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   Novembro de 2003 | nº 50 | Capa: Aliança Comunicação
 
 
   
     
UM EXEMPLO DE RESISTÊNCIA: O MERCADO EDITORIAL NORDESTINO
Série: Revistas de comportamento

Eis que nadando contra a maré, está o mercado editorial nordestino que, seguindo a tradição de não se curvar diante das dificuldades, tem enfrentado com força e coragem as crises econômicas e a retração do setor no país, nos últimos dois anos. Longe da realidade nacional, as revistas do Nordeste normalmente não contam com grandes anunciantes, mas sim com muita garra e iniciativa, começando seus empreendimentos do zero, apenas com a força e a vontade.
Depois da implantação da imprensa no Brasil, surgiram vários veículos nascidos da iniciativa de sonhadores e idealistas interessados em divulgar suas idéias e ideais. Entretanto, morreram tão rápido quanto nasceram em conseqüência das dificuldades financeiras e/ou políticas de se manterem circulando. Mas, nos últimos 20 anos, observa-se que as revistas voltaram ao imaginário de mentes ansiosas para ver florir novas mídias, alcançando as ruas, muitas vezes, de forma modesta. Apesar da ingenuidade de muitos desses veículos, a mídia conseguiu sobreviver se mostrando sempre presente no mercado editorial brasileiro, destacando-se alguns títulos de destaque como as Swell e Ação da Bahia, lançadas em 1980, especializadas em surfe que vinham para suprir uma carência do público sobre o movimento no estado.
Dez anos depois, o mesmo movimento dava origem a outra publicação de igual valor e potencial: The Surf Press, publicação pernambucana, editada por jovens amantes das ondas, que se uniram e fundaram a Editora Actmídia. Com a experiência deste primeiro veículo, o grupo lançou a Vibe Magazine (1998), revista pernambucana de bolso sobre arte, cultura, moda, estilo, comportamento e eventos sociais. Com textos de leitura curta e fotos - muitas fotos -, o magazine atraía o público com a proposta de distribuição gratuita e informação de personalidades badaladas do estado como o artista Romero Brito, a modelo e atriz Fabiana Pirró e o jornalista Francisco José (repórter especial da TV Globo).
Antes desta, contudo, chegava a Fácil Nordeste (1995) que propunha informação turística e cultural para os nordestinos conhecerem melhor seu potencial. Contando com colaborações de peso como a do jornalista pernambucano João Alberto Sobral (colunista social do Diario de Pernambuco), a publicação da D&C Editora conquistou posição de destaque no mercado mantendo uma circulação de 12 mil exemplares, em nove estados do Nordeste e outras regiões, que hoje é a revista de bordo da TAP.
Uma das maiores apostas no mercado regional tem sido as revistas de bolso que tem se proliferado e feito sucesso, mesmo que repentino. Dentre elas, surgiram vários títulos que tiveram grande aceitação, mas poucas chances econômicas de se manter como a Mappa, dzine e Re-vista Fanzine Cultural (todas pernambucanas). Para vencer as dificuldades, muitos títulos fizeram parcerias com provedores e portais de internet para continuar suas atividades na mídia online, que se tornou refúgio de modernos idealistas como A Ponte (PE), Vaquejada e Forró (CE), Oxente Page (PB) e Sergipe S/A.
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