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Nascido em uma família de 11 filhos,
Wilson da Silva Guimarães, 53, casado,
já enfrentou muitos desafios na vida.
Proprietário da Rota Publicidade (com
sede no Recife e filiais que vão de
Salvador à Teresina), Wilson foi o
responsável pela aquisição
no Nordeste de uma das mais inovadoras formas
de se fazer mídia externa, depois dos
outdoors. Trata-se de peças publicitárias
fixadas em ônibus, ou seja, a arte da
propaganda que circula de um canto a outro
da cidade e passa pelos olhos de grande parte
da população.
Exatamente por ter sido pioneiro em Pernambuco,
o designer autodidata (como se auto-denomina)
enfrentou diversas dificuldades no crescimento
da Rota. Em meados da década de noventa,
a onda de assaltos dentro dos ônibus
da cidade do Recife levantou polêmica
sobre a pertinência de se manter os
anúncios afixados nas traseiras dos
veículos. Como Wilson mesmo afirma
na entrevista a seguir, seu maior desafio
foi provar aos órgãos Estaduais
e Municipais, Assembléia |
Legislativa e Câmara Municipal que não
existia nenhuma relação direta entre
a propaganda e os assaltos e violência nos
ônibus, como ficou comprovado segundo pesquisas.
Wilson é filho de comerciante do seguimento
de estiva em grosso e quando jovem, em companhia
de seus dez irmãos, gostava de criar animais
domésticos, admirar a natureza, ler e desenhar.
Este último hobby se destacou e o fez designer
e profissional da propaganda, além de ao
longo de sua carreira sempre estar envolvido com
o ramo de transportes públicos. Hoje, a
Rota exibe publicidade em ônibus, táxi,
metrô e em aeroportos, e está preste
a ampliar seus negócios em Mídia
Exterior, pois acabou de formar parceria com empresas
de Portugal e Espanha no seguimento de painéis
dinâmicos que já estão sendo
exibidos inicialmente no metrô e aeroporto
do Recife.
A seguir, entrevista na qual o empresário
contou à PRONEWS detalhes sobre sua carreira
e seus sonhos para o futuro.
PRONEWS: Conte um pouco sobre suas principais
experiências profissionais antes do surgimento
da Rota.
Wilson: Fui funcionário do Estado de Pernambuco
na área de fiscalização do
Deterpe, e proprietário de escritório
de Design e Comunicação Visual,
com vários projetos de identidade de empresas
e frotas de ônibus e caminhões, inclusive
com vários prêmios sobre projetos
da frota mais bonita do Brasil no concurso da
revista Transporte Modernos SP. Trabalhei ainda
como diretor de Planejamento das empresas de ônibus
Santa Cruz e Borborema, no Recife, e como representante
de vendas de ônibus das fábricas
Mercedes Benz/Norasa, Thamco (SP) e Ciferal (RJ).
Como se pode observar, minha vida foi sempre em
cima do produto ônibus, desde o primeiro
emprego como fiscal dos ônibus, depois como
vendedor de peças e carrocerias e finalmente
como exibidor de publicidade nos ônibus.
Daí, ficar fácil entender o nome
da nossa empresa: Rota.
PRONEWS: Como aconteceu seu envolvimento
com o mercado publicitário?
Wilson: Depois de ter ganhado quatro prêmios
na área de design de frota, oferecidos pela
revista Transportes Modernos, e depois de viajar
muito a cidade de São Paulo, verifiquei as
propagandas em ônibus lá exibidas.
Posteriormente, um amigo daquela cidade nos procurou
para viabilizar o produto de publicidade em ônibus
no ano de 1985.
PRONEWS: E como
surgiu a Rota Publicidade?
Wilson: Foi exatamente no segundo semestre
de 1985 que viabilizamos e abrimos a nossa
empresa de exibição de publicidade
em ônibus. As viagens ao sudeste ajudaram
a pesquisa sobre algo que não existia
no nosso mercado. Tivemos muito trabalho para
credibilizar o nosso produto, que na época
era uma |
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mídia alternativa e as empresas deste meio
na nossa região não faziam bons trabalhos
nas agências de propaganda. Trabalhavam muito
com os clientes diretos e de certo modo não
executavam bem os seus serviços, proporcionando
uma imagem negativa nos produtos de mídia
exterior.
PRONEWS: Como se deu a viabilização?
Wilson: Iniciamos com a fixação
nas traseiras dos ônibus, no vidro, com
uma faixa de 25cm. Cinco anos depois essa faixa
passou a ter 50cm e finalmente após mais
dois anos passou-se a fixar o material em toda
a extensão do vidro traseiro dos veículos.
Em setembro de 1999, finalmente no Recife, a EMTU
autorizou os modelos na traseira total (backbus)
e o envelopamento, ou seja, toda a carroceria
do veículo adesivada.
PRONEWS: Na sua opinião, quais
são as principais facilidades e dificuldades
que um profissional encontra ao trabalhar com
o mercado publicitário do Nordeste de hoje?
Wilson: Sempre fica mais fácil, trabalhar
em qualquer mercado, quando se tem ética,
seriedade e respeito aos clientes e fornecedores.
As dificuldades são as incertezas e constantes
mudanças da economia do nosso país,
bem como a carga tributária imposta às
empresas em geral.
PRONEWS: E qual foi o maior desafio de
sua carreira?
Wilson: Foi provar aos órgãos Estaduais
e Municipais, Assembléia Legislativa e
Câmara Municipal que não existe nenhuma
relação direta entre a propaganda
e os assaltos e violência nos ônibus.
Quando a publicidade em ônibus estava começando
a deixar de ser vista como uma mídia alternativa
pelas agências de publicidade, passando
a ser planejada como uma alternativa de mídia,
com comprovação de altos índices
de retorno aos clientes (conforme comprova pesquisas
realizada pelo DATAFOLHA em São Paulo em
dezembro de 2001 e publicada na revista Meio&Mensagem)
surgiu no Recife e em Salvador uma onda de boatos,
com o apoio dos meios de comunicação,
que os assaltos aos ônibus eram motivados
pelos painéis fixados nas traseiras dos
veículos, pois os mesmos dificultavam a
visibilidade. Após a realização
de pesquisas e muita investigação,
nada ficou provado.
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