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| Julho de 2003
| nº 46 | Capa: Ponto D Comunicação |
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Canal Capibaribe. Um Canal
de idéias
"Uma idéia na cabeça".
Pelo que parece, as palavras de Fred Zero 4 ecoaram
direitinho na cabeça de um grupo de jovens
recifenses.
Com diferentes históricos acadêmicos,
Mateus Sá (fotógrafo e estudante de
Relações Públicas), Aurélio
Emanuel (advogado e artista plástico) e Fabiana
Jansen e Ricardo Brandão (jornalistas) tiveram
a mesma idéia: propor um modelo diferenciado
de televisão que tivesse como metas fundamentais
a liberdade de expressão e a consciência
dos anseios da comunidade recifense. |
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Aproveitando os benefícios da Lei 8.977/95 (a qual
estabelece que toda TV a cabo instalada numa cidade deve
disponibilizar um canal comunitário entre seis
de acesso gratuito), eles deram luz a TV Capibaribe. A
primeira TV comunitária de Pernambuco e a segunda
no Nordeste.
Funcionando nos fundos de uma casa em Campo Grande -
um popular bairro do Recife (PE) -, a TV Capibaribe
surgiu de uma associação de ONGs e está
se desenvolvendo a partir da iniciativa de voluntários.
Inclusive a aquisição do equipamento para
a transmissão dos programas só foi possível
graças à participação de
Organizações Não-Governamentais
como o Coletivo Mulher Vida, Fusquinha Vermelho e do
próprio Canal Capibaribe.
Além disso, parte da verba foi conseguida do
próprio bolso de voluntários como Aurélio
Emanuel, um dos mentores do canal. "Para a transmissão,
a gente precisava de aproximadamente R$ 7 mil. Parte
foi conseguida a fundo perdido e o restante veio da
venda de esculturas que eu faço", diz Aurélio.
Transmitida pelo canal 14 da TV Cabo Mais, a TV Capibaribe
vai ao ar de segunda a sexta-feira, das 18h às
23h. "A programação é variada
e feita através das idéias desenvolvidas
pela própria equipe, que elabora um projeto.
Depois grava um programa-piloto para então ir
ao ar. As pessoas participam também da captação
de recursos", explica Aurélio.
Voluntários também podem fazer sugestões
de programas. "Aqueles são programas produzidos
pelo próprio canal Capibaribe. Os que são
sugeridos por outros voluntários, podem ter sua
produção viabilizada pelo canal",
continua. "O canal é divulgado no boca a
boca e está aberto para quem quiser ser voluntário.
A idéia é identificar as habilidades de
cada pessoa e adequá-las ao perfil dos programas",
incentiva.
Nessa estrutura, Roberta Oliveira e Mariana Martins,
estudantes de turismo e fonoaudióloga, respectivamente,
fazem um programa voltado para o rio que deu nome à
emissora.
Por ser, na sua essência, um canal de cunho comunitário,
seus programas apresentam a rotina do Recife. Os programas
têm, em sua maioria, 30 minutos de duração
e são elaborados sem apoio cultural. Também
há programas de uma hora de transmissão.
Essa veiculação é patrocinada por
entidades que compram o tempo, como a Sociedade Teosófica
que tem espaço na grade de programação.
Cecilia de Sá Pereira
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