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Ele é sinônimo de alegria. Um humor meio carnavalesco. Uma energia que contagia além-mar. Talvez seja exatamente por tudo isso que Bubuska Valença não se deixa passar despercebido. Também pudera. Com quase dois metros de altura, cabelos e barbas longos e um jeito meio Woodstock de ser, não seria mesmo possível lhe ser indiferente. Quem o conhece de perto naturalmente é tomado pela curiosidade sobre sua jovialidade aos 55 anos. Uma inquietação que o revela um dos maiores divulgadores da música pernambucana. Esse taurino nascido no Recife não sabe fazer outra coisa que não seja pensar e criar sons que despertem a folia. “A vida toda sempre fui isso”, diz, como se conseguisse em poucas palavras se definir com um homem comum.
Desde a adolescência, Bubuska encontrou nos ritmos o meio de colocar seu talento à prova. Tornou-se cantor, compositor e instrumentista. Guarda na memória histórias marcantes da sua vida de artista. ”Meu primeiro cachê foi tocando agogô com Luiz Gonzaga”, revela, com grande orgulho. O mesmo sentimento que tem ao contar que, aos nove anos de idade, foi preso porque tocava samba em frente a uma igreja. Nada disso influenciaria mais a vida de Bubuska do que suas ideias mirabolantes. Foi ele quem criou o Trio Elétrico Asas da América e o Bloco Aquático Galinha D'Água.
Irrequieto como nunca, inventou também a Rádio Buska: uma estrutura de mini-trio elétrico dentro de um automóvel Buggy, modelo Baja Californiano. Nele, instalou equipamentos de som com 300 watts e rodou quilômetros, levando as próprias canções e o frevo pernambucano. Suas invencionices não pararam por aí. Durante a Copa do Mundo de Futebol na Itália, foi àquele país para divulgar seu então recém-lançado disco Camelô. Num de seus passeios de gôndola em Veneza – onde tocava violão para quem quisesse ouvir –, teve a ideia de construir um barco musical. Foi aí que ele teve seu destino transformado.
BOA VIAGEM – A construção de um barco estilo caravela, todo em madeira de lei, foi projetado para ser um palco flutuante. A novidade foi a principal atração do verão de 1993, numa das praias mais baladas do estado. Por onde passava, nos oito quilômetros de orla de Boa Viagem, o som produzido por Bubuska e sua trupe ganhou o primeiro e único espaço alternativo para festas, eventos e mídia no mar. Banhistas e turistas escutam de longe músicas, trilhas e jingles que chegam à orla através de 20 mil watts de potência do barco Águas da Boa Viagem.
Com a imaginação fervilhando, Bubuska está agora investindo nada menos que um milhão de dólares na segunda versão da caravela. A embarcação está em fase final de construção e foi batizada de Águas do Brasil. O segundo palco flutuante – que tem 100 mil watts de som – vai conquistar outros mares. Assim que estiver pronto, no próximo mês, o barco seguirá viagem ao Rio de Janeiro, onde o artista pretende implantar o mais arrojado projeto de propaganda alternativa, além da promoção de eventos para conquistar o gosto dos dois milhões de banhistas que circulam pelas praias cariocas. “Minhas embarcações são inéditas no Brasil”, comemora Bubuska, confiante por saber usar esse meio a serviço do que ele chama de propaganda aquática. Empolgado com seu portfólio (que vai da Rede Globo Nordeste ao McDonald's), Bubuska é um daqueles homens que não medem esforços para realizar seus sonhos - mesmo que eles pareçam malucos e inusitados: “Eu sou a alma dos meus negócios”, diz, como um mantra de sucesso.
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