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   Ano V | 15 março - 15 abril de 2004 | nº 54 | Capa: Aporte
   
   
     
  NASCIDA NA LUA CHEIA
Por Luciana Torreão
 
Ela nasceu numa fria noite de lua cheia em Ribeirão (SP). Geminiana, mudou-se ainda criança para São Paulo, onde morou até os 17 anos. Depois disso, aportou em Recife (PE). Adora correr, ouvir música e escrever, se divertir, viajar, dançar, jantar fora, ir ao teatro e ao cinema. A comida japonesa e doces de toda espécie são sua perdição. Para beber, simplesmente Champagne e água. Simpática e risonha que só ela, à primeira vista parece até uma bonequinha de porcelana: branquinha, com traços delicados. Depois de toda essa descrição a esta altura você deve estar pensando que falamos de um personagem de uma das maravilhosas
fábulas encantadas da literatura universal. Mas, bem diferente da ficção, esta trata-se de uma mulher de fibra, lutadora e com muita garra: Renata Menezes, sócia-diretora da Novva Comunicação (PE).

Publicitária por vocação ela ligou sua carreira a um espectro muito maior da comunicação, seu livro de cabeceira é sempre o livro que estiver lendo no momento. Segundo Renata, não há um único livro que represente a "obra da sua vida". “Atualmente, estou lendo Viver para Contar - de Gabriel Garcia Marquez. Uma narração espetacular, de uma sensibilidade ímpar. Já li outros tão maravilhosos quanto, mas não tenho predileção por nenhum, até mesmo porque os momentos da vida em que os estamos lendo fazem toda a diferença”, divaga. De um modo geral, admira Tom Jobim, Chico Buarque, Vinícius de Moraes, Lima Duarte, Fernanda Montenegro, Clarice Lispector, e por aí vai… Ao que parece, o romantismo com bom gosto predomina no quesito música, pois a sua predileta é "Sangrando", de Gonzaguinha. Ao ser questionada como se auto-define ela é taxativa: “Não me defino. Lembrei-me de uma frase interessante, que resume essa questão: Diz-me o que crês ser, que eu te direi quem não és - Henri Frédéric Amiel”, responde.

Revista ProNews - Qual a origem de seus alicerces, de sua base acadêmica e profissional?
Renata Menezes -
Sou jornalista por formação, e publicitária por vocação, empenho e fé. Formei-me na Unicap, em 1993, mas antes disso já trabalhava como Atendimento, na Propeg - onde iniciei minha vida profissional. Em 1995 fui trabalhar em São Paulo, como gerente de atendimento de uma grande agência de design, ficando lá por 2 anos. Ainda passei por Belo Horizonte, e voltei para cá em 1999. Fui gerente de marketing de shopping centers, diretora de atendimento
da Propeg - mais uma vez, e diretora da Mart Pet, onde fiquei até 2002. Em 2003 criamos a Novva e, desde outubro do ano passado, Pedro Fonseca se juntou ao grupo, como sócio e diretor de comunicação. Sou hoje a diretora-executiva; Jussara Pettini e Edison Martins são sócios fundadores - juntamente comigo.

Revista ProNews - Qual a filosofia da Novva Comunicação? O nome tem algum significado específico?
Renata Menezes -
A Novva é mais que um nome. É um conceito inovador de comunicação. Terceirizamos o marketing e fazemos com que o pensar e o agir sejam quase que atitudes paralelas. É uma empresa de inteligência de comunicação propositiva. Eu e Pedro Fonseca, meu sócio e diretor de comunicação, nos propomos a apresentar todos os tipos de solução para criar canais eficientes de comunicação com os públicos de serviços e produtos. Novva é uma sigla - Novos Valores em Comunicação - e também é uma atitude. Nos diferenciamos com um grupo de talentos reunidos de maneira a criar soluções de comunicação e idéias, e não apenas de propaganda, não apenas de promoção, não apenas de uma, mas de todas as ferramentas existentes ou a serem criadas para cativar o público desejado.

Revista ProNews - Que segmentos a Novva trabalha?
Renata Menezes -
Em todos aqueles onde pode haver comunicação, troca de informação entre os nossos clientes e o seu público. Isso vai desde o que já está institucionalizado (como propaganda, assessoria de imprensa, merchandising, e-business, endomarketing, eventos, promoção e outros) até aquilo que seja possível inventar. Aliás, essa é a melhor parte do nosso trabalho com planejamento estratégico: criar novas fórmulas, que possam multiplicar os resultados dos investimentos dos nossos clientes.

Revista ProNews - Qual a relação da Novva com a Mart Pet?
Renata Menezes -
Em primeiro lugar, a Mart Pet é um parceiro em estrutura, uma vez que dividimos parte dela, tanto em espaço físico quanto em despesas. Além disso, algumas vezes ela é nosso cliente, e em outros momentos é nosso fornecedor. Não temos nenhuma obrigatoriedade em dividir trabalhos ou compartilhar clientes. A "Novva tem total autonomia e independência, e encaminhamos nossos jobs de acordo com o perfil de cada parceiro e de cada fornecedor. Nosso compromisso é com o resultado do trabalho para o cliente. Agora, por exemplo, estamos desenvolvendo um projeto muito interessante na área cultural, e convidamos a Ampla para fazer junto conosco. Isso é que é bárbaro para a gente: ter a liberdade, a flexibilidade e a segurança para estar comprometido com o melhor resultado. Sem amarras e com transparência.

Revista ProNews - Qual o segredo de um profissional bem-sucedido?
Renata Menezes -
Não tem segredo, ou uma só bula a ser seguida. Cada um vai fazendo o seu caminho conforme sua vocação, seus focos de interesses, e sua personalidade. Acho que um bom profissional se forma ao longo do tempo com muita disciplina, atenção, sabendo ouvir, sabendo enxergar as pessoas, as oportunidades e o mercado no qual está inserido. Ter uma atitude de responsabilidade para com seu ofício, se comprometer com a ética e assumir posturas coerentes é fundamental para se ter credibilidade. Outra medida importante é o empenho na busca por conhecimento e atualização permanentes. Formação não basta. Tem que ter informação, sempre. É preciso ousar em vários momentos, sabendo dosar o risco, com sensibilidade. Bom humor também ajuda.

Revista ProNews - Como você vê o mercado de comunicação e marketing hoje?
Renata Menezes -
Não acho que partilhar o modo como vejo o mercado hoje vá acrescentar para quem está lendo essa matéria. Os bem-informados que trabalham na área sabem exatamente qual é o panorama atual, e serei apenas repetitiva se me propuser a descrevê-lo. Procuro sempre me manter informada sobre o que está acontecendo - mas não pauto minhas atitudes profissionais apenas pela vivência do presente. O que está aí, as fórmulas, as estruturas, os modelos, já são uma herança. Ponto final. Agora, neste exato momento, estou trabalhando pelo futuro, olhando para frente. Procurando o novo, constantemente.

Revista ProNews - Como foi o ano de 2003 para Novva?
Renata Menezes -
Foi nosso primeiro ano. A Novva nasceu no dia de Iemanjá, em 2 de fevereiro, buscando um modo de atuação diferenciado em relação aos modelos convencionais de agência de publicidade - até porque não somos uma. Apesar 2003 ter sido um ano difícil para todo o mercado, a Novva conseguiu se instalar, conquistar clientes relevantes, desenvolver um Bom trabalho, e se equilibrar. Podemos dizer que, para apenas 1 ano, estamos acima do peso.

Revista ProNews - E as perspectivas para 2004?
Renata Menezes -
Assim como 2003, este ano será de muito trabalho e de busca por "novvas” oportunidades. Para isso, teremos que estabelecer um ritmo de crescimento que seja sustentável, de modo que a balança da estrutura e da demanda não perca o equilíbrio que alcançamos. Vamos continuar trabalhando com muita informação e adaptações, visto que a comunicação está oferecendo transformações permanentes, e é preciso se antecipar a muitas delas.

Revista ProNews - O mercado de comunicação está para peixe? E o Nordeste?
Renata Menezes -
Está mais para tubarão. Aliás, qualquer mercado de trabalho está assim. Já devíamos ter nos acostumado com um mundo globalizado (que a essa altura do campeonato já é passado), com a rapidez das mudanças, com o acirramento da competição e com a preocupação de estar desenvolvendo constantemente nossas competências. Sempre haverá espaço para quem souber abrir espaço - e manter espaço. Aqui, em São Paulo, Nova York, Bahia ou em qualquer lugar. O que acontece - e não é de hoje - é que as grandes verbas de comunicação estão centralizadas no eixo Rio-São Paulo. Esse movimento gerou um processo de adaptação do mercado regional e que foi muito sofrido à primeira vista. Mas essa conjuntura não pode mais ser colocada como barreira para o desenvolvimento das potencialidades locais, pois já é realidade consolidada. Temos que andar para frente, com vistas às oportunidades que estão surgindo a cada instante, e usando, mais do que nunca, a criatividade para não nos imobilizarmos.


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