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   Agosto de 2003 | nº 47 | Capa: Extra Comunicação
 
 
   
     
ECLIPSE DE CLIPES NA UFPE
Luciana Torreão
Quem pensa que a maioria dos videoclipes produzida atualmente serve apenas como mero instrumento para a venda de discos e promoção dos artistas no mercado fonográfico, está certo e errado ao mesmo tempo. Para provar que esta contradição existe dois estudantes de jornalismo da Universidade Federal de Pernambuco, Germano Rabello e Aroldo Araújo promoveram através do Cineclube Barravento a I Mostra Eclipse de Clipes. O

evento ocorreu em 4 de junho, no Auditório do Centro de Artes e Comunicação da UFPE (CAC) e aconteceu paralelamente ao XII Reunião Anual da Associação Nacional de Programas de Pós-Graduação em Comunicação (Compós 2003).
O videoclipe é uma das mais excitantes formas artísticas gerada nos últimos tempos. A intenção da mostra foi revelar produções que apresentassem conteúdos diferentes. A exibição incluiu artistas que têm a preocupação de inovar a narrativa cinematográfica e a estética do videoclipe, trabalhando com diretores que se consagraram no formato, como Chris Cunningham e Michel Gondrycomo. Entre os vídeos apresentados constavam The Smiths, Bjork, REM, Prodigy, Sonic Youth, Porttishead, Fat Boy Slim, Radiohead e David Bowie, entre outros.
Em meio à apresentação dos 17 clipes os expectadores contaram com a explanação do especialista no assunto, o professor do Programa de Estudos Pós-Graduados em Comunicação e Semiótica da PUC-SP e do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da Escola de Comunicação e Artes, da USP, Arlindo Machado. Estavam presentes ainda o doutor em cinema pela Universidade de Paris e professor da UFPE, Paulo Cunha e o jornalista da Folha de Pernambuco e professor da Universidade Salgado de Oliveira (Universo) e UFPE, Thiago Soares. Um dos organizadores da sessão especial, o estudante Aroldo Alves diz que a equipe priorizou na programação videoclipes das mais variadas técnicas e linguagens, sem restrições de gêneros musicais.
Arlindo Machado, que tem muitas publicações sobre a linguagem do videoclipe, e é autor do livro A Televisão Levada a Sério diz que a tendência atual é usar toda a criatividade, e fazer coisas impossíveis. São novos roteiros e cenários, novos efeitos", completa. O ideal é tornar o produto final em algo interessante e poético.
E, segundo Aroldo Araújo, a presença exclusiva de clipes estrangeiros aconteceu porque a gravação pela Internet é complicada e quando se procura algo nas locadoras, encontra-se apenas shows da banda. A carência de pesquisas sobre o tema no meio acadêmico, principalmente acerca de produções pernambucanas e regionais levou a dupla a fazer um projeto de conclusão sobre o assunto. Porém, a falta de recursos ainda é um percalço. "Estamos abertos a propostas. Quem se interessar pelo assunto e quiser apoiar ou até mesmo investir em nossa idéia, pode nos procurar", solicita Rabello.
"O audiovisual é outra forma de inserção de novos profissionais no mercado e chegou num estágio extremamente consolidado. Por conta da pressão do mercado estes produtos correm o risco de se tornarem repetitivos e convencionais. Esta é uma forma de manter viva a chama experimentalista", enfatiza Paulo Cunha.

 

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