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pe360graus
   Outubro de 2003 | nº 49 | Capa: Criação 3
   
   
     
A NOVA VISÃO DO MUNDO E A EMPRESA

O mundo atravessa um momento muito especial. As tendências para a destruição do planeta, baseadas na forma atual de organização do ser humano, fazem com que milhões de pessoas, nas mais diversas áreas de atuação, busquem uma nova visão do mundo. Os problemas ambientais, as populações esfomeadas, as diferenças alarmantes entre o mundo tecnológico dos ricos e a ausência de condições mínimas de sobrevivência de uma imensa camada de pobres impelem o planeta inevitavelmente à reflexão de seus valores, estilos de vida e credos. O avanço e o uso da tecnologia levam à discussão da eficácia. Os problemas de hoje não podem mais ser analisados segmentadamente. Nessa crise única vivida pela humanidade, nasce uma visão sistêmica. Uma nova forma de analisar as situações e tentar, através da mudança de paradigmas, transformar o homem que habita este planeta.
Líderes das mais variadas áreas da ciência, educadores, empresários cada vez mais se dão conta dos perigos da visão fragmentada que até agora orientou nosso mundo contemporâneo. Alguns políticos também já se conscientizaram da imperiosa necessidade de mudança. A visão fragmentada que nos orientou não resolve os problemas, simplesmente os troca de lugar. A sociedade industrial ocidental está em crise em todas as áreas: medicina, ecologia, educação, tecnologia, etc... O homem, a mulher e o conceito de família estão também em crise na última década. O trabalho agora, visa levantar, de forma resumida, o efeito dessa mudança de paradigma dentro das empresas e especialmente o papel dos comunicólogos nessa transformação. O consumidor não é mais o mesmo. O maior consumidor é o próprio funcionário da empresa. É impossível imaginar empresa iguais para o futuro. Existe uma nova maneira de fazer as coisas. Elas nos são sinalizadas pela própria mudança de paradigmas. E tudo mudará, ou está mudando, mais rápido do que se possa pensar.
Descobre-se uma nova interpretação para o conceito de liberdade: poder deixar um planeta para nossos filhos. As contradições e os conflitos são sinais de diversidade e evidenciam o movimento. Trabalhar com um planejamento de marketing e comunicação é ser, no momento, um agente de transformação. Os agentes de transformação eram instigadores de conflito no passado. Dentro do novo paradigma, esses indivíduos, cada um de nós, compreendendo o eterno movimento, atuam no processo sempre em busca do equilíbrio dinâmico. Precisamos de um novo modelo de marketing e comunicação baseado na mudança.
Planejamento é a arma para auxiliar a mudança das organizações levando-as à reflexão. No novo paradigma, ele não se restringe ao gabinete, sendo, antes de tudo, uma atividade dinâmica de reflexão e ação dentro dos organismos vivos, as empresas. No processo de planejamento, os líderes são influenciadores da dinâmica na própria organização, respeitando o tempo, a lógica e a emoção de cada uma delas. Ninguém comanda um sistema. A atividade de planejamento é catalisadora e impulsionadora de mudanças. Assim serão os novos líderes. Só as máquinas podem ser controladas. Os organismos vivos são autônomos. Reagem bem ao diálogo, à cooperação e à aliança. É obrigatório analisar todo o tempo e planejar dentro dos sistemas os passos seguintes, que serão sempre únicos para cada organização. Não existe receita. Por isso planejar é uma atividade altamente criativa. É também uma atividade educativa, já que nada mais somos do que orquestradores da mudança. A identidade de uma empresa é dada pelo seu inter-relacionamento com funcionários, clientes, não clientes e fornecedores.
O padrão de seu relacionamento é a sua marca. A comunicação deve ajudar a posicionar e dinamizar a marca de uma organização de uma empresa, primeiro precisamos conhecê-la compreendê-la. Trabalhar só a propaganda é coisa do velho paradigma; os novos profissionais da área já percebem a amplitude do trabalho que têm por fazer. Se aplicarmos a visão holística no dia-a-dia, será mais fácil entendermos por que o consumidor compra mais serviços do que produtos, mais conceitos e atitudes do que simplesmente tenta atender a suas necessidades físicas e imediatas. Aceitar que as teorias que nortearam nosso trabalho não funcionam mais pode ser desestabilizador, mas também mais gratificante. Já é tempo de aceitarmos que o futuro a gente inventa.

Nádia Rebouças
nareboucas@hexanet.com.br
www.reboucaseassociados.com.br

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