 |
 |
 |
O publicitário
Joacy Medeiros é um tradicionalista. No sentido
literal da palavra. Mas nada que lhe tire o espírito
moderno. O que na realidade ele valoriza mesmo é
a história de sua vida. Principalmente, o
fato de olhar o passado, com orgulho de ter uma
das maiores heranças de um homem: a família.
"Nasci num lugar onde o nome já diz
tudo: Bela Vivenda. Fica em Ipanguaçu (RN),
onde passei ótimos anos de minha infância.
Depois passei a viver entre Assu e Baldum, também
no Rio Grande do Norte", conta o dono da agência
Dumbo Comunicação, de Natal. O quinto
dos sete filhos de seu João Leônidas
e dona Raquelita, disse ter sido abençoado
pelas influências e costumes de uma família
típica nordestina e de classe média
rural-urbana. "Meu pai sempre foi um homem
muito trabalhador. Instalou-se no Vale do Assu ainda
rapazinho. Foi um exemplo de trabalho, dignidade
e inteligência. Isso marcou profunda e positivamente
minha vida", |
 |
reforça. As mesmas
lembranças diz ter da mãe, apontando
o que mais lhe marcou: o fato de ela renunciar a
vida na cidade, para morar no meio rural junto a
trabalhadores da fazenda. "Ela fez uma parceria
perfeita com o marido", reconhece o publicitário.
A formação intelectual de um nordestino
depende, muitas vezes, da sorte. E sorte não
faltou a Joacy Medeiros. Ele credita sua habilidade
em vencer os desafios à boa convivência
que teve com outros jovens da época, em que
predominava a diversidade de classes sociais e um
interesse comum: aprender a evoluir como pessoa
e profissionalmente. "A minha preocupação
com o social, qualidade de vida da comunidade, vem
desse tempo, quando participava da Casa da Juventude,
uma entidade engajada nos movimentos sociais no
início dos anos 60, em Assu", recorda.
A princípio, Joacy Medeiros pensava em ser
arquiteto ou engenheiro. Esses planos foram traídos
pelo destino. Ele terminou concluindo os cursos
de Economia e Comunicação Social.
Depois fez pós-graduação em
Criação e Produção de
Programas para Rádio e Televisão;
Administração; Gestão de Sistema
de Marketing; e mais recentemente em Marketing,
pela Fundação Getúlio Vargas.
Paralelo à dedicação, quase
integral à carreira, Joacy Medeiros tem outra
paixão: o casamento com a advogada Maria
Inês e aos filhos Cristiano Augusto, 25 anos
e Clarissa Cristina, 23. Ambos publicitários.
Coincidência? Talvez não. Vai vê
que herdaram do avô e do pai a capacidade
de transformarem a vida num case de sucesso. |
| |
ProNews - Como surgiu a publicidade em sua vida?
Joacy Medeiros - Sempre fui um ouvinte atento de rádio.
Em 1951, meu pai, pioneiramente, comprou um rádio
Philips, de válvula, à energia e bateria.
Nossa família se reunia em torno dele. Lembro-me
de já ouvi-lo aos seis anos, quando morava em Bela
Vivenda. Ainda em Assu, me aventurei em fazer um programa
de auditório e em ser locutor freelancer no sábado,
dia da feira, nas lojas Paulistas, gerenciada por um amigo.
Isso aos 16 anos. Em 64 vim morar em Natal pra estudar
e tentar ser locutor de rádio, mas não deu.
Depois de trabalhar oito meses como bancário, em
1967, foi ser profissional de propaganda iniciando como
agenciador/corretor. E nessa estrada estou há 36
anos, sempre com o espírito de quem está
começando. O que mais lhe motiva na carreira
profissional?
Joacy Medeiros - O fascínio pela força
da propaganda e o prazer de ver pessoas evoluindo pessoal
e profissionalmente, buscando ter e desfrutar uma vida
melhor, impulsionadas pelos desejos despertados pela
propaganda. A sociedade e a economia como um todo evoluem
assim. E o meu grande sonho é ver a propaganda
ser instrumento, como ferramenta em seu formato normal,
ensinando o povo brasileiro a ser e escrever. Acabando
com o analfabetismo em nosso país e ampliando
o seu conhecimento e cidadania. É um desafio
que lanço aos grandes publicitários deste
nosso país e aos meios de comunicação,
principalmente televisivos. Já imaginou o bê-á-bá
cantado em jingles e mostrado na tv? E em doses certas
nas novelas? Seria uma loucura de resultados e aprendizados.
Conta um pouco de sua vida profissional em relação
à Dumbo.
Joacy Medeiros - Desde o início sempre
pensei profissionalmente. Em 1971 eu havia acabado de
oficializar a existência da Premium Propaganda,
deixando de ser "homem/agência", como
se diz na gíria, para ser agência de um
homem só. Recebi o convite para ser sócio
da Dumbo, em substituição a Coriolano
Medeiros que ia para a TV Liberal, em Belém.
Não havia nenhum parentesco. Topei na hora. Passei
quase dois anos sem receber nenhum centavo da Dumbo.
Vivia apenas das comissões dos clientes que levara.
E me dava por satisfeito. Mas me envolvia e atendia
a todos. Não havia preocupação
e ganância por dinheiro. Depois que me formei
em economia é que pedi uma complementação.
Nessa época, 1973, éramos apenas Sinedino
e eu. Tinham saído Coriolano Medeiros, Afonso
Laurentino e, por último, Carlos Silva. Todo
esse tempo foi de muito trabalho, dedicação,
sacrifício e renúncia. Os lucros, embora
poucos, vieram quando possíveis, mas não
havia uma prédeterminação absoluta.
Uma agência de propaganda não chega aos
32 anos sem esse espírito de paixão pela
propaganda e de desprendimento pelo lucro. Inúmeras
outras atividades, infinitas até, são
mais lucrativas e remuneram melhor seus sócios
e profissionais. Basta comparar o crescimento dos clientes
em relação ao de suas agências.
E em mercados como o nosso, hem?
ProNews - Como você avalia hoje o mercado
publicitário no Nordeste?
Joacy Medeiros - Um mercado que teria tudo pra
crescer, mas que foi abruptamente travado pela globalização
e pela subautonomia dos setores industriais, de varejo
e de serviços. As contas estaduais migraram para
regionais, estas para nacionais e daí, para globais.
As verbas fluíram para outros centros de decisões,
movidas por interesses conflitantes. O exemplo mais
gritante disso é o das telecomunicações,
cujas verbas se situavam entre as maiores em cada estado.
Isso acontece também com as verbas públicas
e privadas como um todo, principalmente no varejo. Acredito
e tenho a esperança que é possível
inverter esse processo. Exige liderança, determinação,
desprendimento e respeito pelos interesses de cada mercado
estadual, movido por uma aliança muito forte.
E as tentativas não podem ser isoladas. É
preciso que nos reconheçam como um segmento importante
de negócios em nossa região.
ProNews - Em relação à sua
vida, o que seria um bom motivo para comemorar?
Joacy Medeiros - Estar fazendo o que gosta, há
36 anos, num segmento cheio de altos e baixos, dificílimo,
onde cada negócio a fechar precisa ser vendido
como oportunidade de resultados e lucros para os clientes.
Onde cada cliente é único e cada produto
é único. Ter uma agência que já
dura 32 anos, formando profissionais e se renovando
sempre, mantendo a qualidade e merecendo o respeito
de quantos a conhecem, além de ser considerada
entre as melhores do Norte/Nordeste, com um elenco de
premiações consideráveis. Ter um
casal de filhos maravilhosos, publicitários por
formação e profissão, e uma mulher
que, após se aposentar, teve a coragem de enfrentar
um vestibular de direito e se formar para começar
uma vida nova.
ProNews - Quais são suas perspectivas para
o futuro?
Joacy Medeiros - Continuar investindo em fazer
boa propaganda e acompanhar o sucesso dos meus familiares
na profissão que escolherem.
ProNews - Há alguma campanha que lhe tenha
marcado profissionalmente?
Joacy Medeiros - Muitas. Mas destaco "Sua
cidade é você" e "Nossa Cidade
Natal" pelo que representou como despertar pela
cidadania e amor a Natal, quando quase não se
falava nisso. E "O jato mais veloz do mundo",
que marcou o sucesso da telefonia se expandindo em todo
o nosso estado. E mais recentemente o trabalho que temos
desenvolvido para Botton Fashion e Supermercado Nordestão,
pela sua consistência e resultados.
|
 |