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| Ano V | 15
janeiro - 15 fevereiro de 2004 | nº 52 | Capa: ProNews |
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PODE PEGAR A FICHA E ENTRAR NA FILA
Por Luciana Torreão |
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Divertido, engraçado, impetuoso e ousado.
Assim é o pernambucano, nascido em 25 de
outubro, publicitário e executivo da Mart
Pet Comunicação, Joman Barbosa. Um
apaixonado assumido por antiguidades, ele adora
trabalhar com restauração de objetos.
Já restaurou máquinas fotográficas
e hoje tem uma coleção, além
de máquinas de escrever. Atualmente está
finalizando a restauração de um conjunto
de cadeiras de cinema que comprou na reforma do
cinema São Luiz. "Está ficando
massa!", diz ele entusiasmado. Apesar de ser
alérgico a bacalhau, na gastronomia seu prato
predileto é o mexilhão marinado, do
Maison Bonfim, em Olinda (PE), com um bom |
vinho. Sua bebida marcante é a caipirosca, que
considera a melhor do Brasil. E se for feita pelo seu
amigo, Ozael, então... (risos). Uma das coisas
mais interessantes que já fez foi idealizar o projeto
Assombrações do Recife Antigo, vídeo
sobre Gilberto Freire, junto com Toinho Alves, da Fundação
Quinteto Violado, e Gilberto Freyre Neto, da Fundação
Gilberto Freyre. E a frase que o melhor define como pessoa
é: "Para os amigos tudo, para os inimigos
o rigor da lei".
ProNews - Como foi o princípio de sua
vida e carreira?
Joman Barbosa - Estudei em Olinda e fiz Jornalismo
e Marketing. Antes de conhecer a área de comunicação
pensava em prestar vestibular para informática
e já no segundo ano científico estagiava
em uma empresa de informática e operava main
frame (o máximo de tecnologia na época.
O computador era do tamanho de um salão e tinha
apenas um Gigabyte de disco rígido (risos). Sem
querer eu e um amigo, que tinha uma filmadora, começamos
a fazer trabalhos amadores e logo estávamos fazendo
documentários... Aí lascou tudo! Gostei
de lidar com comunicação, de criar, desenvolver
conceitos e linguagens, me apaixonei e fui para comunicação.
ProNews - Qual a história de infância
ou de juventude que marcou sua vida?
Joman Barbosa - Bem, já com 14 anos
eu fiz um curso de informática e me dei super
bem. O pessoal da empresa me colocou para estagiar e
monitorar os alunos de outras turmas junto com outro
cara que se tornou meu amigo, o Júlio (a linguagem
era Basic - acho que metade do pessoal que ler essa
entrevista nem sabe o que é isso), então
começamos a cuidar da biblioteca do curso, incorporamos
nossos livros e revistas e tínhamos um verdadeiro
arsenal de jogos pirata, que na época nem legislação
tinha, e fitas de Atari, um dos primeiros vídeos
games. Alugávamos fitas e vendíamos programas
nas feiras de ciências. Levávamos uns oito
Ataris. As crianças compravam fichas e se esbaldavam.
Era muito divertido.
ProNews - Quais foram os primeiros trabalhos
na área de comunicação?
Joman Barbosa - Bem, meu primeiro contato com
a área foi em rádio, juntamente com Walter
Lins Jr, seu chefe (risos). Nós dois disputávamos
quem tinha o melhor desempenho interno, mas uma verdade
deve ser dita: Walter era preguiçoso pra cacete,
e mesmo assim se dava super bem. Eu tinha que ralar
o dobro pra conseguir o mesmo resultado que ele. Éramos
vizinhos em Olinda e foi ele quem me indicou para trabalhar
na Rádio Transamérica, quando surgiu a
vaga de contato publicitário. Devo a ele a minha
entrada oficial no mercado publicitário.
ProNews - Quais os momentos mais difíceis
que enfrentou no começo da carreira?
Joman Barbosa - Ser publicitário é
pedreira! Não tem muita coisa fácil não.
O prazer de trabalhar é enorme e junto com ele
vem a responsabilidade, os riscos, a superação
de desafios... Lembro que uma das coisas mais difíceis
pra mim era a idade. Tinha uns 19 anos e já trabalhava
como contato de rádio. Logo no começo
quando fui conhecer o pessoal das agências, eles
ficavam sabendo da minha idade e desconfiavam que não
fosse dar conta do recado. Uns dois anos depois fui
trabalhar com Ângelo Melo, na Aporte Comunicação
(era o início da agência). O diretor de
criação da Aporte tinha me conhecido em
uma produtora, onde estava fazendo uns freelas. Batemos
um bom papo e ele disse que a Aporte estava precisando
de um atendimento. Pô, eu enlouqueci, o Tozé
(diretor de criação) me apresentou ao
Ângelo, conversamos bastante e ele me contratou.
Passei uns bons tempos na Aporte. A equipe era competente
pra cacete e eu tinha que aprender a me posicionar rápido
como atendimento. Também foi uma fase difícil
do ponto de vista da insegurança de ter a qualificação
para superar os desafios da função. Mas,
no fim deu tudo certo.
ProNews - Que projetos muito legais você
considera que já fez?
Joman Barbosa - Um outro projeto que lembro
com carinho foi a montagem do Festival Pinzón,
com o pessoal da Prefeitura do Cabo, Zé Ambrósio
e Carlos Sampaio, Elias Gomes e o saudoso Byron Sarinho,
que era um "monstro sagrado" no planejamento.
Conseguimos criar, produzir, vender patrocínios
e fazer o primeiro evento em apenas 30 dias. Um trabalho
fantástico de equipe.
ProNews - O que é ter qualidade de vida
nos dias de hoje? Pode-se dizer que você tem qualidade
de vida?
Joman Barbosa - Isso depende muito de como
cada um encara a vida. Se eu for considerar sob o ponto
de vista de saúde: não. Minha qualidade
de vida é péssima, como mal, durmo pouco,
bebo, não me cuido, não gosto de médicos...
ou seja, tudo errado a não ser o fato de ter
deixado de fumar há um ano. Agora, se considerarmos
as realizações, e o prazer... aí
sim, tenho uma excelente qualidade de vida. Faço
o que gosto, moro em um lugar que é um paraíso
(ao menos, eu acho) tenho bons e fiéis amigos,
trabalho em um lugar com uma equipe que me dá
orgulho. Nesta ótica tenho uma superqualidade
de vida.
ProNews - Houve influência por parte de
alguém na escolha de sua profissão?
Joman Barbosa - Não, sempre tive liberdade
de escolha em tudo que fiz, realmente descobri a carreira.
Agora, uma pessoa que admiro e gosto é Jairo
Lima (ex-Italo Bianchi-PE), pelo que soube está
morando em Natal (RN). Um cara preparado, ético.
Nunca fomos amigos chegados, porém sempre o admirei.
Outra pessoa que não posso deixar de citar é
Oliveira Jr, um cara que sempre vai ser meu amigo e
tem meu mais profundo respeito. Infelizmente não
está mais por aqui, mas tenho certeza que está
feliz, esteja onde estiver.
ProNews - Para ser um bom profissional de comunicação
e, especialmente de publicidade, o que é preciso?
Joman Barbosa - Concentração
no que faz, muito trabalho, não se satisfazer
com pouco, não ser medíocre, estudar e
ler continuamente, pensar antes e fazer depois, não
se abater e transpor as barreiras impostas pelas dificuldades
e burocracias do processo. Recentemente conheci um jornalista
que resumiu muito bem o que é ser um publicitário
- "É o cara que detém um oceano de
conhecimento com um dedo de profundidade".
ProNews - Existe um estigma no mercado de que
você é um profissional temido e por vezes
até odiado. O que é preferível:
ser amado ou odiado?
Joman Barbosa - Antigamente eu me chateava
com isso, hoje me divirto. O problema é que sou
um cara de extremos. Não sei fazer as coisas
sem ser intensamente. Não consigo admitir que
não se transponham as barreiras. Às vezes
as coisas empacam por besteira, aí viro um trator
e resolvo do meu jeito. Isso, constantemente, não
é bem entendido pelos outros. Na maioria das
vezes a pessoa é que não fez o que deveria
fazer no tempo certo. E em propaganda não existe
isso de dodói, ou o cara resolve ou se ferra.
Por isso se você quiser falar de mim não
é assim não, pode pegar a ficha e entrar
na fila (risos). Uma coisa engraçada é
que vi um estagiário falando de mim como se conhecesse
e eu na roda. Pode? Como se tivesse ocorrido uma determinada
coisa entre mim e essa pessoa. Aí eu disse: Você
conhece o cara? Ele disse: Claro, e aí eu: Prazer,
eu sou o Joman (risos). Outra vez me contaram que em
uma festa tinha gente falando de minha casa nova como
se conhecesse, e a pessoa nunca tinha pisado lá.
Eu tinha dado uma festa na semana anterior e vai ver
que a pessoa queria se passar por descolada. Bem, no
fundo acho que essa controvérsia dá "ibope".
Meus amigos, os que trabalham e ralam realmente como
eu, que fazem besteira como eu, que erram querendo acertar,
que se jogam no problema de cabeça, esses sim
sabem quem eu sou e como penso e é desses que
a opinião me interessa. O resto é espuma
e confete.
ProNews - Qual a palavra que você acha
que mais se enquadra à posição
do profissional no mercado de hoje?
Joman Barbosa - Dúvida. Hoje o profissional
não sabe qual a missão do novo publicitário.
Se ele é um cara que deve entender de internet,
promoção, B2B, RP, o escambau. Ou se deve
especializar-se em propaganda da boa - vejo agências
e profissionais querendo ser tudo e não ser nada
e vejo iniciativas empreendedoras atribuírem-se
novas frentes, novos negócios complementares
e autônomos.
ProNews - Qual a importância da responsabilidade
social no Brasil?
Joman Barbosa - Responsabilidade social é
pauta do dia em qualquer empresa que se preze. O empresariado
descobriu que para crescer tem que ser socialmente mais
justos. Não adianta produzir triturando gerações
no trabalho infantil, não se pode ampliar o mercado
sem uma melhor distribuição de renda.
Não podemos introduzir novos consumidores se
não tivermos cidadãos. Por incrível
que pareça esses assuntos não vendem apenas
por ser moda, vendem porque ampliam efetivamente mercado,
além de transformar a sociedade. Outro assunto
que também merece atenção é
o meio ambiente.
ProNews - Qual frase ideal para se aplicar a
um profissional de comunicação e propaganda?
Joman Barbosa - Acho que é uma frase
usada por Donald Trump: "Você está
vendo essa luz? É, eu vi primeiro".
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