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GARIMPEIROS DA MÍDIA
A missão de garimpar os melhores veículos
e oportunidades para satisfazer os interesses de clientes
pode até parecer uma atividade desinteressante,
mas uma casta privilegiada descobriu nessa função
meio burocrática o segredo do sucesso. Tudo isso
a ponto de conquistar um espaço privilegiado
no calendário de datas comemorativas. Estamos
falando do mídia, aquele profissional de publicidade
que de tanto entender dos meios de comunicação,
tornou-se um especialista em comportamento. O Dia do
Mídia (21 de junho) não passa despercebido
no mercado publicitário. Também pudera,
sem ele não haveria o feedback que movimenta
a trilogia cliente + conta + prêmios.
A ProNews faz homenagem ao mídia,
mas não pretende recorrer a uma abordagem enfadonha
e cheia de clichês que nada acrescentam ao debate
sobre a realidade dos bastidores da profissão.
Para isso, foi buscar a opinião de alguns dos
mais renomados mídias do Nordeste. A proposta
é questionar e incentivar a reflexão sobre
a carreira. Na outra ponta, está também
a repercussão dos veículos. Gente que
observa, acompanha e sabe reconhecer de longe quem é
ou não um bom mídia. O tipo que coloca
sua agência e clientes acima dos próprios
interesses.
A grande questão neste momento de turbulência
econômica e social - onde a guerra da informação
mata a sangue-frio os alienados - o que o mídia
precisa para ser um bom profissional? Somente o talento
ajuda? Ou quem sabe ser descolado? As opiniões
divergem, mas num ponto todos concordam: conhecimento
é fundamental. Saber onde pisa e com quem fala.
Ser um estrategista, sem exagerar na malícia.
Até porque, o bom relacionamento com o mercado
é uma espécie de cartão de visita
que dispensa apresentação.
DEDICAÇÃO - "Além
de uma boa formação, ele precisa ser estratégico,
eficiente, sempre procurando mais e mais conhecimentos.
Principalmente sobre os meios existentes e os novos,
além de agir com muita isenção
e dignidade", reforça com toda a experiência
possível o diretor de mídia da Ampla Comunicação
(PE), Nilson Samico, considerado uma referência
de sucesso profissional em Pernambuco. Sobretudo, por
ser um dos pioneiros na formatação do
primeiro Grupo de Mídia do Estado. Para Samico,
a valorização do mídia passa pela
necessidade dele mesmo em atingir esse objetivo. "Em
todo ramo de negócio existe cegueira e também
muita conveniência e acomodamento de ambos os
lados", reflete.
| Para o mídia da Arcos Comunicação
(PE), Ronaldo Uchôa, só há uma
receita para veteranos e novas gerações
de publicitários: "Dedicação
plena e coragem para enfrentar desafios". Para
ele, o cargo ainda é tido dentro das agências
como uma função sem grande destaque.
Consequência da falta de uma política
pedagógica dentro das próprias universidades.
"No curso de Publicidade da Universidade Federal
de Pernambuco a cadeira de Mídia é
dada uma única vez em todo período.
O foco maior está para a área de Criação",
aponta, referindo-se, nas entrelinhas, o que todos
já sabem: como a Criação é
quem mais sobe |
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ao pódio para ganhar prêmios, acaba atraindo
todos os interesses.
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"Acho que o mídia tem
que superar o estigma de achar que sua função
é apenas dominar pesquisas, planejar, executar
e fazer checking do que foi veiculado", analisa
o coordenador de mídia da Leiaute Propaganda
(BA), Cláudio Freitas. Assim como o colega
Samico, o publicitário baiano diz ser contra
a passividade e a acomodação. "O
bom profissional tem de ter visão extra-departamental
e dominar outros conhecimentos, principalmente de
marketing e mercado. Acho que o mal profissional
ou aquele que é acomodado, é desvalorizado
independentemente do setor em que trabalhe",
diz Cláudio Freitas.
CONCORRÊNCIA - A relação
com os veículos e no mercado também
se apresenta como um dos maiores desafios do mídia.
A convivência dentro ou fora da agência
tem levado muitos profissionais publicitários
à reflexão sobre a |
importância da ética. Sobretudo
quando se trata do relacionamento com antigos
e novos companheiros de carreira. Fugir da competitividade
parece ser impossível. O jeito é
adaptar-se. O mídia da agência baiana
Pejota, Fábio Lopes ainda arrisca mostrar
que nos bastidores há uma certa resistência.
"Isso acontece por um simples detalhe: a
humildade. Essa virtude tem faltado nos profissionais
de mídia da nova geração
(da qual faço parte). Ninguém pode
ser muito bom sem ter colhido a experiência
dos pioneiros", ressalta Lopes.
"Quem fica com competitividade ou discriminação
por ser mais velho ou mais novo, certamente deve
estar sentindo medo de perder o cargo", alfineta
Cláudio Freitas. Já Ronaldo Uchôa
prefere contemporizar: "Como sempre, em qualquer
lugar existem divergências com os departamentos,
mas é coisa de trabalho. Nada pessoal.
Tem Criação que esquece de colocar
os nomes do pessoal de mídia nas fichas
das campanhas. O atendimento sempre pedindo mais
prazo e descontos, enfim.. Eu sempre levo tudo
numa boa", admite.
DO OUTRO LADO DO BALCÃO
O mídia parece ser mesmo reflexo da sociedade
dentro da agência. A necessidade de acompanhar
as mudanças do consumidor - cuja maior
característica está na instabilidade
comportamental pelo excesso de novidades - tem
levado esse profissional a certos questionamentos.
Será que estou acompanhando a evolução
do meu tempo? Engana-se quem pensa que é
apenas uma reflexão solitária de
dentro para fora. O contrário também
acontece e com todo grau de cobrança possível.
E aqui cabe apontar que os principais críticos
do mídia nem sempre são os chefes
executivos; mas aqueles que estão na ponta
dos negócios: veículos, clientes
e observadores de plantão. Desses, ninguém
foge.
O perfil ideal do mídia para quem precisa
de seus serviços está traçado
em cima de pelo menos três requisitos básicos:
ética, talento e conhecimento. "Na
minha concepção, as características
principais necessárias ao bom mídia
é estar preparado intelectualmente para
exercer essa função", destaca
o presidente da empresa A.Linhares Outdoor (BA),
José Linhares. "Ele precisa também
possuir bom senso para negociar e distribuir a
verba do cliente nos veículos mais apropriados,
porque nem sempre a mídia mais econômica
irá satisfazer as necessidades do cliente",
completa, acrescentando que o meio outdoor em
Salvador, sempre valorizou e reconheceu o trabalho
desenvolvido pelos mídias. Segundo José
Linhares, logo após a fundação
da Central de Outdoor baiano em 1977, tornou-sese
frequentes os eventos em homenagem à categoria.
"Inicialmente criamos a Eleição
do Mídia, depois transformamos em Festa
do Mídia e atualmente o já tradicional
Almoço Forró do Mídia",
lembra.
Ousadia, mas com responsabilidade. É assim
que defende outro observador contumaz do mercado
publicitário no Nordeste, o presidente da
ADVB (PE), Leopoldo Albuquerque. "O trabalho
do mídia é crucial para o retorno
do investimento do cliente, através do sucesso
das campanhas. Se ele falhar nessa missão,
o resultado será, no mínimo, de prejuízo
financeiro para seu cliente", diz. Para Leopoldo,
tornou-se previsível encontrar no mercado
apenas o mídia convencional, sem muito conhecimento
ou bagagem para militar na mídia alternativa.
"Ele conhece bem a convencional, que devido
às novas exigências de mercado, é
na maioria das vezes, insuficientes para obter resultados
esperados pelos anunciantes. É bem verdade
que as maiores agências direcionam sua atuação
nesse nicho
mais rentável,
não deixando muita margem para o seu
profissional de mídia inovar",
observa sob um ponto-de-vista crítico
construtivo.
O gerente de Marketing da Rede Globo Nordeste,
Cláudio Paim, confessar ser otimista
em relação à qualidade
do trabalho realizado pelo mídia na
regiáo. Para ele é surpreende
o nível de formação da
nova geração de mídia
que encontrou em Pernambuco, onde fica a sede
da emissora. "Mas isso não é
somente um privilégio daqui. A gente
mantém contatos com todas as praças
do Nordeste, e sente o quanto é surpreendente
a quantidade de jovens qualificados nessa
área", constata, fazendo questão
de reconhecer a constribuição
dos mais antigos mídias que ainda atuam
no mercado. |
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O DIA-DIA DO MIDIA
Cecilia de Sá Pereira
Nada mais prático para um dia de trabalho
do que um horário certo para cumprir cada
obrigação, uma programação
definida, organizada. Em qualquer atividade, as
pessoas poderiam, de fato, se programar. Chegar
ao seu local de trabalho e, simplesmente, cumprir
toda a agenda - passo a passo - como atletas cumprem
uma tabela de jogos. Em qualquer atividade, certo?
Errado.
Ao contrário das profissões exercidas
por qualquer "mortal", numa agência
de publicidade que se preza a correria e a inconstância
do dia-a-dia são pré-requisitos
para o bom andamento de suas atividades. Principalmente
porque o "dia", muitas vezes, torna-se
"noite". Para alguns setores, a agenda
muitas vezes não passa de um caderninho
que os adolescentes adquirem no início
do ano letivo, e que muitas vezes, nem chega ao
final porque é esquecido. O mídia,
por exemplo, se enquadra na segunda categoria
A primeira coisa que Sandra Torreão, mídia
da Mart Pet (PE) faz quando chega à agência
é abrir sua agenda. Ela mesma anota tudo
o que tem para fazer desde o dia anterior. "Preciso
saber se tem alguma reserva para fazer, alguma
autorização para passar para o veículo
e entrar em contato com ele", explica Sandra.
Mesmo assim, não há um cronograma
certo. Não há um horário.
Ela vai fazendo sua agenda de acordo com o andamento
do seu dia. Este, entretanto, não tem hora
para começar, mas também não
tem hora para terminar. "Tanto faz chegar
às 7h e sair às 22h, como chegar
às 9h e sair às 19h. Depende muito
do ritmo da agência, do trabalho. Não
tem como prever se o dia vai ser calmo ou se vai
ser uma loucura", completa. As únicas
coisas que ela tem como certas são as reuniões
de pauta na agência ou com os veículos.
A semana começa com a reunião de
pauta da segunda-feira. Ela começa por
volta das 9h, onde se conversa tudo: desde o que
está na Criação, o que a
Produção está precisando
ou já está produzindo e o que a
mídia tem que fazer em termos de reserva,
planejamento. O "resto" do dia corre
como consequência dessa reunião.
"É como eu disse: não temos
como prever como vai ser o dia do mídia",
reforça Sandra.
Depois de observar a necessidade do cliente é
que ela programa sua agenda. "Se o cliente
está querendo fazer uma campanha grande
ou sair no jornal, rádio, etc. tenho que
fazer os contatos para apresentar as propostas.
O leiaute tem que estar criado, o planejamento
de mídia e os orçamentos de produção
prontos", acentua Sandra. Além de
tudo isso, o mídia ainda faz a negociação
do veículo com os clientes. "Às
vezes um veículo tem uma proposta e o cliente
não pode gastar o valor pedido, eu negocio
os valores. Da mesma forma, quando um cliente
quer estar em determinado veículo, que
nem sempre é o mais adequado porque vai
gastar muito e não terá muito retorno,
a gente pondera o melhor veículo para ele",
explica Sandra, acrescentando que o Mídia
tem todo aparato técnico e teórico
para dizer o que é melhor para cada cliente,
sem esquecer dos veículos. "Tudo para
dar um bom retorno ao cliente", diz. "É
fazer o cliente gastar corretamente".
É assim que a agenda de Sandra vai sendo
feita. Sempre nessa condicional. E ainda é
de manhã… Felizmente inventaram o
delivery - porque na "hora do almoço"
desta mídia, a maioria dos restaurantes
já estaria fechada. Sandra muitas vezes
pede lanche ou almoça com representantes
de veículos. Isso porque, o mídia
tem que estar sempre em eventos. "O trabalho
não se limita ao computador, ao espaço
agência. O mídia faz também
um pouco de RP. Tem que estar bem com todo mundo,
para trazer bons resultados para a agência"
destaca.
MÍDIA NÃO É SÓ
FESTAS, NEM BATALHA NAVAL
Neste mês
comemora-se o "Dia do Mídia",
para ser mais exato no dia 21 de junho. Gostaríamos
de lembrar que ser mídia vai muito
além de festas, convites para almoços,
etc. Como diz o Kleber, isto apenas "faz
parte". Nossas responsabilidades aumentam,
pois os meios a cada momento se multiplicam,
exigindo maior grau de conhecimentos, técnicas,
estratégias, porque trabalhamos com
dinheiro dos outros, e constantemente nossa
competência, dignidade, é testada.
Estamos entrando em uma nova fase com a fundação
da nova edição do Grupo de Mídia
de |
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Pernambuco. Quando nos referimos em nova edição,
é que já houve duas tentativas, sendo
a primeira em 1997 e a segunda entre 1985/1986,
ambas merecem nosso respeito, pois de alguma maneira
deixaram contribuições para nosso
mercado, basta ver quando se abre inscrições
para estagiários em agências a quantidade
de alunos para a área, que antes não
existiam. Ainda há muito o que fazer, temos
a certeza que o Grupo de Mídia de Pernambuco
contando com apoio de todos aqueles que se respeitam
deixará inúmeras contribuições
para o desenvolvimento maior da mídia em
nosso estado.
Mídia não é só festas,
nem batalha naval, ser mídia é ter
embasamento, conteúdo, honestidade, transparência,
ética e dignidade.
Nilson Samico,
diretor de mídia da Ampla (PE)
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