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| Janeiro de
2004 | nº 51 | Capa: Expressão Comunicação
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DE OLHO NO FUTURO
Por Ivelise Gomes |
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Dividindo-se entre as responsabilidades da sua
Leiaute Propaganda e da presidência da Abap-BA,
Sidônio Palmeira aplica da melhor forma possível
o novo conceito de administração de
tempo, discursado por tantos especialista nacionais
e internacionais. E haja administração
de tempo! Uma hora, ele está em Juazeiro.
Noutra, está em Natal. Mas se engana quem
pensa que este baiano de Vitória da Conquista
vive só de trabalho. Aproveita o tempo livre
para curtir a filhota Raquel, homônima da
famosa autora cearense do romance "Memorial
de Maria Moura" (Raquel de Queiroz). |
Nascido em 1958, este pisciano aprendeu a aproveitar as
viagens como um hobbie, assim como pedalar. E, entre um
compromisso e outro, sempre arranja um tempinho para curtir
uma boa leitura (de preferência, Pablo Neruda, autor
de "Confesso que Vivi"), filme ("Sob o
Céu que nos Protege" de Bernardo Bertolucci),
música (Caetano Veloso e Marisa Monte) e um bom
prato (francês).
Sem perder tempo, o engenheiro civil que migrou para a
publicidade não descansa em serviço e articula
com a direção nacional da Abap (Associação
Brasileira de Agências de Publicidade) ações
sobre a regionalização das verbas do governo
federal, que considera uma luta interessante e importante
para todos do mercado.
Revista Pronews - Você sofreu influência
de alguém na escolha da carreira?
Sidônio Palmeira - Não tive influência
de parentes ou amigos para seguir a publicidade, inclusive,
minha escolha profissional foi engenharia civil, que me
deixaria longe deste mercado. Entretanto, uma coisa levou
a outra. E, de repente, comecei na carreira fundando a
minha própria agência, a Leiaute.
Revista Pronews - Como foi esse começo
de carreira?
Sidônio Palmeira - A Leiaute surgiu, em
1988, simplesmente pela ousadia de três jovens estudantes
universitários, que não tinham fax ou celular.
Computador, por exemplo, ainda era artigo de luxo. E,
como em toda agência nascida nessas circunstâncias,
cada sócio fazia de tudo um pouco, da prospecção
e briefing à produção. Por isso,
esse início foi muito difícil como tudo
que é novo no mercado. Mas, no decorrer da nossa
história, conseguimos conquistar centenas de prêmios
e construir dezenas de cases.
Revista Pronews - Ainda é possível
arriscar e investir num negócio próprio
do zero?
Sidônio Palmeira - Acredito que sim. Entretanto,
acho necessário ressaltar que começar do
zero não deve implicar em zero em matéria
de conhecimento do negócio, ousadia e visão.
Revista Pronews - Quantos clientes a Leiaute tem?
Sidônio Palmeira - Atualmente, a Leiaute
conta com uma carta de 28 clientes. Na Bahia, temos Supermercados
G.Barbosa, UCSAL, Faculdade Área 1, Consultec,
Brasilgás, Rede Boafarma, Tend Tudo, Ãdi
Calçados, Farmoderma, ATOL, Casapark- Shopping
de decoração em Brasília e uma rede
de supermercado local.
Revista Pronews - Que tipo de profissional impressiona
mais no mercado?
Sidônio Palmeira - Para mim, o profissional
que mais chama atenção é aquele que,
além da competência técnica, tem visão
estratégica.
Revista Pronews - Quais os profissionais de hoje
que admira e respeita?
Sidônio Palmeira - Como publicitário,
tenho uma grande admiração pelo talento
e visão estratégica do Júlio Ribeiro
da Tallent. Mas tem também Roberto Duallibi.
Revista Pronews - Qual a campanha criada pela
Leiaute que ficou marcada na memória?
Sidônio Palmeira - Para mim, a campanha
que nós realizamos e que mais marcou foi a promocional
do "Leve 3 Pague 2" do Supermercado Petipreço,
que foi responsável pela conquista da nossa primeira
conta de varejo.
Revista Pronews - Qual a campanha nacional (ou
internacional) que mais lhe chamou a atenção
e que podemos considerar um trabalho referencial?
Sidônio Palmeira - Na minha opinião,
uma campanha que é referência quando se pensa
em trabalho de marca é a da Brastemp. Essa campanha
foi um trabalho que marcou época, encontrando resposta
do consumidor a ponto de transformar um produto ou marca
em símbolo.
Revista Pronews - Quais as perspectivas de futuro
pessoal e profissional? E para a empresa?
Sidônio Palmeira - No campo pessoal, meu
sonho é viajar pelo mundo. No profissional, tenho
hoje um grande desafio que tem sido a presidência
da Abap-BA. Minha principal meta e meu compromisso são
ajudar o mercado publicitário em seu crescimento
e profissionalismo. Agora, com relação a
Leiaute, já estamos vivendo momento de novas perspectivas.
A empresa está vivendo uma fase de crescimento
e expansão em outros mercados geográficos,
em função da conquista de novas contas e
abertura do escritório em Brasília.
Revista Pronews - Na sua opinião, em que
o Brasil se destaca?
Sidônio Palmeira - Acho que o que destaca
o país é o perfil do seu povo. Um povo otimista,
acolhedor e crédulo.
Revista Pronews - Qual o diferencial do mercado
de propaganda brasileiro? E do Nordestino?
Sidônio Palmeira - A paixão pelo
que faz. Temos técnica, profissionalismo, conhecimento,
mas o que nos diferencia é esta pitada de emoção
que colocamos no nosso negócio. Com relação
ao Nordeste... Garra. Aprendemos a trabalhar com todas
as limitações, desde as pequenas
verbas até a falta de visão da importância
do nosso papel, no entanto temos como traço comum
a garra com que nos dedicamos ao mercado.
Revista Pronews - O que a Bahia tem? É
só axé?
Sidônio Palmeira - A Bahia não é
só axé, mesmo porque existe vida inteligente
nessa terra de Jorge Amado, Caribé, João
Ubaldo,Caetano, Gil, Elomar, Glauber Rocha e tantos outros.
Revista Pronews - Como uma empresa de propaganda
pode ajudar no desenvolvimento social e o que ela ganha
com isso?
Sidônio Palmeira - As empresas podem, principalmente,
realizar campanhas de cunho social e integrar no processo
outras empresas com as quais você trabalha. Com
isso, Ganhamos um país e um mundo melhor para todos.
Revista Pronews - Qual a importância da responsabilidade
social no Brasil de hoje?
Sidônio Palmeira - Para melhorar as condições
de vida do nosso povo é preciso acreditar no
Brasil e sempre contribuir socialmente na área
em que você atua.
Revista Pronews - Quem são as pessoas que
estão contribuindo para o desenvolvimento do país?
Sidônio Palmeira - Bom, não sei
bem como responder. Mas, acredito no governo do presidente
Lula. Acho que é o momento do crescimento econômico
e diminuição da desigualdade social.
Revista Pronews - Quais as pessoas que estão prejudicando
esse desenvolvimento?
Sidônio Palmeira - Não acredito
em obra de uma pessoa para prejudicar um país,
mas é
preciso acabar com a corrupção e com os
interesses mesquinhos.
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