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   Ano V | 15 abril - 15 maio de 2004 | nº 55 | Capa: Ampla

   
   
     
ZECA

Humberto Montenegro (diretor de arte)

Que país engraçado esse Brasil. Já que o mundo faz guerra, resolvemos fazer nossa guerra também. Mas outra guerra, uma guerra mais com cara de Brasil, uma guerra de cervejas. Essa é a novidade brasileira. Se bem que não é nada novo. As cervejas sempre brigaram por espaço no fígado dos consumidores com imagens de mulatas, mulatas, mulatas, praias, biquínis, festas, djs, som, futebol, sol e inverno. Isso mesmo. Ronaldinho bebendo cerveja, no frio abaixo de zero. Um cara como Ronaldo, até então um ícone para as crianças. E quem está preocupado com as crianças? Elas não bebem cerveja... E tudo isso no frio!!! Loucura, mas é guerra, e temos que atirar para todo lado. Que as crianças saiam da frente, temos que experimentar.

Propaganda de cerveja tinha que ser feita por um pagodeiro, sem corpo de atleta, que gosta de cerveja. O briefing é simples, é cerveja no Brasil. Simples. Pagode, cerveja: é Zeca. O grande Zeca, que já foi internado várias vezes por causa da cerveja, que já fazia propaganda de cerveja de graça há muito tempo e já tentou largar. Já fez de tudo, mas os apresentadores de televisão nunca deixaram, e ele não conseguiu largar o álcool. E agora as cervejas fazem guerra por um grande bêbado que fez propaganda para uma cerveja que ele não gostava muito, que bebeu demais e, no meio do porre, acabou confessando que gosta mesmo é da Bhrama. E o mundo caiu. A gente sempre soube que em conversa de bêbado não se pode confiar. E milhões estão sendo gastos e os gritos estão em todo canto: - O bêbado é meu!!!! - Não, é meu!!!! E quem sai ganhando é o Pagodinho, que embolsou dos dois lados. Por isso eu acredito cada vez mais no ditado. "É melhor ser um bêbado conhecido do que um alcoólatra anônimo".
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