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Robson Alves, Grandes Redes da Netuno |
Os rótulos são os grandes responsáveis pela venda dos produtos. Diferente do que muita gente pensa, a rotulagem vai além da gravura e da marca estampada na embalagem. É,, na verdade, uma grande estratégia de marketing que movimenta boa parte do mercado de design. Eles atraem, conquistam e, acima de tudo, precisam instruir o consumidor. Por isso, toda informação estampada no produto é fiscalizada.
Para cada segmento de produto existe um órgão regulamentador. No de gênero alimentício, por exemplo, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) é quem faz a fiscalização. Os rótulos dos alimentos precisam obrigatoriamente conter informações de designação do produto, como lista de ingredientes, peso líquido, identificação sobre a origem, lote e prazo de validade. Eles devem trazer ainda a identificação do importador, no caso de alimentos importados, e instruções de preparo quando o produto não estiver pronto para o consumo. Além disso, devem trazer a rotulagem nutricional e descrição para os produtos que utilizam o corante tartrazina em sua formulação, por haver grande índice alérgico no ingrediente.
No Brasil ainda não existe nenhuma lei que obrigue a identificação de substâncias alérgicas. Porém, há a obrigatoriedade de advertência: “Contém glúten” ou “Não contém glúten”, definida na Lei nº. 10674/2003, direcionada aos portadores de doença celíaca – intolerância permanente ao glúten - e “Fenilcetonúricos: contém fenilalanina” para fenilcetonúricos – que é uma disfunção do metabolismo.
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Dorival Lima, ilustrador e designer |
“A vigilância sanitária na área de alimentos tem avançado muito nos últimos anos. Primeiro, foi o glúten, hoje já temos como obrigatoriedade o '0% de gordura trans'. Acreditamos que o consumidor brasileiro pode ter segurança com relação às informações declaradas no rótulo dos alimentos”, afirmou o assessor de imprensa da Anvisa, Danilo Molina.
O código de defesa do consumidor teve um grande avanço quanto aos rótulos dos produtos nacionais. Segundo o designer e diretor da Herbert Perman Design (PE), Fred Perman, é difícil de imaginar que até pouco mais de uma década, os fabricantes não tinham de apresentar nenhuma informação na embalagem dos seus produtos. “Hoje, o consumidor e o próprio mercado estão bem mais maduros e conscientes. Existe uma cobrança muito grande nesse sentido. E acredito que os rótulos contêm, sim, as principais informações, mas claro que as coisas evoluem e novas necessidades e demandas são criadas”.
Analisar a rotulagem dos produtos não é dever apenas dos órgãos de fiscalização. Até porque isso não se restringe apenas ao fato de constar a informação, mas se ela está clara para o consumidor. Será que essas informações ficam realmente entendíveis pra o consumidor? De quem é o papel de esclarecer essas informações e como eles se preocupam com o consumidor? É ai onde entra a figura do designer. Esse profissional, além de desenhar um rótulo atraente e buscar exibir o maior número de informações, precisa se preocupar com a clareza, informando da forma mais simples, para que todos os consumidores possam entender.
A maior preocupação do diretor da Quadrante Design (MA), João Raposo, ao fazer um rótulo, é que ele seja reconhecido e compreendido pelas pessoas a quem se destina. “Omaior erro é fazer um projeto cujo foco não seja o consumidor. Além disso, o rótulo deve ser um elemento de distinção do produto, destacando-o na prateleira”, Raposo completa que costuma ver rótulos confusos e difíceis de ler. “O papel do designer é traduzir essas informações da melhor maneira possível, conciliando legibilidade e uma quantidade infinita de informações com a necessidade do produto se destacar e conquistar a preferência do consumidor”.
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"O rótulo de um produto é o cartão de apresentação aos consumidores, possíveis investidores e frente aos concorrentes."
João Raposo, Quadrante Design (MA) |
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Na hora de encomendar um rótulo, a cobrança da empresa também é imprescindível. É necessário que o empresário analise o quão atraente ficou sua embalagem, afinal ele é quem decide como acondicionar seu produto. “Nós nos preocupamos para que os produtos venham bem embalados, a fim de evitar danos ao conteúdo, e que tenham todas as informações necessárias para um melhor entendimento por parte do consumidor no momento da compra. Também atentamos para a regulamentação, principalmente do Ministério da Agricultura”, afirmou o gerente de Grandes Redes da Netuno, Robson Alves. Ele ressalta que a marca da Netuno foi criada para que o consumidor soubesse imediatamente que a empresa trabalhava com frutos do mar, por isso a escolha do deus do mar como mascote. Porém, era necessário ampliar, e daí surgiu o conceito “Netuno, a sua marca de pescados", utilizando a imagem dos zarpões do Netuno em destaque.
Com toda a competitividade que existe hoje no mercado, é muito importante para toda empresa que quer se destacar ter um bom desenho nas etiquetas e rótulos de seus produtos. Elas permitirão diferenciar a sua empresa da concorrência e atrair a atenção dos consumidores. As etiquetas desenhadas com excelência comercial e estética fazem toda a diferença na hora da escolha do consumidor, principalmente quando o produto não temumincentivo publicitário.
Vale destacar que a concepção do mascote da Netuno foi bem traduzida pelo designer e ilustrador Dorival Lima (PE), que também faz rótulos e embalagens. “É preciso saber entender os fatores psicológicos que permeiam a mente do consumidor ao escolher uma embalagem. Ele quer transparência nas informações, junto com a praticidade. Os recursos usados para prender sua atenção fazem parte da criatividade do profissional que o elabora, desde um mascote até o rótulo criativo”. Quando não há investimento em publicidade, isso significa que o rótulo ou a embalagem do produto é a sua única forma de comunicação com o público consumidor. “O que só reforça a importância de uma embalagem bem pensada do ponto de vista estratégico. Nada pior para um bom produto do que uma embalagem ruim, que não traduza o potencial da mercadoria”, declara Perman.
A imagem de uma empresa depende de como seus produtos são vistos pelos consumidores. “Para que uma empresa ganhe espaço no mercado e tenha bons níveis de venda, não basta somente oferecer produtos de melhor qualidade, é necessário desenvolver a parte gráfica, que expresse o profissionalismo da empresa. Neste sentido, as etiquetas e rótulos são peças fundamentais da identidade corporativa de uma companhia. A aparência da etiqueta ou rótulo que impactar o cliente em primeiro lugar é o que o levará a decidir se um produto vale a pena ou não, já que nestes casos a primeira impressão é a que conta”, explica João Raposo. Ele completa: “o rótulo de um produto é o cartão de apresentação aos consumidores, possíveis investidores e frente aos concorrentes”.
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