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Novembro
de 2003 | nº 50 | Capa: Aliança Comunicação
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EXPERIMENTALISMO PROFISSIONAL
Cecilia de Sá Pereira
Uma das maiores expectativas do estudante assim
que entra na universidade é sair com um caminho
já traçado. Mesmo que ainda nublado
pela imaturidade dos anos, desde o primeiro período,
o aluno tende a canalizar seu esforço para
a área que pretende se especializar. Dessa
forma, o projeto experimental representa o primeiro
passo para essa conquista - até porque, dele
depende a sua graduação. Durante o
percurso para a conclusão do projeto, a correria
e o estresse fazem com que chegue o ponto em que
o aluno questiona a finalidade de tanta dedicação.
Principalmente porque um projeto experimental, não
necessariamente será a referência de
sua carreira. Muitas vezes por falta de informação,
ele resolve "fazer qualquer projeto" ou
"o mais fácil", apenas para sair
da universidade.
De experimental, os projetos nada têm. Apesar
do nome, ele passa a ser a primeira "cria"
profissional do estudante. E erros, mesmo os quase
imperceptíveis, não são perdoados
por uma banca examinadora que desfere tiros e facadas
verbais quando algo lhe parece amador. Levando,
em alguns casos, esses estudantes a se desencantarem
com o "mundo adulto".Certamente não
foi o que aconteceu com as jornalistas Samantha
Gutemberg, Manuelle Coutinho e Paula Delgado, com
o vídeo sobre adoção, Gestantes
do Coração. Recém-formadas
pala Universidade Católica de Pernambuco
- Unicap, elas passaram por essa experiência
e, apesar de vários fatores indicarem o desencorajamento,
nada as tirou do caminho traçado. "Dificuldades
fazem parte de qualquer empreendimento, e a gente
tinha que enfrentar as nossas", diz Paula Delgado.
A primeira dificuldade é decidir qual área
seguir. Das idéias iniciais, duas ofereciam
o grau máximo de dificuldade para um projeto
em vídeo: a escassez de imagens. "Assim,
nos sensibilizamos com a questão da adoção
e caímos em campo", conclui. Para desenvolver
o vídeo, o grupo deu um enfoque pouco explorado
pela mídia. Além da convivência
entre pais e filhos adotivos, destacaram o passo
a passo para quem quiser adotar uma criança.
"Queríamos enfocar, sobretudo, a responsabilidade
social que o tema abrange", revela.
Engraçado é que, diferentemente do
que todo o mundo pensa, nenhuma integrante do grupo
foi adotada ou tem parentes nessa situação.
Uma dificuldade sentida apenas no início
do projeto. A falta de personagens foi suprida à
medida que o filme foi sendo feito, porque sempre
aparecia alguém que conhecia alguém
que era adotado ou adotou uma criança…
Uma das histórias que mais chamam a atenção
é a do menino Flávio Dias, de 14 anos,
adotado aos 11. "Ele trabalhava num sinal,
quando sua mãe adotiva parou o carro e o
convidou para morar com ela. Assim, desse jeito",
conta Paula. Esse "caso de amor à primeira
vista", como diz a mãe de Flávio,
é mostrado no vídeo, assim como o
processo de convivência e os problemas e preconceitos
enfrentados até que os dois pudessem ficar
juntos. Além dessa, compõem o vídeo,
outras histórias como a de uma mãe,
que só com a chegada do filho deficiente
pôde sair do estado de depressão em
que se encontrava.
Mesmo não tendo sido a maior nota de todos
os projetos em vídeo, o grupo celebra os
9,5 como sendo o resultado ideal. "Não
acho que dez seja a nota para o nosso filme. Ele
não foi perfeito. Ainda temos muito a aprender.
Esse foi apenas o primeiro projeto. Aprendemos muito
com ele", encerra Paula. Fora o aprendizado
técnico, o grupo revela que, depois desse
trabalho, qualquer ressalva que tinha a respeito
do tema foi curada durante essa semana.
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