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   Agosto de 2003 | nº 47 | Capa: Extra Comunicação
   
   
     
  NA ROTA DO SUCESSO
Luciana Monteiro

 
Nascido em uma família de 11 filhos, Wilson da Silva Guimarães, 53, casado, já enfrentou muitos desafios na vida. Proprietário da Rota Publicidade (com sede no Recife e filiais que vão de Salvador à Teresina), Wilson foi o responsável pela aquisição no Nordeste de uma das mais inovadoras formas de se fazer mídia externa, depois dos outdoors. Trata-se de peças publicitárias fixadas em ônibus, ou seja, a arte da propaganda que circula de um canto a outro da cidade e passa pelos olhos de grande parte da população.
Exatamente por ter sido pioneiro em Pernambuco, o designer autodidata (como se auto-denomina) enfrentou diversas dificuldades no crescimento da Rota. Em meados da década de noventa, a onda de assaltos dentro dos ônibus da cidade do Recife levantou polêmica sobre a pertinência de se manter os anúncios afixados nas traseiras dos veículos. Como Wilson mesmo afirma na entrevista a seguir, seu maior desafio foi provar aos órgãos Estaduais e Municipais, Assembléia
Legislativa e Câmara Municipal que não existia nenhuma relação direta entre a propaganda e os assaltos e violência nos ônibus, como ficou comprovado segundo pesquisas.
Wilson é filho de comerciante do seguimento de estiva em grosso e quando jovem, em companhia de seus dez irmãos, gostava de criar animais domésticos, admirar a natureza, ler e desenhar. Este último hobby se destacou e o fez designer e profissional da propaganda, além de ao longo de sua carreira sempre estar envolvido com o ramo de transportes públicos. Hoje, a Rota exibe publicidade em ônibus, táxi, metrô e em aeroportos, e está preste a ampliar seus negócios em Mídia Exterior, pois acabou de formar parceria com empresas de Portugal e Espanha no seguimento de painéis dinâmicos que já estão sendo exibidos inicialmente no metrô e aeroporto do Recife.
A seguir, entrevista na qual o empresário contou à PRONEWS detalhes sobre sua carreira e seus sonhos para o futuro.

PRONEWS: Conte um pouco sobre suas principais experiências profissionais antes do surgimento da Rota.
Wilson: Fui funcionário do Estado de Pernambuco na área de fiscalização do Deterpe, e proprietário de escritório de Design e Comunicação Visual, com vários projetos de identidade de empresas e frotas de ônibus e caminhões, inclusive com vários prêmios sobre projetos da frota mais bonita do Brasil no concurso da revista Transporte Modernos SP. Trabalhei ainda como diretor de Planejamento das empresas de ônibus Santa Cruz e Borborema, no Recife, e como representante de vendas de ônibus das fábricas Mercedes Benz/Norasa, Thamco (SP) e Ciferal (RJ). Como se pode observar, minha vida foi sempre em cima do produto ônibus, desde o primeiro emprego como fiscal dos ônibus, depois como vendedor de peças e carrocerias e finalmente como exibidor de publicidade nos ônibus. Daí, ficar fácil entender o nome da nossa empresa: Rota.

PRONEWS: Como aconteceu seu envolvimento com o mercado publicitário?
Wilson: Depois de ter ganhado quatro prêmios na área de design de frota, oferecidos pela revista Transportes Modernos, e depois de viajar muito a cidade de São Paulo, verifiquei as propagandas em ônibus lá exibidas. Posteriormente, um amigo daquela cidade nos procurou para viabilizar o produto de publicidade em ônibus no ano de 1985.

PRONEWS: E como surgiu a Rota Publicidade?
Wilson: Foi exatamente no segundo semestre de 1985 que viabilizamos e abrimos a nossa empresa de exibição de publicidade em ônibus. As viagens ao sudeste ajudaram a pesquisa sobre algo que não existia no nosso mercado. Tivemos muito trabalho para credibilizar o nosso produto, que na época era uma
mídia alternativa e as empresas deste meio na nossa região não faziam bons trabalhos nas agências de propaganda. Trabalhavam muito com os clientes diretos e de certo modo não executavam bem os seus serviços, proporcionando uma imagem negativa nos produtos de mídia exterior.

PRONEWS: Como se deu a viabilização?
Wilson: Iniciamos com a fixação nas traseiras dos ônibus, no vidro, com uma faixa de 25cm. Cinco anos depois essa faixa passou a ter 50cm e finalmente após mais dois anos passou-se a fixar o material em toda a extensão do vidro traseiro dos veículos. Em setembro de 1999, finalmente no Recife, a EMTU autorizou os modelos na traseira total (backbus) e o envelopamento, ou seja, toda a carroceria do veículo adesivada.

PRONEWS: Na sua opinião, quais são as principais facilidades e dificuldades que um profissional encontra ao trabalhar com o mercado publicitário do Nordeste de hoje?
Wilson: Sempre fica mais fácil, trabalhar em qualquer mercado, quando se tem ética, seriedade e respeito aos clientes e fornecedores. As dificuldades são as incertezas e constantes mudanças da economia do nosso país, bem como a carga tributária imposta às empresas em geral.

PRONEWS: E qual foi o maior desafio de sua carreira?
Wilson: Foi provar aos órgãos Estaduais e Municipais, Assembléia Legislativa e Câmara Municipal que não existe nenhuma relação direta entre a propaganda e os assaltos e violência nos ônibus. Quando a publicidade em ônibus estava começando a deixar de ser vista como uma mídia alternativa pelas agências de publicidade, passando a ser planejada como uma alternativa de mídia, com comprovação de altos índices de retorno aos clientes (conforme comprova pesquisas realizada pelo DATAFOLHA em São Paulo em dezembro de 2001 e publicada na revista Meio&Mensagem) surgiu no Recife e em Salvador uma onda de boatos, com o apoio dos meios de comunicação, que os assaltos aos ônibus eram motivados pelos painéis fixados nas traseiras dos veículos, pois os mesmos dificultavam a visibilidade. Após a realização de pesquisas e muita investigação, nada ficou provado.

 
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