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As egüinhas pocotós da mídia
As programações das TVs, salvo raras,
raríssimas exceções, atingiram
um nível de mediocridade assustador. E, pelo
jeito, vão continuar mantendo o que se vê,
sem qualquer constrangimento. Com a desculpa de brigar
pela audiência, as emissoras mergulharam na vala
comum. As pegadinhas são uma praga que infestou
todos os canais. Os realitys shows transformaram eventuais
noites de entretenimento em nóia geral. Os jornalísticos
policiais fazem da dura realidade da violência
que nos cerca, mini-séries diárias regadas
a sangue e lágrimas. Os programas de entrevistas
mal deixam o entrevistado falar. Os telejornais são
cada vez mais iguais na forma e no conteúdo.
As transmissões esportivas produzem um besteirol
tal, que narradores e comentaristas dariam excelentes
redatores para programas gênero Casseta e Planeta.
Os programas religiosos então... deixa pra lá,
que Deus os perdoe. Nos infantis, tias falam como crianças,
mas parecem debilóides e crianças falam
como tias, também parecendo debilóides.
Novelas são sempre a mesma coisa. Ou às
vezes pior, porque as mexicanas dubladas doem profundamente.
Filmes? Na maior parte das vezes são anunciados
como inéditos, mesmo que reexibidos pela enésima
vez. Programas humorísticos dão vontade
de chorar. E os musicais apresentam atrações
para quem tem QI Zero.
É, gente. Da abertura ao encerramento, a TV vai
exibindo seu padrão egüinha pocotó
de qualidade. E nós, publicitários, temos
que fazer em 30 segundos, um comercial criativo, que
seja atraente, consistente, sedutor, memorável,
vendedor. Que conquiste o paciente telespectador. Sem
saber o que vem antes, ou depois. Esse é o desafio.
Aliás, um dos estimulantes desafios da publicidade.
Giuliano Bianchi,
diretor da Italo Bianchi Comunicação (PE)
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