|
Natural de Fortaleza (CE), Eduardo Gaspar deu início à trajetória de sucesso no Banco do Nordeste do Brasil (BNB) ainda como “cabista”, em 1987, aos 17 anos. O termo, como ele explica, era usado para designar as pessoas que faziam o curso de aprendizagem ou habilitação bancária (antigo CAB/CHB). “Após um ano de treinamento e estágio em diversas áreas do banco, fui para a então agência de Porto Alegre (RS), uma agência basicamente de captação de investimentos”, relembra ele. Na cidade, entrou na faculdade de comunicação da PUC, onde se formou. Antes, porém, a agência foi fechada e Gaspar pediu licença do banco, acrescentando ao currículo – enquanto estudava – a experiência em agência de propaganda e em empresa de pesquisa de mercado, na área de marketing imobiliário e na afiliada da Globo no estado (a RBS TV). “Ao final do curso, voltei para o banco, onde trabalhei nas áreas de Recursos Humanos e Marketing. Até vir para a área de Comunicação, onde gerencio a célula de publicidade do banco”, explica Gaspar, um dos fundadores também de uma importante agência de publicidade fortalezense (“Saí da sociedade entendendo que não era o momento, e com interesse em dar continuidade à minha carreira no banco”). Casado e com dois filhos, Eduardo Gaspar busca inspiração na vida em família e no convívio com as pessoas.
REVISTA PRONEWS – É possível imaginar como seria o Nordeste sem o trabalho desenvolvido pelo Banco do Nordeste ao longo desses 57 anos de existência?
EDUARDO GASPAR – Difícil. O banco contribuiu e tem contribuído muito no processo de desenvolvimento e inserção da região na economia nacional. Hoje, não se vê o Nordeste excluído do processo de crescimento do país, mas como participante ativo dele.
RPN – Já é bem comum ouvir que o Brasil é um país formado por vários Brasis. Seguindo essa linha, não deve ser equivocado afirmar que o Nordeste é uma região constituída por diversos Nordestes. De que modo o BNB dialoga com todas as facetas do povo que habita essa região?
EDUARDO – A comunicação reflete a realidade multifacetada da economia e das atividades exercidas na região. É, portanto, direcionada, de forma adequada, aos múltiplos públicos. A diversidade de meios hoje existentes permite essa segmentação de forma cada vez mais técnica. Sem esquecer o poder de interdisciplinaridade e influência de um meio sobre outros. Atingimos de forma diferente o formador de opinião, o jornalista, o agricultor familiar, o microempreendedor urbano do setor informal, o grande empresário, o executivo de um grande grupo empresarial, o pesquisador acadêmico. Todos são clientes do banco, de alguma forma. Todos são merecedores da atenção e da comunicação apropriada do banco, que, na condição de empresa pública, tem obrigação de dar publicidade a seus atos. Além da necessidade mercadológica de dar conhecimento de seus produtos aos clientes atuais e potenciais.
RPN – Quando o assunto é publicidade, que valores a instituição procura ressaltar?
EDUARDO – O banco procura ressaltar a capacidade de trabalho do nordestino, sua diversidade e a potencialidade de cada um e da região de prosperar. O Nordeste é mostrado como oportunidade de investimento para empreendedores locais e de fora. Suas tradições são valorizadas, mas a modernidade também está presente em diversos aspectos da vida nordestina. A comunicação é muito pautada pela exemplaridade, com destaque para casos de sucesso de empreendimentos financiados nos mais diversos portes e setores. São importantes também os diferencias das condições do banco em relação às do mercado, em relação a taxas e prazos.
RPN – De que forma se dá a resposta para essa exposição?
EDUARDO – O banco tem crescido em aplicações e reconhecimento. Em 2002, para se ter uma ideia, aplicou R$ 1,408 bilhão; e, em 2008, R$ 13,2 bilhões. Um crescimento notável. Todos os setores em que o banco atua têm obtido resultados significativos. Isso reflete todo um esforço interno e o ambiente favorável da economia nacional e nordestina. A comunicação colabora com esse processo, inserindo-se em um contexto de responsabilidade coletiva pelos bons resultados.
RPN – No ano passado, o BNB bateu o próprio recorde histórico em operações de crédito, o que contribuiu para sua inclusão no ranking das 500 marcas de banco mais valiosas do mundo. Qual a importância do feito para a instituição?
EDUARDO – Significa mais um reconhecimento de um trabalho que vem sendo aprimorado ao longo do tempo. Do acúmulo de conhecimento e da aplicação dessa experiência em prol da missão do banco, que é, em resumo, promover o desenvolvimento, a melhoria da qualidade de vida dos nordestinos. Diretamente para os negócios, além do resultado do trabalho em si, leva à consciência de que se está associado a uma marca valiosa e reconhecida.
RPN – Além de promover o desenvolvimento econômico da região, o BNB também atua em outra frente: a da cultura. Como esse trabalho é desenvolvido e que importância a instituição credita à cultura?
EDUARDO – O banco entende que a cultura é parte do projeto estratégico de desenvolvimento do Brasil. Ao longo dos últimos seis anos, temos ampliado e aprofundado a atuação na cultura, de modo a inserir o prazer de desfrutá-la como direito social básico e condição fundamental para o pleno exercício democrático. Para se obter êxito em uma política de desenvolvimento econômico, social e sustentável para o Nordeste, faz-se necessária uma atuação relacionada à elevação da auto-estima de seu povo e à consciência do valor de suas identidades culturais. Dessa forma, a atuação do banco na área cultural, se baseia em três pilares: democratização do acesso às manifestações artístico-culturais; apoio à produção, circulação e formação artístico-cultural; e concessão de crédito às atividades econômicas da cultura. O banco possui três centros culturais, respectivamente, em Fortaleza (CE), Sousa (PB) e Juazeiro do Norte (CE). Neles, há uma extensa programação que reforça a identidade cultural local e expõe atrações com o objetivo de formar platéias e discutir a produção e conteúdo culturais. Realizamos ainda editais de seleção de eventos e manifestações para serem patrocinadas em toda a região de atuação do banco.
RPN – O que seria a Carta de Fortaleza e o que já foi obtido de conquistas desde sua assinatura?
EDUARDO – A Carta foi um documento, resultado do II Seminário de Mudanças Climáticas – evento realizado em 2008, em Fortaleza –, que alertava as lideranças e a mídia sobre a vulnerabilidade do Nordeste à desertificação. Ela informa que as mudanças do clima podem intensificar a degradação do solo, o comprometimento dos ecossistemas e a desigualdade de acesso à água. Tal situação provocará impactos em vários setores da economia como agricultura, turismo, pecuária e indústria. A resposta para esses problemas, segundo consta na Carta, reside no investimento em pesquisa para conhecer melhor o cenário de variações climáticas e, assim, criar políticas públicas de adaptação por meio da educação e da capacitação profissional. As instituições responsáveis devem avançar no planejamento e na gestão de recursos naturais enquanto cabe à universidade e aos formadores de opinião disseminar informações e divulgar a importância do engajamento de governantes e cidadãos em efetivar essas ações. A mudança cultural é um processo democrático que segue ritmo próprio. Tem havido conscientização cada vez maior na população e se detecta mobilização de órgãos públicos no sentido de intensificar as pesquisas e criar as políticas adequadas.
|