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| Julho de 2003
| nº 46 | Capa: Ponto D Comunicação |
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Uma mulher à frente do seu tempo
Rose Maria
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Formada em secretariado
pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE),
Naciara Figueiredo Araújo, 41 anos, tem mesmo
cara e jeito de secretária executiva. E daquelas
mais organizadas do que partido comunista. Aliás,
sua carreira profissional começou exatamente
por aí: agendando reuniões, anotando
recados, atendendo telefonemas… Passou dois
anos nessa função numa fábrica
de arquivos para escritório. Acontece que
o destino de Naciara era outro. Nada parecido com
a rotina holística a que seria condenada
pro resto da vida, caso não fosse uma pessoa
ousada. "Sempe fui muito ligada e atenta. Acho
que é essa minha personalidade forte",
explica-se ao se apresentar como mídia da
agência Gruponove, de Recife (PE).
O pulo do gato na carreira de Naciara Figueiredo
merece muito mais que uma simples olhadela. O fato
de se profissionalizar numa das áreas mais
concorridas da publicidade e historicamente machista,
revela a história de uma mulher que encarou
todos os desafios como se fosse uma prenda no jogo
da vida. Ela só precisava de uma chance.
E a oportunidade surgiu quando era |
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secretária do
Departamento de Mídia da extinta Propeg de
Pernambuco. A diretora de mídia entrou de
férias na época e Naciara ficou como
assistente, cumprindo os compromissos naturais do
cargo. "Comecei num tempo que não havia
essa exigência pela formação
acadêmica. Aprendi na prática",
lembra. Naciara Figueiredo passou 19 anos na Propeg
e pelo menos há 15 está na Gruponove.
São quase 20 anos de carreira.
Como justifica passar tantos anos numa única
agência, mesmo diante da concorrência
que leva a uma rotatitividade ambiciosa dos cargos?
Naciara Figueiredo dá de ombros: "Da
minha parte é por muita satisfação.
Da deles deve ser também, senão não
me manteriam aqui. A Gruponove tem uma estrutura
de trabalho extraordinária. Sempre foi uma
agência de vanguarda", observa.
A mídia considera-se apenas uma "operária"
da publicidade sem nenhum glamour. Quando está
fora da agência, prefere exercer apenas um
cargo: o de mãe. Aliás, uma mãe
conservadora e saudosista. Daquelas que fazem questão
de lembrar de como foi educada para mostar ao filho,
Tabajara Figueiredo Machado, de 16 anos, que os
tempos mudaram, mas nem tudo pode ser feito. "A
gente tem que passar um pouco de medo para os filhos,
até para que eles possam entender. Porque
o adolescente acha que pode tudo; mas o que observo
é que há muita maldade e falta de
companheirismo. Antigamente as pessoas eram mais
confiáveis. Sinto falta da inocência",
lamenta. ProNews - Você começou
sua vida profissional fazendo algo que não
tem nada a ver com publicidade. O que a levou
para esse caminho?
Naciara Figueiredo - Na realidade, quando
entrei no mercado publicitário o fiz para
ser secretária-executiva. Eu estava procurando
emprego na época e um amigo me indicou
uma vaga no Departamento de Mídia da Propeg
(PE). Eu sempre fui uma pessoa muito ligada e
atenta. Substitui meus conhecimentos pelo que
vi na área de mídia.
ProNews - E como foi essa travessia de secretária
para ser exatamente mídia?
Naciara Figueiredo - O trabalho de secretária
é muito burocrático e nessa fase
de transição eu estranhei muito
a dinâmica que existe dentro do Departamento
de Mídia. Essa rotina burocrática
era muito pouco para tudo que eu tinha estudado.
Então, fiz amizade com a assistente de
mídia, que repassava informações,
experiências. Sempre fui muito curiosa.
Quando eu a encontrava muito sufocada de compromissos,
me oferecia para ajudá-la. Chegou um dia
que ela precisou tirar férias e entrei
na história mesmo no tranco. Logo depois
ela saiu da empresa e me tornei assistente de
mídia.
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ProNews -
Em algum momento você sofreu preconceito
por não ser publicitária na
época? Naciara Figueiredo
- Não. Isso porque na época
em que comecei (1985), pelo menos aqui no
mercado pernambucano, não havia uma
exigência da formação
acadêmica. Hoje existe uma demanda muito
grande no mercado por conta dos diversos cursos
de Publicidade. Era muito comum pessoas de
outras profissões atuarem no mercado
publicitário. Comecei pela Propeg e
estou agora há quase 15 anos na Gruponove. |
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ProNews - Qual o segredo para se manter por
tanto tempo numa mesma agência?
Naciara Figueiredo - Deles espero
que seja satisfação pelo resultado
do meu trabalho. Ninguém fica numa mesma
empresa por tanto tempo, principalmente num trabalho
tão dinâmico como o da publicidade,
com tantas ofertas e uma rotatividade intensa,
sem que haja essa satisfação mútua.
Da minha parte, o que pesa é o relacionamento
que tenho aqui, estrutura de trabalho que é
fundamental, e a Gruponove sempre foi uma agência
de vanguarda, que oferece aos seus funcionários
instrumentos de trabalho modernos. Esse é
o diferencial. Recebi vários convites de
outras agências, mas elas só me ofereciam
um salário maior, sem darem as ferramentos
de trabalho que tenho aqui. Seria trocar seis
por meia dúzia. Naquele momento, a Gruponove
estava à frente das demais agências.
E aí fui ficando.
ProNews - Qual a avaliação que
você faz, com a experiência de quase
duas décadas, a respeito do papel do mídia?
Naciara Figueiredo - Infelizmente, dentro
do mercado a profissão do mídia
ainda não é tão valorizada.
O que acontecia antigamente era que você
tinha as estrelas, que estavam sempre na área
de criação. O glamour das agências.
E todo o mundo que saia da faculdade queria sempre
trabalhar na criação, onde tinha
os melhores salários, ganhava-se prêmios…
O mundo mudou. As pessoas começaram a ver
que o negócio não era somente ganhar
prêmios. Você tem toda uma estrutura.
Os clientes precisam ter retorno do que eles investem,
uma resposta do que estava sendo vendido. Para
ser bem- sucedido o mídia precisa saber
posicionar, saber selecionar e ter poder de negociação.
Tudo isso mudou a visão lúdica do
profissional da publicidade e o mídia conquistou
seu espaço. Hoje temos um nível
profissional cada vez melhor, que antes era exigido
apenas da criação. Até porque,
hoje em dia, temos que buscar o consumidor fora
de casa. Precisamos ir para as ruas. Observar
as pessoas. As mídias atuais não
são mais aquelas formatadas e com papéis
bem definidos (rádio, televisão,
jornal). Tudo pode se transformar em mídia.
A escolha do veículo que você vai
usar, depende agora de um conjunto de fatores
disponíveis. É a era da modernidade.
Você não tem mais o direito de errar.
As verbas são tão enxutas que você
precisa dar o tiro certo. |
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