 |
Lucros borbulhantes e refrescantes
Mercado de bebidas cresce e novas marcas de refrigerantes
e cervejas conquistam o consumidor
Luciana Torreão
Você tem sede de quê? Preço, marca
ou qualidade?À primeira vista, a resposta parece
fácil. Mas diante da variedade de cervejas e refrigerantes
que têm surgido no mercado nacional e regional,
fica difícil. Em geral, os consumidores sentem-se
atraídos pelo que há de novo, fator que
animou a categoria e impulsionou seu crescimento. São
novas cores, novos sabores, novos preços, novos
consumidores. Há opção para todos
os gostos e bolsos. Depois das inúmeras aquisições
e fusões de multinacionais, os distribuidores e
engarrafadoras locais ficaram órfãos e,
naturalmente, por questões óbvias de sobrevivência,
superaram a crise, fizeram dela uma oportunidade, e montaram
seu próprio negócio.
De acordo com a Associação Brasileira de
Indústrias de Refrigerantes (Abir), o brasileiro
toma refrigerante como água. Nos últimos
anos as vendas da indústria de refrigerantes saltaram
de 5,6 bilhões para mais de 11 bilhões de
litros ao ano, com faturamento anual beirando os 7 bilhões
de reais. Vale lembrar que o segmento brasileiro é
o quarto maior do mundo, perdendo apenas para os Estados
Unidos, México e Alemanha.
E quem mais usufrui desse boom é uma cadeia de
pequenos empresários. É tanto, que, até
a Coca-Cola, líder de vendas no Brasil desde os
anos 50, sentiu-se ameaçada. Há algum tempo,
colocou no ar uma campanha para tentar desvencilhar o
seu público das demais marcas. No VT, um entregador
trazia uma encomenda da dona d -casa que ia servir um
refrigerante que não era Coca-Cola, e a idéia
era logo rejeitada pelos amigos do seu filho, que fica
morto de vergonha. Em contrapartida, no comercial de lançamento
da Frevo Cola, ousadamente, um garoto utiliza as latinhas
da concorrente multinacional para pegar as latas de Frevo.
Para o publicitário e executivo de contas da Mart
Pet Comunicação, Geovan Lima, o mercado
hoje vive num extremo paradoxo: marcas valorizadas são
afrontadas por novo tipo de concorrência, que tem
no preço um forte apelo, sem se descuidar da qualidade
do que oferece. "O que há, é uma luta
voraz de empresas consolidadas contra empresas emergentes,
onde uma busca o ponto forte da outra. Enquanto as empresas
de 'marca' buscam preços mais baixos, as emergentes
anseiam pela qualidade. Em média, o consumidor
de qualquer classe econômica vai optar pelo melhor
e mais barato", avalia.
Metonímia - Em geral, os refrigerantes populares,
doces além da conta, com preço mais baixo
e marca local são conhecidos pelo nome de tubaínas.
Mas para alguns fabricantes o termo é um sinônimo
pejorativo e ninguém quer ser associado a tal.
Entretanto, para quem não sabe, a palavra tubaína
é marca registrada da empresa Ferráspari,
de Jundiaí. A popularização do
nome deve-se à metonímia, velho fenômeno
lingüístico que se dá quando a marca
assume o nome do objeto.
O presidente da Associação Brasileira
de Agências de Propaganda - Capítulo Pernambuco
(Abap-PE), Alfrízio Melo, declara que todo esse
crescimento do setor de bebidas é um sinal de
que os pequenos mercados regionais estão sempre
em ebulição. As necessidades locais fazem
com que surjam empreendedores sempre em busca de novos
negócios. "Isso demonstra que nossa economia
vem se recuperando e agregando novos consumidores, que
estavam à margem da sociedade, e atualmente encontram
produtos a seu alcance de consumo. No nordeste temos
um bom exemplo de uma marca que nasceu como tubaína,
e hoje disputa boa fatia do mercado de refrigerantes
que é a Frevo, que por sinal já é
consolidada no segmento", ressalta.
O mestre em publicidade e professor da Universidade
Federal de Pernambuco (UFPE), Dirceu Tavares, diz que
as tubaínas têm estratégia de resistência
e sobrevivem a partir das carências da logística
mercadológica do adversário. "Elas
poupam esforços organizando as suas estratégias
e 'correm no vácuo' da liderança, pois
a estratégia 'parasitária' exige a sobrevivência
do 'hospedeiro', compara. "O abismo social no Brasil
é tão expressivo que estratégias
de mercado para targets de baixa renda tornam-se atrativas
para segmentos de classe media. Esse fenômeno
poderá ser um dos instrumentos para reforçar
o 'aburguesamento' da classe C, que deverá estar
inchada com os 'novos pobres' brasileiros", profetiza.
O sócio-diretor da Intertotal Comunicação,
de Caruaru, Jackson Carvalho, conclui que a proliferação
de marcas regionais favorece os consumidores não
apenas da classe C, mas também da classe B, com
possibilidade de inserção da classe D
e D-. Há dois anos a Intertotal detém
a conta da Indústria de Bebidas Jatobá,
em Garanhuns (PE), que é tradicionalmente conhecida
por produzir vinhos populares. Em 2001, a empresa decidiu
investir no segmento de refrigerantes, lançando
o Oba! que é comercializado no interior de Pernambuco,
sertão da Bahia, Alagoas e Sergipe. "Também
está sendo desenvolvido um novo produto, com
data de lançamento nome e campanha já
definidos e aprovados, porém a alta competitividade
deste mercado nos impede de revelar mais", confidencia
Carvalho. E se havia paradigma de que produtos regionais
são vendidos apenas em mercearias e mercadinhos
de periferia, Carvalho diz que ele foi quebrado. Atualmente,
grandes redes, como o Carrefour, por exemplo, têm
em sua linha promocional, produtos que focam o que eles
chamam de '1º preço', que nada mais é
que produtos regionais em suas gôndolas.
Oportunidades - E por falar em paradigmas, a antiga
Distribuidora Guararapes de Bebidas (DGB), atual Frevo,
transformou a crise em conveniência e hoje seus
produtos são vendidos em grandes redes como Bompreço
e Pão de Açúcar. Uma entre tantas
outras empresas que ficaram órfãs das
fusões, a DGB foi líder regional na distribuição
de cervejas e refrigerantes da Brahma por mais de 30
anos. E segundo o sócio-diretor da Level Comunicação
e atendimento da Frevo, René Bensoussan, esse
fator contribuiu fortemente para o know-how promocional
e de planejamento dos canais de distribuição
da Frevo, inaugurada em 1997.
A Frevo começou lançando refrigerantes
no sabor guaraná e laranja, nas embalagens de
2 litros e 1 litro. Logo depois chegou o sabor lima-limão
e as embalagens de 250ml que revolucionaram o mercado
local. Em 99 foi a vez do sabor cola e das embalagens
em lata de alumínio. "A partir deste momento
a marca Frevo começou a se distanciar cada vez
mais das chamadas 'tubaínas' e passou a ser vista
como rival pelas grandes marcas de refrigerantes. Não
era para menos, pois já era terceira no mercado
nordestino, segunda em Pernambuco e primeira em alguns
sabores nas três principais capitais da região.
Foi então que a empresa começou a diversificar
a partir do ano 2000 com a água mineral e uma
série de outros produtos", recorda Bensoussan.
A Frevo Laranja, por exemplo, tem participação
de mercado igual à da Fanta.
"Em todos os nossos levantamentos o grau de fidelidade
à marca Frevo é similar aos dos produtos
da AmBev e da Coca-Cola", complementa Bensoussan.
Tamanho sucesso levou a fábrica a ousar e fazer
até um merchandising na novela global Porto dos
Milagres. Nela foi possível a agência desenvolver
as cenas em conjunto com os autores da novela. "A
repercussão para a marca foi gigantesca. Choveu
telefonemas e e-mails em todo Brasil e o resultado em
vendas também foi muito significativo em toda
área de atuação e, mais notadamente
na Bahia. O investimento na ação foi algo
em torno de 1 milhão de reais", revela Bensoussan.
Atualmente, a Frevo Cola detém 30% da fatia de
mercado pernambucano. Além da marca Frevo, a
fábrica possui outra linha com a mesma qualidade,
voltada para as classes D e E: a Xuca, cuja venda mensal
chega a 60 mil caixas. E para logo em breve, René
anuncia que há surpresas, pois a fábrica
deverá estar lançando até 2004
sua cerveja, que contará com investimento de
29 milhões de reais. Inicialmente, a previsão
é que sejam fabricados 6 mil litros por mês.
E para também não ficar a ver navios após
a fusão que resultou na AmBev, a Indústria
e Comércio de Bebidas Recifense (Disbrel), que
distribuía os produtos da Antarctica desde 1984,
lançou no final de outubro passado o refrigerante
d'festa. "Após o encerramento de contrato,
surgiu a idéia de instalar uma fábrica
de refrigerantes. Desenvolvemos a criação
da marca, dos rótulos e dos sabores. Como uma
fábrica própria demanda algum tempo para
ficar pronta, optamos então pela possibilidade
de arrendar a produção, até então
ociosa, de fábrica de terceiro. Inicialmente
vendida na embalagem Pet de 2 litros nos sabores guaraná,
laranja e cola, que, para nossa satisfação,
vem sendo bem aceito pelo público consumidor",
expõe o sócio-gerente da Disbrel, Antônio
Moreira.
Moreira esclarece que o desenvolvimento do setor de
refrigerantes tem ganhado espaço na medida em
que a periferia cresce em relação aos
centros das cidades, numa proporção de
seis para um. "As grandes marcas sobreviviam porque
com as embalagens de vidro os investimentos em fábrica
de refrigerantes eram muito elevados", pontua.
O empresário assume que, com o advento da embalagem
Pet, a situação mudou e os investimentos
e a tecnologia tornaram-se acessíveis aos pequenos
fabricantes, que tiveram condições de
produzir refrigerantes muito mais baratos e de boa qualidade.
"O mercado é muito grande e tem lugar para
todos os gostos e sabores. Apesar de ainda estarmos
em fase de implantação do projeto, pela
nossa previsão esperamos alcançar um faturamento
anual de 20 milhões de reais. O d'festa antes
de ser lançado foi pesquisado e testado por vários
meses para que fosse definido um sabor que agradasse
ao público-alvo, que são as crianças
e seus familiares", divulga.
Apesar de a campanha publicitária ainda não
ter ido ao ar oficialmente, o que só acontecerá
em julho, o slogan e as peças criados pela Agência
Um já estão prontos: "Experimente
ser feliz, beba refrigerantes d'festa". "Ainda
não entramos nas grandes redes, preferimos trabalhar
nos supermercados de bairro, porque, no momento, é
nosso foco. Nossos produtos estão sendo comercializados
nos mercadinhos de bairro, lojas de conveniência,
padarias e postos de gasolina, principalmente, na periferia.
E dentro de alguns dias será lançada a
embalagem de 330ml", antecipa. E ao ser questionado
sobre a possibilidade de adentrar no mercado de cervejas,
Moreira não se entrega. "O lançamento
de cerveja de marca própria por enquanto é
um sonho, mas certamente realizável no futuro",
conjectura.
Novos sabores - Para aquecer mais o segmento, as indústrias
investem cada vez mais em novos sabores e fórmulas.
Inovação, aliás, deve ser a palavra
de ordem da categoria, afinal as grandes empresas como
a Coca-Cola Indústrias Ltda. já começou
a investir em novos sabores. A Fanta lançou um
novo sabor: Fanta Morango, que começou a ser
vendida em fevereiro passado nos mercados de São
Paulo, Grande São Paulo, Sorocaba e Uberlândia.
De acordo com pesquisas realizadas pela Coca-Cola, os
consumidores já aprovaram Fanta Morango. Cerca
de 90% dos entrevistados têm uma avaliação
muito boa, considerando o refrigerante entre excelente
e bom. Com o lançamento dos sabores citrus e
maçã, em 2002, ela foi a marca que mais
cresceu em vendas, depois de um período de estabilidade.
E de acordo com o Instituto AC Nielsen, a Fanta terminou
o ano de 2002, com 7,1% de participação
de mercado.
E vale a pena lembrar que o sabor uva não é
um pioneirismo da Coca. Já em 1948, o Grapette
chegava ao Brasil através da Companhia de Refrigerantes
Guanabara, sediada no estado do Rio de Janeiro. Paralelamente
a essa expansão de mercado, surgiu o slogan "Quem
bebe Grapette repete", o qual até hoje é
lembrado pelos consumidores mais velhos. Mas, em se
tratando de sabores diferentes, um maranhense considerado
estranho pode ser o precursor brasileiro. Trata-se guaraná
Jesus, cujo slogan O Sonho Cor-de-Rosa faz literalmente
alusão à sua cor. Com gosto semelhante
ao da canela, a fórmula foi criada em 1920, em
São Luís, pelo farmacêutico Jesus
Norberto Gomes, que, diga-se de passagem, era ateu.
Recentemente, o refrigerante foi incorporado à
Companhia Maranhense de Refrigerantes, franqueada da
Coca-Cola, a qual já fazia o engarrafamento desde
1981.
O Jesus detém 23% do mercado maranhense de refrigerantes,
ficando atrás somente dos produtos da Coca-Cola.
"Depois que a multinacional comprou o Jesus, seu
sabor ficou muito diferente. Era melhor antes, quando
era feito de forma artesanal e distribuído pelo
Sr. Jesus e, posteriormente, por seus filhos. Depois
que passou a ser industrializado, só quem gosta
do produto são as crianças", diz
o jornalista maranhense Luis Pedrosa, que se diz consumidor
do produto desde pequeno.
E ao que parece, no quesito escolha, fica realmente
difícil entender a cabeça do consumidor,
que adora novidades, mas também não dispensa
atributos extras. O administrador de redes da Stefanini
IT Solutions, Marcelo Andrade, por exemplo, é
um inveterado consumidor de Coca-Cola, e só a
troca se for por Fanta Uva. "Chego a tomar mais
de um litro de Coca-Cola por dia. Já tentei tomar
outros refrigerantes, mas não gostei. Inclusive
quando estive no Maranhão, aproveitei a ocasião
para experimentar o guaraná Jesus. Foi a pior
coisa que já tomei na vida, detestei, é
muito doce", afirma.
O mestrando em Literatura da Universidade Federal de
Pernambuco, Auríbio Farias, também não
dispensa uma Fanta Uva. "Na falta dela eu tenho
preferência apenas pelo produto de mesmo sabor
da marca Indaiá. Já provei outras e não
gostei. E com certeza posso dizer que prefiro o sabor
ao preço ou marca. Se o preço for bom
e o produto tiver qualidade, é uma vantagem a
mais", confessa. O seu filho, estudante da 7ª
série, Matheus Farias diz que mesmo gostando
muito de Coca-Cola, em algumas ocasiões opta
pelo guaraná Belco, que na sua opinião
tem qualidade e é bem mais barato. "Quando
eu e meus amigos saímos da escola e estamos com
pouca grana, passamos no posto mais próximo e
compramos o guaraná Belco, que satisfaz nossa
sede e o nosso bolso", brinca.
Vinculada:
Louras geladas conquistam um mercado quente
E se o brasileiro é excelente consumidor de
refrigerantes, o que dizer da cerveja, uma verdadeira
mania nacional, enraizada nos costumes de todas classes.
Podemos até nos considerar o país da cerveja,
pois conforme dados do Sindicato Nacional da Indústria
da Cerveja (Sindcerv), o consumo per capita em 2001
foi de 50,3 litros/ano por habitante. Hoje perdemos
em volume apenas para os Estados Unidos (23,6 bilhões
de litros/ano), China (15,4 bilhões de litros/ano)
e Alemanha (11,7 bilhões de litros/ano). Este
é um segmento que vem apresentando expansão
dos índices de consumo maior do que a média
de crescimento do país. Dados do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE) confirmam que
os brasileiros estão bebendo mais cerveja.
O publicitário Geovan Lima, que atende a conta
da Belco, afirma que no segmento de cerveja, a luta
pelos clientes é vencida pela marca que tem melhor
posicionamento na "cabeça" dos consumidores.
Entretanto, infelizmente vender cerveja no Brasil significa
associá-la à mulher. Divas seminuas, na
praia ou no bar, mas sempre como objetos do desejo masculino,
essa é a realidade. "Há uma mudança
em andamento no pensamento corrente da comunicação
de cervejas. O mercado acha que a estratégia
é conquistar o público feminino. E esta
já vem sendo adotada pela Belco, como principal
diferencial. Não fazemos uso exploratório
de mulheres em trajes sumários. Isso pôde
ser comprovado na campanha de Abel Coelho e da Izabel
Costa, lançada no ano passado. Outra prova foi
o anúncio que veiculamos em homenagem ao Dia
da Mulher, com o qual demonstramos que é viável
nos comunicarmos com o público da cerveja, sem
cair nos estereótipo", comenta Lima.
Prova de fogo - O sócio-diretor da Mart Pet,
Edison Martins, revela que fazer a campanha para a cerveja
Belco foi um desafio: fazer as pessoas terem curiosidade
de provar Belco. A partir daí inúmeros
caminhos foram traçados, roteirizados, leiautados,
vistos e revistos. "O primeiro desafio era por
que o recall de marca era muito baixo, e segundo por
que os índices existentes indicavam que a aceitação
não era boa. Isso mais por desconhecimento do
que pela qualidade do produto. Terceiro por que a verba
não era relevante perante as concorrentes, afinal,
mesmo sendo um produto regional, no mercado e na comunicação,
Belco compete com Skol, Brahma, Schincariol e todas
do segmento", justifica. No final da contas, as
necessidades do cliente foram adaptadas ao seu plano
orçamentário, com uma solução
criativa que resolveu a questão.
"Virou piada colocar mulheres saborosas como argumento
publicitário para vender cervejas. Bem como bichinhos
em 3D que pensam e agem como gente, a exemplo de siris,
peixes e outros animais. Como nosso cliente tem um público
muito bem definido, mais popular, fizemos a opção
pelo humor simples. Aquele que o povo sabe contar na
roda de amigos, entre um brinde e outro. A linha de
comunicação da Belco pode, um dia, ter
uma bela modelo ajudando a vender. Mas para isso acontecer,
haverá um motivo. Não será apenas
pelo seu belo par de olhos azuis", acentua o diretor
de criação da Mart Pet, Pedro Fonseca.
"Foi uma campanha vitoriosa de vendas e recall,
mas os prêmios conquistados foram para a mídia
impressa, com anúncios que valorizaram a mulher
- um público, aliás, que consome muita
cerveja. E Dona Izabel Costa e seu Abel Coelho, que
foneticamente têm nomes com Belco no meio, foram
uma piada sutil.", finaliza Martins.
|
 |