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   Ano V | 15 março - 15 abril de 2004 | nº 54 | Capa: Aporte
 
 
     
APD GANHA GESTÃO MAIS PARTICIPATIVA E DEMOCRÁTICA

Luciana Torreão


“Promover e divulgar o design junto à sociedade, consolidando Pernambuco como um pólo regional de design”. Este é o principal objetivo da gestão 2004/2005 da Associação Profissional dos Designers de Pernambuco (APD/PE), que, diga-se de passagem, está com a bola toda. Os “garotos” da nova diretoria mal tomaram posse e já atiçam o coreto do design pernambucano. Fizeram parceria com a Associação Comercial de Pernambuco (ACP) e a ONG Centro Vivo e conquistaram espaço, onde foi montada
nova sede, num belíssimo casarão à beira mar, no Bairro do Recife Antigo, em frente a um importante ponto turístico da cidade do Recife, o Marco Zero.

A nova diretoria, afinada nos pensamentos e na disposição de trabalhar em prol do desenvolvimento do design regional e nacional, valoriza uma gestão participativa e mais democrática, para dar vez e voz a este mercado tão pouco valorizado e corrompido, como definem eles mesmos. Juntos, Ricardo Notari Peixinho (presidente), Alfredo Pinho (vice-presidente), Fred Mamed (diretor-administrativo), Buggy (diretor cultural), Hiroshi Koike (diretor de informação), Anderson Ginane (diretor-financeiro), Cláudio Cardoso (diretor de projetos especiais), Teresa Lopes, Alex Mont’Albert e Patrícia Amorim (conselho fiscal) estão trabalhando a pleno vapor na realização de ações que irão consolidar a categoria e proporcionar maior visibilidade.

A APD prevê a conscientização do segmento empresarial acerca da importância do design como ferramenta indispensável para o desenvolvimento de suas empresas e da compreensão dos consumidores do papel do design. Esta conscientização é, antes de tudo, importante componente do seu ambiente e da sua cultura, além de ser uma premissa básica para a consolidação da profissão. “Com sua cultura marcada pela diversidade e riqueza plástica, Pernambuco tem no seu design, uma das expressões mais fortes, mas que, infelizmente, não tem sido suficientemente valorizado, mesmo no próprio estado. Pouco se tem divulgado da produção local, ficando muitas vezes no anonimato profissionais com grande talento e trabalho de excelente nível criativo e técnico”, expressa o presidente da entidade, Ricardo Notari Peixinho.

O estado de Pernambuco tem uma posição privilegiada na região Nordeste com relação ao desenvolvimento do design, sendo um dos primeiros estados do país a preocupar-se com a questão, desde os anos 50, com o surgimento do gráfico amador. O movimento envolveu intelectuais de diversas áreas relacionadas com a produção editorial e foi também o laboratório de importantes experiências gráficas e um dos embriões do surgimento da atividade profissional do design em Pernambuco e no Brasil. “Em vistas disso, nosso planejamento está totalmente estruturado e bem definido, cujas atividades serão implementadas ao longo de nossa gestão”, reforça Peixinho.

A nova diretoria está correndo contra o tempo e já está providenciando parcerias para incentivar novos associados, os quais terão inúmeros benefícios, tais como descontos em vários serviços e empresas. Segundo o presidente da APD, as estratégias para atingir os designers pernambucanos mudaram. “Em vez de eles virem até a APD-PE, nós iremos até eles. Através de um cronograma de visitação, teremos até o meio do ano visitado todos os escritórios, agências, jornais, universidades, etc. - ou qualquer espaço que tenha um bando de designers atuando - , apresentando a APD-PE e cadastrando os interessados para se engajarem conosco nessa luta pela valorização profissional”, aposta.

A APD foi fundada em 1979, sendo a 2ª APD brasileira (a 1ª foi fundada no Rio), porém é a mais antiga em funcionamento, pois sempre esteve viva e atuante até hoje, com pequenos períodos de pouca movimentação. Em 1979 realizou o Primeiro Congresso Nordestino de Design e em 1981 sediou o 2º ENDI - Encontro Nacional de Desenhistas Industriais. O Congresso entrou para a
história do design brasileiro e caracterizou-se pela importância dos temas tratados na época, tais como a nomenclatura da profissão. “A APD sempre se envolveu com as questões polêmicas na defesa da profissão de design, como, por exemplo, a regulamentação da profissão, direitos autorais, código de ética, tabelas de preço, etc. Com certeza daremos continuidade e prosperidade às causas da categoria, que tornou-se enfraquecida pelo sucateamento da mão-de-obra dos designers. Por conta disso nosso valores comerciais caíram e fizeram muitos de nossos colegas migrarem para outras áreas para poderem se sustentar e sobreviver às consecutivas crises de mercado”, acrescenta o vice-presidente, Alfredo Pinho.

Entre as atividades a serem colocadas em prática está a realização do Pernambuco Design 2004; o concurso da nova marca da APD-PE; e parceria com a Associação dos Designers Gráficos (ADG Brasil) na forma de um desconto significativo para os associados da APD-PE na inscrição de trabalhos na 7ª Bienal de Design Gráfico. No momento a APD-PE participa da Rede Pernambucana de Design, juntamente com as principais empresas de fomento do design em Pernambuco. Esta aproximação visa contribuir para o aumento da competitividade das indústrias e empresas do estado de Pernambuco, através da melhoria de seus produtos e serviços, com a incorporação de Design ao sistema produtivo. “Queremos a valorização do design e dos designers pernambucanos, com o objetivo de credenciar o estado como um pólo de excelência nessa área, fortalecendo sua posição como um dos maiores centros de prestação de serviços qualificados e de alta tecnologia na região Nordeste”, expõe o diretor de Projetos Especiais, Cláudio Cardoso.

Os novos membros têm como metas: contribuir para a promoção do design no interior do estado; promover a melhoria constante da capacitação profissional dos associados; orientar o público sobre a formação profissional valorizando produtos e serviços com design; promover o registro da produção de design do estado de Pernambuco; promover o intercâmbio entre profissionais, empresas e instituições em nível estadual, regional, nacional e internacional; estimular o debate público e interno sobre o design; aumentar o número de associados garantindo a representatividade e estabilidade da Associação; projetar o design como uma importante ferramenta de inclusão social; criar uma rede de informações que privilegiem os associados e gerar credibilidade e respeitabilidade para a APD/PE.

“Hoje, o design é um diferencial básico na disputa do mercado, pois através dele a empresa se identifica e se diferencia dos concorrentes, expressa a qualidade do seu atendimento e dos seus produtos, a credibilidade e segurança da instituição e o nível de sofisticação e avanço tecnológicos dos recursos colocados à disposição dos seus clientes”, finaliza Peixinho.
     
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