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   Ano X |15 de junho/15 de julho | n° 112 | Capa: Aporte Comunicação

 
TEMPORAL BAIANO
Anderson Lima

Baiana da gema, nascida na Colina Sagrada do Bonfim em pleno dia de Yemanjá e Nossa Senhora da Purificação. Esta é Suely Temporal, diretora da soteropolitana Agência de Textos. Jornalista com pós-graduação em Marketing e Propaganda, Suely iniciou na área como repórter da TV Itapoan. Atuou ainda no Jornal da Bahia e Bahia Hoje (extintos) e no Correio da Bahia – exercendo as funções de repórter, pauteira e chefe de reportagem –; na Band Bahia (como chefe do departamento de Jornalismo) e na rádio Itaparica FM, bem como em Marketing Político em diversas campanhas municipais e estaduais, além de outros veículos e empresas. “Quando comecei minha carreira, queria ser apenas repórter. Entretanto, o mercado me levou a trabalhar em assessoria. Hoje me sinto realizada com meu trabalho, tanto que, ano passado, fui contemplada com o prêmio ABMP 2008 como melhor profissional de assessoria de comunicação do estado da Bahia”, afirma. Ela também foi premiada pela Associação Bahiana de Imprensa e pela Assembleia Legislativa do Estado. Atualmente, cursa a especialização em Jornalismo e Convergência Midiática da Faculdade Social da Bahia. Já a Agência de Textos surgiu a partir de uma necessidade. Suely atuava como assessora de imprensa em entidades e instituições como pessoa física, sendo demandada com frequencia para realizar trabalhos freelancers para empresas privadas. “Fazia esse trabalho de freela em parceria com minha grande amiga, a jornalista Cíntia Medeiros, que é minha sócia há mais de dez anos. Com o crescimento da demanda, vimos a necessidade de montarmos uma estrutura para podermos atender mais e melhor. Daí surgiu a Agência de Textos”, relembra. Casada, mãe de duas filhas (uma com 19 e outra com 14 anos), essa aquariana bem humorada e de sorriso fácil tira sua inspiração do amor pela atividade que realiza. “Cada dia é um desafio. Sempre digo que na nossa profissão a gente tem que matar um leão por dia. É muita luta, muito estresse, mas eu gosto. É isso que me move, que me faz abrir os olhos e levantar todas as manhãs”, afirma. “Não sou de me incomodar muito com as coisas, mas quando algo me incomoda, todos ficam sabendo. Sou assim: transparente. Não engulo desaforo, mas já engoli sapo. Tem dias em que sou uma rosa. Em outros, sou espinho. Gosto de trabalhar, gosto da minha profissão, respeito meus colegas, tenho muitos amigos, encaro desafios, sou emotiva (choro vendo filmes e novelas), gosto de cantar (canto em um coral, sou soprano), gosto de praia, mas tenho preguiça de ir, gosto de um bom livro e adoro Internet. Raramente me engano com as pessoas. Sou míope, mas enxergo longe”, revela-se.

REVISTA PRONEWS – Suely, quanto vale um assessor de imprensa?

SUELY TEMPORAL – Depende do assessor. Se for um profissional que trabalha com ética e respeito aos colegas, aos clientes e às fontes, vale muito! Mas se você me perguntar qual o valor da função do assessor de imprensa em uma corporação, eu direi que é altíssimo. É mais que isso: é uma função estratégica. E tem mais, a comunicação com a imprensa não deve ser feita por qualquer profissional.

RPN – Qual deve ser o perfil do profissional que atua na área?

SUELY – Deve um profissional qualificado, que tenha vivência e conhecimento sobre o funcionamento das redações e do modus operandi dos jornalistas. Ética e transparência são outras características imprescindíveis a um assessor de imprensa.

RPN – Ainda cabe, hoje em dia, essa polêmica sobre se o assessor de imprensa é ou não jornalista?

SUELY – A comunicação é múltipla, e ela requer muitas habilidades. Mas penso que, para lidar com a imprensa especificamente, o profissional mais adequado é mesmo um jornalista. Isso inclusive facilita a comunicação e cria uma empatia com o jornalista do veículo, porque ele sabe que seu interlocutor tem a mesma formação que ele. Por outro lado, o assessor de imprensa que é jornalista fala com mais facilidade ao colega, além de dominar a linguagem e a técnica do texto jornalístico. Isso ajuda muito. Porém, a comunicação corporativa pode e deve ser exercida por uma equipe multidisciplinar, com relações públicas, publicitários, analistas de Marketing e jornalistas. São profissionais que se completam. Eu mesma sou uma jornalista com vivência de redação e especialização em Marketing e Propaganda. Essa especialização não faz de mim uma publicitária, mas me dá um novo olhar sobre a comunicação e sobre o meu trabalho.

RPN – Que características comporiam o bom assessor de imprensa?

SUELY – Bom relacionamento, bom conteúdo e bom texto. Esse é o tripé básico que sustenta a atividade do bom assessor de imprensa. Tem que ter os três. Não adianta ter apenas um ou dois. Já houve um tempo em que bastava ter um bom relacionamento para “emplacar uma notinha”. Só que o tempo de “emplacar notinha” ficou para trás. Hoje é preciso ter conteúdo. Precisa ter a notícia. É preciso ter um bom texto, e o bom relacionamento é a cereja do bolo.

RPN – Como deve ser a relação entre assessor de imprensa e jornalista de redação?

SUELY – Respeito e ética cabem em todo lugar, em especial nessa relação entre assessor de imprensa e jornalista de veículo. Transparência também é fundamental, e nunca, mas nunca mesmo, deve-se misturar a amizade com o trabalho.

RPN – Qual a importância do follow up?

SUELY – O follow up é uma atividade polêmica, porém fundamental. Muitos jornalistas não gostam de receber ligações dos assessores de imprensa e muitos assessores de imprensa não gostam de fazer o follow up. Porém, ele é necessário, por isso é que o relacionamento e o conteúdo são tão importantes. Se o assessor liga para os jornalistas desnecessariamente, ele é conhecido como um chato. No entanto, quando o assessor liga sempre com informação de qualidade, ele é bem atendido. Afinal, faz parte da profissão do repórter falar também com o assessor de imprensa, ainda que ele não goste. Aqui na Agência de Textos, por exemplo, temos o cuidado de selecionar a informação. Ou seja, não é tudo o que o cliente deseja que se transforma necessariamente em um release. É preciso ter critério para saber julgar o que é notícia e o que não é notícia entre as informações disponibilizadas pelo cliente. E essa identificação da notícia é mais facilmente feita por um jornalista. É preciso ter cuidado também com o texto. Ter um texto claro, preciso, conciso e objetivo ajuda muito. Se você é identificado como aquele assessor bem informado que sempre pode dar boas dicas de pauta, não tem como se transformar no chato de plantão. Agora, se o assessor liga para bater papo só porque acha que é amigo do jornalista, este, sim, é o mala sem alça!

RPN – Assessoria de imprensa não é apenas jornalismo, incluindo em seu dia a dia questões administrativas também. Os profissionais que parte para atuar na área têm se preparado corretamente para cumprir esses quesitos dentro da empresa?

SUELY – preciso saber separar bem as coisas. Entendo que a Assessoria de Imprensa é basicamente jornalismo, só que do outro lado do balcão. Mas que a Assessoria de Comunicação envolve outras habilidades e capacitações, além do jornalismo. Assessoria de Imprensa é uma parte da Assessoria de Comunicação. A Comunicação Corporativa é mais abrangente, porque é o processo através do qual as empresas se comunicam com seus diversos públicos. Por isso, dominar as novas tecnologias é primordial para qualquer profissional. Ainda sou do tempo da máquina de escrever. No entanto, migrei para o computador sem dificuldade. Agora vivemos a era digital com o mundo trabalhando em redes. Saber trabalhar nesse ambiente é essencial. Também é importante conhecer o mundo da comunicação corporativa. Aqui geralmente damos preferência àqueles profissionais que têm pós-graduação em comunicação corporativa ou em alguma outra área afim. Na Bahia, até por uma questão de mercado, percebo que os profissionais estão cada vez mais empenhados nessa capacitação.

RPN - Em relação aos empresários brasileiros, eles têm dado o devido valor à comunicação, tanto interna quanto externa?

SUELY – A comunicação interna é considerada como o patinho feio. A que tem menos verba, a menos valorizada. Mas isso não quer dizer que ela seja menos importante. Na realidade, ela é tão importante quanto a comunicação externa. Afinal o empregado, o colaborador, ou seja qual for o nome que se dê à pessoa que trabalha na empresa, é seu primeiro e principal divulgador. Se eu preciso ir a um hospital ou a uma loja e meu vizinho, que trabalha nesse hospital ou nessa loja, fala mal da empresa, dificilmente eu irei lá. Cada vez mais as pessoas estão se deixando influenciar por cidadãos comuns. Por isso, não adianta a empresa gastar milhões com campanhas externas quando seu principal difamador está dentro de casa. É preciso criar ambientes positivos e a comunicação interna é uma das ferramentas para se conseguir isso. Talvez exista, por parte de algumas empresas, falta de visão do que é realmente a comunicação e como tirar um bom proveito dela. Muitos empresários acham que, ao contratar um assessor de imprensa ele, ou a empresa dele vai estar todos os dias na mídia, quando não é assim. É como comprar um avião. De nada adianta comprar um Boeing se a pessoa não souber para onde vai. Como falei antes, comunicação é um processo estratégico. Nem todos entendem isso.

RPN - Que consequências esse comportamento poderia ter para os negócios?

SUELY – Uma comunicação interna mal feita pode ser um desastre para os negócios. A “rádio peão” ou “rádio corredor” é muito rápida em gerar boatos ou em propagar notícias distorcidas. Por isso, os canais de comunicação interna são tão importantes. Entretanto, assim como na comunicação externa, na comunicação interna também é preciso ter estratégia. Não pode ser feita por qualquer pessoa. É comum nas empresas que essa comunicação seja feita pelo departamento de RH. Mas isso é um equívoco! A comunicação interna envolve demandas de RH, mas não deve ser feita pelo assistente social ou pelo psicólogo da empresa, pois eles não têm formação específica para isso.

RPN - Que papel o profissional deve assumir – ou já deveria estar assumindo – na crise atual?

SUELY – Em momentos de crise, antecipar-se é sempre uma boa estratégia. Eu mesma estou fazendo uma nova pós-graduação, em Convergência Midiática, que é uma tendência da comunicação. Isso vai me capacitar melhor para trabalhar com as novas mídias e as redes sociais. O bom profissional não para nunca, está sempre se reciclando e se qualificando. Em tempos de crise, isso é ainda mais necessário.

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