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| Junho de 2003 | nº 45 | Capa: Contaccta |
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Invisibilidade.
Você já se sentiu invisível?
Circulou pela internet a história do estudante
de psicologia social da USP que fez sua tese de mestrado
sobre a invisibilidade pública.
Por oito anos ele trabalhou como gari durante parte do
seu dia para entender a psicologia de um profissional
que faz aquele serviço essencial para todos nós
e que, por ser tão essencial, a gente sequer pensa
nele.
Para seu espanto, nesses oito anos nenhum profissional
ou colega o reconheceu com o uniforme de gari. Ninguém
falou com ele ou sequer deu-se ao trabalho de olhá-lo
na tarefa de limpar a sujeira de todos nós.
Quando foi a última vez que você olhou para
a recepcionista de seu cliente que lhe pede a carteira
de identidade? Quantas vezes a "moça do café"
entrou, serviu água geladinha e café na
reunião? Sem olhar você respondeu: "com
adoçante". Você reconheceria um motorista
de táxi com quem estivesse viajando pela segunda
vez? Onde anda você?
Com que força e determinação você
vai perdendo dia a dia a sua humanidade? Aí, você
vai correndo para o interior, para a cidade pequena, onde
você conhece as pessoas que servem você, seus
pares, os líderes. De quem depende mudar essa história?
Se cada um de nós fosse capaz de acordar desse
marasmo-máquina não poderíamos construir
um mundo novo?
Olhe, preste atenção aos seus caminhos diários,
aos seus funcionários "máquinas"...
identifique-se neles, seres humanos iguais a você,
que têm dor de dente, dor-de-cotovelo e dor na alma.
Que têm filho, medo, fazem sexo e trabalham e trabalham.
Sorria - assim, de repente - para alguém que você
nunca viu. Se for maltratado pela "máquina"
que construímos, tente responder "humanamente".
Você levará um susto quando perceber que
o "invisível" é humano. O trabalho
"de segunda" na nossa sociedade nos favorece
enormemente. Nos países do Primeiro Mundo é
o Terceiro que limpa, arruma, cozinha. Temos algo a perceber
e aprender aí ou vamos combinar que nos tornaremos
todos invisíveis pouco a pouco? Você já
se tornou invisível? Quem sabe você foi estagiário...
Nádia Rebouças
nareboucas@hexanet.com.br
www.reboucaseassociados.com.br
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