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O país do sincretismo
religioso parece ter descoberto os efeitos da fé
na profissão. Não importa o que se
faça: carregar pedra, dirigir um filme ou
inscrever-se num concurso público, em busca
da cobiçada estabilidade econômica.
O fenômeno da crença como extensão
do currículo ganha debates calorosos em seminários
e worshop. O objetivo é justamente colocar
uma pulga atrás da orelha dos céticos
e pragmáticos, a respeito da importância
de acreditar que Deus e sua legião de anjos
e santos podem fazer a diferença na hora
de mostrar talento. É como se as pessoas,
de repente, tivessem perdido a vergonha de ter um
altar interno, para prostar-se diante de alguma
divindade e pedir proteção contra
o desemprego, a falta de criatividade, a invejam,
a cobiça e o medo de arriscar na carreira.
Na hora de apelar para os céus, vale qualquer
santo? Não. Pelo menos é o que pensa
o diretor de arte da Ampla Comunicação,
Edson Rosas. |
Confessadamente ateu e marxista,
o publicitário não ver vantagem alguma
em ter uma religião. Aliás, faz coro
ao que dizia Karl Marx: “A religião
é o ópio do povo”.
Mesmo participando ativamente da mais recente campanha
institucional da agência em que trabalha,
cujo mote foi associar religiosidade do povo brasileiro
às ferramentas que dispõe para desatar
os nós mais complicados dos seus cliente,
Edson Rosas não está nem aí
para rezas. “Eu diria que não tem nem
choro e nem vela. Para se conquistar as coisas tem
que ser com muito trabalho”, argumenta seco
e direto. Principalmente quando descobre que existe
São Bernardino de Sena, o padroeiro dos publicitários
e anunciantes.
“Que santo é esse?”, pergunta
meio surpreso o diretor de criação
da agência alagoana Duck Comunicação,
Lucas Barbosa, mas sem a indignação
típica de um ateu. “Eu não costumo
apelar para a religiosidade na hora de criar, pelo
menos até perceber que a idéia que
eu preciso não está surgindo. Quando
isso acontece, assumo que tento bater um papo com
alguém, até agora não sabia
quem era”, disse, meio aliviado de saber que
São Bernardino era justamente o que ele procurava.
“Com a descoberta do nosso padroeiro tudo
fica mais fácil. O engraçado é
que há dias que pareço mais inspirado
e os trabalhos saem com muito mais facilidade”,
reconhece, desconfiado da influência do seu
padroeiro profissional.
Deus criador - Indiferente a São Bernadino
de Sena, mas com todo o respeito pela sua graduação
celestial, o presidente da agência baiana
Pejota, Paulo Viana, declara-se católico
e credita a Nossa Senhora suas conquistas pessoais
e profissionais. É a Ela que diz interceder
na hora em que precisa chegar até Deus.
“A publicidade trabalha com a emoção
e tudo que a gente faz, tem que ter fé.
Sem Deus, nada faz sentido”, apregoa.
O diretor de criação da agência
pernambucana Arcos Comunicação,
Carlos Renato também compactua com a religiosidade
de Vianna. O publicitário assume abertamente:
“Sou cristão convicto e praticante.
Peço se pré a Deus que me capacite
e me ajude em todas as áreas de minha vida”,
revela. Para Cá Renato, como é mais
conhecido no meio publicitário do Recife,
ninguém entende mais de criação
do que Deus. “Sei que estou em boas mãos”,
brinca.
Saiba quem é São Bernardino
de Sena
São Bernardino nasceu em 1380 em Massa
Marítima, Itália, numa nobre família
senense dos Albizzeschi. Ficou órfão
de pai e mãe ainda muito jovem e foi criado
por tias extremamente religiosas, na cidade de
Sena. Freqüentou a faculdade até os
22 anos, quando abandonou a vida mundana para
vestir hábito franciscano. Dentro da Ordem,
tornou-se um dos principais divulgadores da reforma
dos franciscanos e ainda fazia incidir monograma
JHS sobre tabuinhas de madeira, seus discursos.
São Bernardino morreu na cidade de Áquila
em 1444, aos 64 anos. Em 1450, tornou-se padroeiro
dos publicitários e anunciantes. O dia
de sua reverência é 20 de maio.
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