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| Setembro de
2003 | nº 48 | Capa: Duck Comunicação |
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UMA PRA MIM, UMA PRA TU: UM CASO DE
SEGMENTAÇÃO
Ivelise Gomes
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Satisfazer os desejos mais específicos
dos leitores foi a arma utilizada pelas revistas
para se imporem no mercado editorial e, por isso,
correspondem a um excelente objeto de análise
e estudo da sociedade, uma vez que participaram
ativamente da história da imprensa e guardaram
características originárias de diversos
grupos sociais do mundo, durante seu desenvolvimento
enquanto meio de comunicação. Com
certeza, sua influência mais forte pode ser
observado no começo do século, período
de transformações radicais.
Foi nesta época, por exemplo, que o mercado
recebeu a primeira das publicações
a causar a maior revolução editorial:
a Marie Claire, magazine francês lançado
em 1937, com capa e diagramação mais
agradáveis, e nome pessoal. |
Então, chega a II Guerra Mundial e, para entreter
a população, lançam-se as fotonovelas,
histórias desenvolvidas através de fotografias
e textos curtos. Anos depois, o mundo é abalado
pela ousadia de Hugh Marston Hefner que lançou,
em 1953, a sua Playboy, considerada a melhor e mais gostosa
revista masculina. Neste mesmo período, nasceu
a Time, a primeira revista mensal de informação
com um bom trabalho de pesquisa e apuração
sobre acontecimentos do mundo todo.
Era o surgimento do processo de segmentação
das revistas, que foi se adaptando, cada vez mais, aos
perfis dos seus públicos, ganhando força
no mercado editorial e evoluindo com o passar do tempo
para o modelo atual, que abrange veículos de
assuntos especializado (profissional e não profissional)
e aqueles especializados em público (comportamento
e generalidades). Hoje, são cerca de 65 mil títulos
espalhados no mundo, que discorrem sobre diversos assuntos,
mas mantêm o mesmo foco das publicações
de outrora: trazer informação e entretenimento
para o leitor.
As revistas especializadas nunca estiveram tão
em voga quanto agora. Atualmente, este universo é
dividido entre dezenas de segmentos como economia, moda,
decoração, saúde, jardins, informática,
propaganda e bordo, fora aquelas dirigidas especificamente
a homens, mulheres e adolescentes das classes A e B
("revistas de comportamento"). Além
de poder de compra, esses públicos têm
instrução para manter o hábito
da leitura e, assim, o mercado. Por isso, a grande maioria
das revistas é pensada com o objetivo de fazer
o produto certo para o público certo e atingir
uma circulação significativa, para defender
o interesse dos anunciantes.
Assim, visando interesses pessoais e representando as
"posturas sexuais" de seus leitores, o produto
tem conquistado nichos de mercado, antes nunca trabalhados
como o público gay, por exemplo, que, até
algumas décadas atrás, vivia num submundo
fechado. Hoje, derrubados os muros do preconceito, conquistaram
espaço na mídia com revistas próprias
como a americana The List e a italiana King, depois
de figurar em capas dos principais periódicos
do mundo - como K.D. Lang, na Vanity Fair, em 1993.
A revista de comportamento conseguiu se sedimentar no
mercado editorial mundial, diferenciando-se dos demais
meios pela sua capacidade de apreender as mudanças
da sociedade, de forma instantânea, e criar novos
conceitos de comportamento. Hoje, o periódico
ocupa um papel importante na comunicação
e continua crescendo, apesar das crises econômicas
dos tempos modernos e do surgimento de novas mídias
como a internet, a TV interativa e o papel digital.
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