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   Outubro de 2003 | nº 49 | Capa: Criação 3
 
 
   
     
DOS JORNALESCOS AOS MAGAZINES: O CASO DO BRASIL
Ivelise Gomes

Com a transferência da Corte Portuguesa para a Colônia, o Brasil começou a respirar os ares de uma imprensa, ainda com traços europeus, mas pelo menos feita no país. Apesar da "era de Gutemberg" nos chegar com cerca de três séculos de atraso, foi se expandindo com muita rapidez entre as famílias abastadas. Primeiro, surgem os jornais produzidos de forma bastante artesanal e de cunho opinativo, que, mesmo nas mãos de ilustres pensadores, no geral, não tinham fôlego para sobreviverem mais do que dez anos.
Até que, em 1827, surgiu a primeira revista brasileira, O Espelho Diamantino, no Rio de Janeiro, também considerada a primeira no país dirigida ao público feminino. Com o passar dos anos, era inserido no meio uma importante inovação: a litografia, que abriu espaço para as gravuras, em sua maioria, de qualidade artística incontestável. Logo depois (em 1869), foi publicada a primeira história em quadrinhos nacional, As
Aventuras de Nhô Quim, ou Impressões de uma viagem à Corte, de Angelo Agostini, renomado artista da época, que deu os primeiros passos para a primeira Hq publicada para o público infantil: Tico-Tico (1905).
Neste mesmo período, os veículos da imprensa brasileira já se apresentavam como empresas capitalistas, que lhes permitiu modernização tecnológica como fotografias e a expansão para outras praças, até que, em 1928, foi fundada a revista O Cruzeiro, primeira publicação a circular, posteriormente, em todo cenário nacional. Ponto positivo para o país que anos mais tarde iria enfrentar a II Guerra Mundial, que teve como grande
dispersor das infelicidades as fotonovelas, veículos que aportaram por volta dos anos 50, com Grande Hotel, da Editora Vecchi.
Populares no país, elas passaram a conquistar novos mercados e públicos como o adolescente, que, em 1952, recebeu de braços abertos Capricho, editada pela Nova Cultural, que ainda incluía literatura e informações utilitárias. Entretanto, a grande sensação da época foi Manchete da Editora Bloch, a maior revista de circulação nacional, que deu início a um novo período na história da imprensa brasileira. Assim, nasceu, em 1968, Veja, uma revista semanal da Nova Cultural, de informações gerais.
Com a explosão do jornalismo especializado, nos anos 80, surgem diversos magazines voltados a assuntos específicos e públicos distintos como a Bizz (música) e Vídeo News (cinema e vídeo), algumas dos diversos títulos nascidos na época, que
não se mantiveram no mercado após 10 anos. Por isso, outras publicações já existentes, como Capricho e Playboy, lançaram mão de um tipo de "repaginação", adquirindo novas diagramação e linha editorial. E, dessa forma, conseguiram sobreviver aos anos 90, que são marcados pela retração do mercado editorial com a falência de grupos de renome no passado como a Bloch.

Fonte: O Jornalismo em Revista - Uma Análise das Revistas de Comportamento
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