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| Junho de 2003 | nº 45 | Capa: Contaccta |
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Uma visão de mundo para fazer
publicidade
Qual o seu negócio? Agência de Publicidade?
Sua visão é de um empresário-capitalista
ou de um profissional liberal-empresário? Sim,
porque há diferenças gigantescas nestas
duas visões neste tipo de negócio. Enquanto
o empresário-capitalista tem sua satisfação/realização
pessoal, tão-somente, no resultado financeiro,
o profissional liberal-empresário tem prioritariamente,
a qualidade daquilo que faz/produz como premissa para
o resultado financeiro. E isso não é uma
visão romântica da profissão, é
a sua essência como negócio prazeroso, pois
sem a sofisticação e qualificação
do processo criativo todo, o resto vira "reclame",
nivelando por baixo a atividade, desestimulando os investimentos
no setor e, pior que isso, mediocrizando a profissão.
Enquanto serviço altamente qualificado e principal
impulsionador do processo
produtivo como um todo, a propaganda, pela sua natureza
glamurosa, foi e continua
sendo vendida, principalmente pelos seus maiores egos,
associada à uma imagem
estereotipada de um negócio de grande resultado
financeiro até em Bombaça (o
que, infelizmente, já rendeu muitos seqüestros).
Daí a atenção/atração
de investidores profissionais, e de oportunistas de plantão,
atrás do lucro fácil.
Mas a realidade é bem outra. Agências no
Brasil têm amargado prejuízos
sucessivos e até fechado suas portas. Só
em Recife, mais recentemente, três agências
do mercado tiveram suas atividades encerradas ou foram
absorvidas por outras. Isso só demonstra o quanto
o mercado é frágil, difícil e concorrido.
A própria estagnação do setor cria
uma dependência exacerbada das contas governamentais.
Aliás, seria impossível imaginar a existência
de algumas delas sem o fausto pires do governo. E aí,
tem-se de tudo na busca desesperada pela sobrevivência.
Da falta de uma conduta mínima de ética
até a diversificação do negócio,
mesmo que isso implique em sair do foco principal do que
seja uma boa agência de propaganda.
Num quadro com tamanhas dificuldades é fácil
a proliferação de boatos, que
de tempos e tempos surgem no mercado, tentando se antecipar
sobre fusões, aquisições ou mesmo
nova composição societária. É
perfeitamente natural e legítimo, que o empresário,
seja ele apenas capitalista ou não, num mercado
altamente competitivo, com um naipe de agências
com formatação e cores as mais diversas,
busque dentro da sua visão do negócio, o
melhor à sobrevivência de sua empresa. Porém,
ficar prospectando qual a bola da vez, pode até
ser mais divertido do que ficar pixando o trabalho da
concorrência, mas certamente é um desserviço
à classe.
Luiz Montenegro, diretor-executivo
da MMS Comunicação (PE)
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