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| Julho de 2003
| nº 46 | Capa: Ponto D Comunicação |
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Freud também explica a crise do mercado
publicitário
Num momento em que as verbas publicitárias estão
cada vez mais escassas e até Al Ries, um grande
teórico do marketing, aproveitando a queda do faturamento
das agências americanas, que em 2001 decresceu 2,2%,
acendeu a polêmica sobre "A queda da propaganda"
(editora Campus), há uma questão que não
me sai da cabeça: por que será que um dos
segmentos de negócios reconhecidamente mais criativo
não consegue encontrar soluções para
os problemas cada vez mais graves do mercado publicitário?
Por que será que os publicitários de Alagoas,
do Nordeste e até mesmo do Brasil, só conseguem
ser criativos para resolver problemas dos outros setores
da economia?
Os caminhos para esta resposta me remetem ao fim do século
passado quando, no discurso de posse como presidente do
Sinapro (Sindicato das Agências de Propaganda de
Alagoas), usei máscara para representar satiricamente
a postura dos dirigentes das empresas do setor. Argumentava,
sob os olhares constrangidos dos "companheiros"
da diretoria, que se não fôssemos capazes
de tirar nossas máscaras, encarando com mínimo
de honestidade nossos problemas, seria impossível
qualquer mudança efetiva no mercado publicitário.
O desfecho dessa história foi previsível:
como apenas o presidente tirou a máscara, seis
meses depois eu renunciei ao cargo e até hoje o
sindicato não se reorganizou.
Em outras palavras, o problema parece ser mais freudiano
do que administrativo. Por incrível que pareça,
muitos publicitários são capazes de passar
um ano inteiro pensando em como ganhar prêmios nos
festivais do que como melhorar efetivamente a performance
da sua empresa e/ou como desenvolver mais o seu mercado.
Como qualquer semelhança com fatos ou pessoas reais
não é mera coincidência, proponho
um novo mercado para psicólogos e psiquiatras:
criar o divã publicitário, uma terapia para
aplacar os egos dos nossos criativos e mostrar que há
mais coisas entre o céu (onde flutuam os egos)
e a terra (onde reinam problemas de gerenciamento e relacionamento
pessoal) do que poderiam imaginar os "orgasmos criativos
premiados".
Alexandre Sampaio,
diretor de atendimento da 666 Propaganda-AL
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