja.
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| Vista aérea da São Braz em Campina Grande (PB) |
Com o objetivo de dar mais credibilidade ao Café São Braz – o produto mais disputado do grupo –, a empresa lançou uma campanha institucional arrojada. É o caso, por exemplo, das peças publicitárias com o ator e garoto propaganda Reynaldo Giannecchini. Para o gerente de Marketing da empresa, Fred Dominguez, é importante investir na identificação do consumidor em relação às marcas São Braz. “Sabemos do desafio de manter uma comunicação que esteja em sintonia com o comportamento do consumidor contemporâneo, sem abrir mão da historia e tradição da nossa marca” enfatiza.
Para Fred Dominguez, a receita é também manter profissionais motivados e conscientes da responsabilidade de trabalhar com uma empresa tradicional, com atuação em vários segmentos. “Temos de manter um time muito coeso e competente, pois nossos concorrentes, em diversas áreas, são empresas multinacionais bastante conceituadas no mundo”, reforça, acrescentando que a sua reflexão a respeito do sucesso da marca São Braz leva-o a acreditar cada vez mais na coerência do grupo empresarial. “Somos fiéis ao slogan institucional: produtos de qualidade. Buscamos essa qualidade incansavelmente, não só em relação aos nossos produtos, mas também no nível de serviço de atendimento ao cliente”.
Diante da crise econômica mundial, o gerente de Marketing da São Braz se diz tão otimista quanto o quadro financeiro da empresa. “O grupo vem de um plano de investimento consciente e que o deixou em excelentes condições para continuar crescendo em meio à crise”, disse, referindo-se tanto à expansão fabril, quanto à visão mercadológica. “Para o nosso mix de produtos, não houve retração de consumo e buscamos manter o ritmo de crescimento últimos anos”, comemora Fred Dominguez.
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