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O CONSUMIDOR SEMPRE TEM RAZÃO
E O VENDEDOR TAMBÉM ...
Qualidade de Atendimento é uma expressão
bastante explorada e pouco efetiva, porém, fundamental
para o sucesso do varejo que atua no sistema de atendimento
pessoal. Inúmeros casos nos mostram que esta
qualidade independe do status do público-alvo
ou da sofisticação do ponto-de-venda e
está sim diretamente relacionada ao comprometimento
individual das pessoas que exercem a função.
Como o dono da mercearia, da lojinha, da farmácia
ou da quitanda que à frente do seu pequeno negócio
soube tratar seus consumidores com tanta consideração
e respeito que construiu um império, uma grande
rede. Samuéis, Luísas, Joões e
tantos outros anônimos, mas inesquecíveis
empreendedores no seu bairro, na sua pequena cidade,
fizeram história e construíram marcas
de respeito. Alguns conseguiram transmitir seus conceitos
para seus sucessores, familiares ou profissionais, outros,
nem tanto. O segredo continuou sendo o tal comprometimento,
o tal do "vestir a camisa".
E para que funcionários da linha de frente (ou
dos bastidores) vistam a tal camisa é preciso
que se sintam valorizados dentro do processo e respeitados
enquanto cidadãos. Não é só
com treinamento e consumidores ocultos que se chega
à excelência do atendimento e, conseqüentemente,
ao aumento do ticket médio e à fidelidade
de compra do disputado consumidor. Não basta
tampouco investir somas astronômicas na fundamental
propaganda de massa que leva, com certeza, o público-alvo
para a loja. A retenção efetiva do consumidor
está na sua satisfação e esta só
é conquistada com a satisfação
do funcionário de atendimento e na transparência
da oferta.
O que vemos são salários cada vez mais
baixos, benefícios cada vez mais escassos e campanhas
de incentivo baseadas em compensação "financeira",
como se tudo estivesse à venda - o produto e
o vendedor. Não se trata de condenar a prática
de premiar os bons e punir os maus profissionais. O
que precisa ser resgatada é a essência
da função. Capacitar indivíduos
quanto às características e diferenciais
dos produtos que comercializa, quanto à postura,
quanto às técnicas de vendas, mas, sobretudo,
quanto ao seu comprometimento enquanto profissional
que optou por uma determinada função que
é a de VENDER e preservar através de seu
comportamento o espírito e o carinho que fizeram
os Samuéis, as Luísas, os Joões,
realizarem suas grandes obras.
É preciso capacitar indivíduos a se enxergarem
no outro, a aprenderem a tratar o consumidor como esperam
ser tratados e isto só se alcança quando
o empregador age com justiça e respeito para
com sua própria equipe e para com o mercado.
Num ambiente assim, o impulso e a decisão de
compra acontecem como por encanto, e o merchandising
pode cumprir sua função de coadjuvante
tão eficaz como o faz quando exerce o papel principal
no auto-serviço.
Maria Egia Chamma é vice-presidente
de Pesquisa do POPAI Brasil
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