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| Ano V | 15
janeiro - 15 fevereiro de 2004 | nº 52 | Capa: ProNews |
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Nas Ondas do Rádio
Promover políticas de comunicação
popular, democratizar os meios de comunicação
e fortalecer as rádios comunitárias é
a missão da Associação das Rádios
Populares de Pernambuco que integra cerca de 150 rádios
comunitárias de todo estado de Pernambuco.
Criada há 10 anos, a instituição
é constituída por três coordenadores
e um quadro técnico de advogados, educadores, consultores,
técnicos de som, jornalistas, um assistente financeiro
e uma gerente administrativa. Tem como parceiros a Unicef,
os ministérios da saúde e educação,
Save The Children, Etapas, Fase, Cese, senac, Governo
do Estado, Prefeitura do Recife, entre outros. “Hoje
são mais de cem parceiros que cooperam com nossos
projetos sociais e facilitam a sustentabilidade da associação”,
explica Wilson Rodrigues, coordenador geral da Arppe.
Rodrigues é militante antigo do movimento. Lembra
emocionado quando conseguiu alugar a primeira sala da
instituição. “O nosso maior dilema
era saber qual de nós iria sentar no único
móvel que tínhamos: uma cadeira”,
recorda. A solução proposta foi unânime:
jogar todos os documentos no assento e sentar no chão.
Os problemas com a falta de recursos para manter a sede
da instituição era ‘fichinha’
diante dos aborrecimentos provocados pela perseguição
da Polícia Federal e campanhas publicitárias
que insultavam as rádios comunitárias. “Fomos
maciçamente chamados de piratas por acreditar na
democratização dos meios de comunicação”,
diz Rodrigues.
Passado todo esse tempo, a justiça e a sociedade
estão mais flexíveis diante do assunto.
São capazes de enxergar que os pequenos projetos
de comunicação, quando localizados e integrados
à realidade de suas comunidades, podem produzir
conteúdos de qualidade, garantir audiência
e dar respostas às necessidades da população.
O modelo oficial de comunicação, organizado
sobre grandes redes nacionais que reproduzem informações
geradas em centros industrializados, começa a se
transformar. Primeiro, porque se vê pressionado
à revisão imposta pelas novas tecnologias,
como a internet. Segundo, porque milhares de pequenas
emissoras espalhadas no território brasileiro jogam
diariamente um incalculável número de novas
vozes na interlocução social. “Diga-me
onde haveria espaço, se não fosse as rádios
comunitárias, para novos artistas, cantores, músicos,
poetas, jornalistas, radialistas, mulheres, crianças,
educadores?”, pergunta Rodrigues.
Ao lado de tudo isso, independentemente das questões
que surgem, um grande debate sobre a qualidade das produções,
o respeito à abrangência local e a adesão
sincera ao projeto pequeno e sem lucrativos das rádios
comunitárias, precisa ser iniciado com seriedade,
até mesmo para revisar a Lei 9.612, de 1998, que
regulamenta o serviço de radiodifusão comunitária,
para a nossa realidade atual. |
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