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pe360graus
   Ano V | 15 janeiro - 15 fevereiro de 2004 | nº 52 | Capa: ProNews
 
 
     
Um padroeiro para os publicitários

O país do sincretismo religioso parece ter descoberto os efeitos da fé na profissão. Não importa o que se faça: carregar pedra, dirigir um filme ou inscrever-se num concurso público, em busca da cobiçada estabilidade econômica. O fenômeno da crença como extensão do currículo ganha debates calorosos em seminários e worshop. O objetivo é justamente colocar uma pulga atrás da orelha dos céticos e pragmáticos, a respeito da importância de acreditar que Deus e sua legião de anjos e santos podem fazer a diferença na hora de mostrar talento. É como se as pessoas, de repente, tivessem perdido a vergonha de ter um altar interno, para prostar-se diante de alguma divindade e pedir proteção contra o desemprego, a falta de criatividade, a invejam, a cobiça e o medo de arriscar na carreira. Na hora de apelar para os céus, vale qualquer santo? Não. Pelo menos é o que pensa o diretor de arte da Ampla Comunicação, Edson Rosas.
Confessadamente ateu e marxista, o publicitário não ver vantagem alguma em ter uma religião. Aliás, faz coro ao que dizia Karl Marx: “A religião é o ópio do povo”.
Mesmo participando ativamente da mais recente campanha institucional da agência em que trabalha, cujo mote foi associar religiosidade do povo brasileiro às ferramentas que dispõe para desatar os nós mais complicados dos seus cliente, Edson Rosas não está nem aí para rezas. “Eu diria que não tem nem choro e nem vela. Para se conquistar as coisas tem que ser com muito trabalho”, argumenta seco e direto. Principalmente quando descobre que existe São Bernardino de Sena, o padroeiro dos publicitários e anunciantes.
“Que santo é esse?”, pergunta meio surpreso o diretor de criação da agência alagoana Duck Comunicação, Lucas Barbosa, mas sem a indignação típica de um ateu. “Eu não costumo apelar para a religiosidade na hora de criar, pelo menos até perceber que a idéia que eu preciso não está surgindo. Quando isso acontece, assumo que tento bater um papo com alguém, até agora não sabia quem era”, disse, meio aliviado de saber que São Bernardino era justamente o que ele procurava. “Com a descoberta do nosso padroeiro tudo fica mais fácil. O engraçado é que há dias que pareço mais inspirado e os trabalhos saem com muito mais facilidade”, reconhece, desconfiado da influência do seu padroeiro profissional.

Deus criador - Indiferente a São Bernadino de Sena, mas com todo o respeito pela sua graduação celestial, o presidente da agência baiana Pejota, Paulo Viana, declara-se católico e credita a Nossa Senhora suas conquistas pessoais e profissionais. É a Ela que diz interceder na hora em que precisa chegar até Deus. “A publicidade trabalha com a emoção e tudo que a gente faz, tem que ter fé. Sem Deus, nada faz sentido”, apregoa.
O diretor de criação da agência pernambucana Arcos Comunicação, Carlos Renato também compactua com a religiosidade de Vianna. O publicitário assume abertamente: “Sou cristão convicto e praticante. Peço se pré a Deus que me capacite e me ajude em todas as áreas de minha vida”, revela. Para Cá Renato, como é mais conhecido no meio publicitário do Recife, ninguém entende mais de criação do que Deus. “Sei que estou em boas mãos”, brinca.


Saiba quem é São Bernardino de Sena
São Bernardino nasceu em 1380 em Massa Marítima, Itália, numa nobre família senense dos Albizzeschi. Ficou órfão de pai e mãe ainda muito jovem e foi criado por tias extremamente religiosas, na cidade de Sena. Freqüentou a faculdade até os 22 anos, quando abandonou a vida mundana para vestir hábito franciscano. Dentro da Ordem, tornou-se um dos principais divulgadores da reforma dos franciscanos e ainda fazia incidir monograma JHS sobre tabuinhas de madeira, seus discursos. São Bernardino morreu na cidade de Áquila em 1444, aos 64 anos. Em 1450, tornou-se padroeiro dos publicitários e anunciantes. O dia de sua reverência é 20 de maio.

     
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