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| Agosto de 2003
| nº 47 | Capa: Extra Comunicação |
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DEPENDENTES
Lucas Barbosa Duck Comunicação (AL)
Quando pensei em começar não fazia a menor
idéia do que ia sentir. Já tinha visto muito
por aí, nas ruas, na TV, nos jornais, mas nunca
havia me despertado a vontade de provar. Foi quando resolvi
estudar seus efeitos e conseqüências. Precisava
ter certeza de que era exatamente isso que queria para
o resto da minha vida.
No início não tive muito contato, mas já
sentia uma enorme e inexplicável vontade de experimentar.
Só depois de várias tentativas consegui
minha tão esperada chance. Na primeira vez, já
deu pra sentir toda a pressão que ela exige de
quem está envolvido. Foi nesse momento que percebi
que estava entrando num caminho sem volta. Mesmo assim
foi fascinante. Passei dias lembrando da sensação
e não via a hora de fazer aquilo todos os dias.
Logo comecei a ter contato com ela todas as manhãs.
Dedicava a tarde para estudar e assim conhecer melhor
o novo e vicioso mundo no qual estava preste a mergulhar
de cabeça. Não demorou e comecei a vender
de tudo para satisfazer aquela necessidade que vinha não
sei de onde.
O tempo foi passando e fui, sem perceber, me tornando
um chato quando encontrava meus amigos. Só falava
sobre aquilo e não via a hora de outro dia chegar
para tudo começar novamente. A maioria deles nunca
havia experimentado e, acho que por educação,
nunca me repreendia. No fundo eu sabia que estava enchendo
o saco, mas mesmo assim não conseguia parar de
falar sobre minhas experiências diárias e
os resultados que aquilo sempre me trazia. Confesso que
cheguei a ficar um pouco preocupado. Meu único
consolo era saber que as pessoas que também faziam
aquilo sentiam o mesmo que eu.
Depois que comecei com essa vida conheci muita gente diferente,
são pessoas dotadas de uma criatividade acima da
média e que não têm o menor pudor
em falar as mais inacreditáveis besteiras. Acho
que foi justamente por isso que me identifiquei logo de
cara com todas elas, sem exceção.
O tempo passava e eu me tornava cada vez mais dependente.
Pegava o jornal e, em vez das noticias, lia só
o que realmente me interessava. O mesmo acontecia com
as revistas. Meus amigos falavam que sempre acharam que
eu ia terminar em algo assim e eu não tinha a menor
dúvida disso. Entrava em sites especializados no
assunto, comprava livros, e cheguei até a viajar
algumas vezes só para ouvir outras pessoas relatando
suas experiências.
Hoje estou consciente de que não tem mais como
sair dessa e já me acostumei a ouvir as pessoas
mais próximas dizendo que vivo "viajando".
Eu não acho isso ruim. Pelo contrário, é
o que sempre quis pra mim. Só não entendo
porque demorei tanto pra me envolver com essa tal de Propaganda.
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