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Patrícia Natuska, Multi Comunicação (PE) |
Lentidão no fluxo de informações, atraso no feedback com a imprensa, impossibilidade de evitar erros nas transmissões de notícias aos principais veículos de imprensa do país. Essas foram as desculpas divulgadas em nota pela Secretária de Comunicação da Presidência da República (Secom), a fim de justificar a criação de um cargo nas assessorias dos órgãos públicos do país, o gestor de comunicação pública (GCP).
Com a missão de regular as informações que circulam internamente, os GCPs poderão substituir os antigos técnicos em comunicação social (TCSs) que atuam nas assessorias dos órgãos federais. Apesar do diferente nome, as atividades dos GCPs equivalem às de um assessor de imprensa. “Apesar das mesmas atividades que executam, acredito que um gestor de comunicação pública tem como meta estabelecer a relação entre o corporativismo e o marketing público e a mídia governamental”, explica a coordenadora do curso de Comunicação Social da Faculdade Pernambucana (FAPE), Marta Rocha. Ela ainda salienta: “Algumas habilidades infelizmente não foram capacitadas nos antigos TCSs, e essa falta de reciclagem foi culminante para a criação do cargo de gestor”.
Apesar do pedido de esclarecimento da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a Secom pretende divulgar o edital para concurso de Gestor de Comunicação Pública no início de 2010, onde serão estipulados salários a partir de R$ 2,5 mil.
Em contrapartida, os técnicos em comunicação social (TCSs) se organizaram, criando grupo para reestruturar sua profissão. Com o apoio da representante do Departamento de Mobilização, Negociação Salarial e Direito Autoral da Fenaj, Márcia Quintanilha, os TCSs tentam adiar a criação do cargo de gestor, que poderá ser anunciada em outubro desse ano, no XII Encontro Nacional de Jornalistas em Assessorias de Comunicação (Enjac). “Acredito que os profissionais já atuantes na área deveriam ser ouvidos, antes de se criar um novo cargo que os possa substituí-los”, explica Quintanilha.
O OUTRO LADO DA MOEDA – Apesar dessa mudança nos órgãos públicos de todo país, há quem acredite que tais modificações podem facilitar a gestão da comunicação. “Mas tudo depende da forma como a função é criada. O cargo de gestor de comunicação vai trazer muitas novidades. Uma delas vai estar na hora da divulgação de ações estratégicas das mídias governamentais”, responde a sócia-diretora da Multi Comunicação (PE), Patrícia Natuska. Ela ainda enfatiza que, as agências de assessoria de comunicação e relações públicas podem, inclusive, auxiliar o trabalho. Seja com planejamento, assessoria de imprensa, clipping, media-training, entre outros serviços. De acordo com o membro da Associação Brasileira de Imprensa, em Alagoas, e jornalista Oswaldo Augusto Leitão, “a criação do cargo de gestor de comunicação pública pode acarretar em duas profissões que já existem, pois os TCSs já desempenham as mesmas atividades que os GCPs irão desenvolver”. Em nota, o grupo de TCSs liderados por Augusto Leitão afirma que os mais de 600 cargos pertencentes aos técnicos em comunicação social irão ser desperdiçados, pois todos os profissionais, além de formados, precisaram fazer concursos para serem aprovados e aceitos nos cargos.
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