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pe360graus
  Ano X | Outubro - 2009 | nº 115 | Capa: Ampla Comunicação (PE)
     




RÓTULO, DESIGN E INFORMAÇÃO

"Nós nos preocupamos para que os produtos venham bem embalados, a fim de evitar danos ao conteúdo, e que tenham todas as informações necessárias para um melhor entendimento por parte do consumidor no momento da compra."

Robson Alves, Grandes Redes da Netuno


 
  Robson Alves, Grandes Redes da Netuno

Os rótulos são os grandes responsáveis pela venda dos produtos. Diferente do que muita gente pensa, a rotulagem vai além da gravura e da marca estampada na embalagem. É,, na verdade, uma grande estratégia de marketing que movimenta boa parte do mercado de design. Eles atraem, conquistam e, acima de tudo, precisam instruir o consumidor. Por isso, toda informação estampada no produto é fiscalizada.

Para cada segmento de produto existe um órgão regulamentador. No de gênero alimentício, por exemplo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é quem faz a fiscalização. Os rótulos dos alimentos precisam obrigatoriamente conter informações de designação do produto, como lista de ingredientes, peso líquido, identificação sobre a origem, lote e prazo de validade. Eles devem trazer ainda a identificação do importador, no caso de alimentos importados, e instruções de preparo quando o produto não estiver pronto para o consumo. Além disso, devem trazer a rotulagem nutricional e descrição para os produtos que utilizam o corante tartrazina em sua formulação, por haver grande índice alérgico no ingrediente.

No Brasil ainda não existe nenhuma lei que obrigue a identificação de substâncias alérgicas. Porém, há a obrigatoriedade de advertência: “Contém glúten” ou “Não contém glúten”, definida na Lei nº. 10674/2003, direcionada aos portadores de doença celíaca – intolerância permanente ao glúten - e “Fenilcetonúricos: contém fenilalanina” para fenilcetonúricos – que é uma disfunção do metabolismo.
 
  Dorival Lima, ilustrador e designer
“A vigilância sanitária na área de alimentos tem avançado muito nos últimos anos. Primeiro, foi o glúten, hoje já temos como obrigatoriedade o '0% de gordura trans'. Acreditamos que o consumidor brasileiro pode ter segurança com relação às informações declaradas no rótulo dos alimentos”, afirmou o assessor de imprensa da Anvisa, Danilo Molina.

O código de defesa do consumidor teve um grande avanço quanto aos rótulos dos produtos nacionais. Segundo o designer e diretor da Herbert Perman Design (PE), Fred Perman, é difícil de imaginar que até pouco mais de uma década, os fabricantes não tinham de apresentar nenhuma informação na embalagem dos seus produtos. “Hoje, o consumidor e o próprio mercado estão bem mais maduros e conscientes. Existe uma cobrança muito grande nesse sentido. E acredito que os rótulos contêm, sim, as principais informações, mas claro que as coisas evoluem e novas necessidades e demandas são criadas”.

Analisar a rotulagem dos produtos não é dever apenas dos órgãos de fiscalização. Até porque isso não se restringe apenas ao fato de constar a informação, mas se ela está clara para o consumidor. Será que essas informações ficam realmente entendíveis pra o consumidor? De quem é o papel de esclarecer essas informações e como eles se preocupam com o consumidor? É ai onde entra a figura do designer. Esse profissional, além de desenhar um rótulo atraente e buscar exibir o maior número de informações, precisa se preocupar com a clareza, informando da forma mais simples, para que todos os consumidores possam entender.

A maior preocupação do diretor da Quadrante Design (MA), João Raposo, ao fazer um rótulo, é que ele seja reconhecido e compreendido pelas pessoas a quem se destina. “Omaior erro é fazer um projeto cujo foco não seja o consumidor. Além disso, o rótulo deve ser um elemento de distinção do produto, destacando-o na prateleira”, Raposo completa que costuma ver rótulos confusos e difíceis de ler. “O papel do designer é traduzir essas informações da melhor maneira possível, conciliando legibilidade e uma quantidade infinita de informações com a necessidade do produto se destacar e conquistar a preferência do consumidor”.
 
  "O rótulo de um produto é o cartão de apresentação aos consumidores, possíveis investidores e frente aos concorrentes."
João Raposo, Quadrante Design (MA)
   

Na hora de encomendar um rótulo, a cobrança da empresa também é imprescindível. É necessário que o empresário analise o quão atraente ficou sua embalagem, afinal ele é quem decide como acondicionar seu produto. “Nós nos preocupamos para que os produtos venham bem embalados, a fim de evitar danos ao conteúdo, e que tenham todas as informações necessárias para um melhor entendimento por parte do consumidor no momento da compra. Também atentamos para a regulamentação, principalmente do Ministério da Agricultura”, afirmou o gerente de Grandes Redes da Netuno, Robson Alves. Ele ressalta que a marca da Netuno foi criada para que o consumidor soubesse imediatamente que a empresa trabalhava com frutos do mar, por isso a escolha do deus do mar como mascote. Porém, era necessário ampliar, e daí surgiu o conceito “Netuno, a sua marca de pescados", utilizando a imagem dos zarpões do Netuno em destaque.

Com toda a competitividade que existe hoje no mercado, é muito importante para toda empresa que quer se destacar ter um bom desenho nas etiquetas e rótulos de seus produtos. Elas permitirão diferenciar a sua empresa da concorrência e atrair a atenção dos consumidores. As etiquetas desenhadas com excelência comercial e estética fazem toda a diferença na hora da escolha do consumidor, principalmente quando o produto não temumincentivo publicitário.

Vale destacar que a concepção do mascote da Netuno foi bem traduzida pelo designer e ilustrador Dorival Lima (PE), que também faz rótulos e embalagens. “É preciso saber entender os fatores psicológicos que permeiam a mente do consumidor ao escolher uma embalagem. Ele quer transparência nas informações, junto com a praticidade. Os recursos usados para prender sua atenção fazem parte da criatividade do profissional que o elabora, desde um mascote até o rótulo criativo”. Quando não há investimento em publicidade, isso significa que o rótulo ou a embalagem do produto é a sua única forma de comunicação com o público consumidor. “O que só reforça a importância de uma embalagem bem pensada do ponto de vista estratégico. Nada pior para um bom produto do que uma embalagem ruim, que não traduza o potencial da mercadoria”, declara Perman.

A imagem de uma empresa depende de como seus produtos são vistos pelos consumidores. “Para que uma empresa ganhe espaço no mercado e tenha bons níveis de venda, não basta somente oferecer produtos de melhor qualidade, é necessário desenvolver a parte gráfica, que expresse o profissionalismo da empresa. Neste sentido, as etiquetas e rótulos são peças fundamentais da identidade corporativa de uma companhia. A aparência da etiqueta ou rótulo que impactar o cliente em primeiro lugar é o que o levará a decidir se um produto vale a pena ou não, já que nestes casos a primeira impressão é a que conta”, explica João Raposo. Ele completa: “o rótulo de um produto é o cartão de apresentação aos consumidores, possíveis investidores e frente aos concorrentes”.

     
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